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Giulia Melo Falcão Vel Kos, de 27 anos, relatou agressões de marido
G1 — Brasil · 2026-08-19T03:00:20.000Z
Giulia Melo Falcão Vel Kos, de 27 anos, relatou agressões de marido
A cirurgiã-dentista Giulia Falcão, que foi agredida pelo marido no último sábado (15), em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, diz que pediu ajuda a seguranças da rua durante as agressões, mas não recebeu auxílio. Segundo ela, os profissionais não intervieram mesmo enquanto ela chorava e gritava por socorro.
Segundo a GloboNews apurou, a polícia vai analisar as imagens registradas pelas câmeras para entender a dinâmica em frente à casa: como foi o pedido de ajuda feito aos seguranças e como eles agiram. Além dos seguranças, vizinhos também podem ser chamados para prestar depoimento.
Ivo Vel Kos, de 48 anos, empresário conhecido no mercado financeiro, foi preso na madrugada de sábado (15) por violência doméstica e ameaça. Ao g1, o advogado Davi Gebara, disse que, "em respeito a ambas as famílias, a defesa não vai se manifestar no momento".
“Eu desci do carro pedindo socorro aos seguranças da rua. Eles não me ajudaram a pedido do Ivo. Eu chorava, gritava, e eles não faziam nada. Eu gritava pedindo ajuda. Nisso, ele [marido] me desferiu um golpe no rosto e conseguiu me levar para dentro de casa à força, e as agressões continuaram”, relatou Giulia em entrevista ao g1.
Segundo a defesa da dentista, a atuação dos seguranças é um dos pontos que serão levados às autoridades. O advogado Fabio Fajolli afirma que dois profissionais teriam presenciado as agressões.
“Hoje nós temos três frentes de trabalho, porque nós temos três núcleos ali envolvendo esses fatos. Ivo, o agressor; temos os familiares, que é o segundo núcleo, que trocaram as fechaduras da casa, impediram o acesso da Giulia ao próprio carro, à própria casa e aos próprios bens, e um terceiro desdobramento, um terceiro núcleo, que é justamente a atuação desses seguranças”, disse Fajolli.
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De acordo com o advogado, um dos profissionais estaria em um carro de segurança quando teria visto Giulia sendo agredida, já ensanguentada, e deixado o local. O segundo, ainda de acordo com a defesa, estava na calçada e teria presenciado as agressões sem chamar a polícia. Fajolli afirma ainda que esse profissional teria ajudado Ivo a arrastar Giulia para dentro da residência.
“Nós temos um crime omissivo aqui, a princípio. E o segundo é ainda pior. Ele visualiza a cena, está na calçada, na mesma calçada, e não intervém, não chama a polícia, e não faz nada. E depois ele ajuda o agressor a arrastar a Giulia até a casa deles, onde ela vai sofrer mais 40 minutos de tortura e agressões”, afirmou.
A defesa diz que pretende buscar a responsabilização dos dois profissionais. “Esses seguranças, que não são seguranças na verdade, serão, sim, investigados e responsabilizados. O primeiro, de forma omissiva, e o segundo de forma ativa”, disse o advogado.
O que diz a Polícia Civil
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que, por se tratar de uma prisão em flagrante, o caso foi imediatamente comunicado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público.
“Até o momento, não há investigação instaurada em relação às demais pessoas envolvidas na ocorrência. Eventuais desdobramentos do caso dependerão da análise dos fatos pelas autoridades competentes”, informou a pasta.
O que diz a empresa de segurança
O Grupo Previx, empresa de segurança que atua na região, contesta a versão apresentada pela defesa e afirma que é preciso diferenciar dois profissionais que, segundo a empresa, estavam no local.
A empresa afirma que um agente do Grupo Previx fazia patrulhamento de rotina quando identificou a situação e, segundo o relato dele, acionou imediatamente a Polícia Militar. Ainda de acordo com a Previx, o funcionário permaneceu próximo ao local para prestar apoio.
A empresa afirma que as imagens não registraram esse profissional participando ou auxiliando o agressor na condução de Giulia até a residência.
Já o homem que, segundo a versão da vítima, teria ajudado a levar a dentista em direção ao imóvel seria, de acordo com a Previx, um segurança local, também chamado de “guariteiro”. A empresa afirma que ele não integra seu quadro de funcionários e não tem relação com o Grupo Previx.
A Previx disse lamentar profundamente o ocorrido, solidarizar-se com Giulia e permanecer à disposição das autoridades para eventuais esclarecimentos.
A empresa também afirmou repudiar qualquer conduta que desrespeite a vontade de uma pessoa, especialmente uma potencial vítima de violência doméstica.
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Ivo é conhecido no mercado financeiro por ter sido sócio-fundador da antiga securitizadora Virgo, que ficava na região da Faria Lima. A empresa se envolveu em um escândalo financeiro em 2025 por ter sido alvo de investigação por fraude.
De acordo com o boletim de ocorrência, Giulia relatou que as agressões começaram após uma discussão entre o casal durante o retorno para casa, por volta das 23h. Segundo ela, Ivo desferiu socos contra seu rosto e seu corpo ainda dentro do carro.
Ainda segundo o relato registrado no BO, ao chegar próximo à residência, Giulia tentou sair do veículo e pedir ajuda. Ela afirmou que Ivo continuou a agredi-la com um taco de beisebol e que utilizou uma arma de choque para ameaçá-la. A mulher afirmou que tentou ligar para a Polícia Militar, mas ele pegou o celular dela.
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Ao g1, Giulia contou que o trajeto entre o local onde estavam e a casa durava cerca de oito minutos e que as agressões continuaram quando chegaram à rua do imóvel.
"Eu liguei para o 190, ele desligou e pegou meu celular. Eu desci do carro pedindo socorro aos seguranças da rua. Eles não me ajudaram a pedido do Ivo. Eu chorava, gritava, e eles não faziam nada. Nisso ele me desferiu um golpe no rosto", contou.
Giulia disse que conseguiu se trancar no banheiro e tentou novamente chamar a polícia, mas o telefone estava sem linha. Ela afirmou que aproveitou um descuido do marido para fugir novamente para a rua.
"Aproveitei um descuido dele e consegui correr e fugir para a rua novamente aos gritos, o que fez com que todos os vizinhos saíssem e foram eles que me salvaram porque ele ia me matar e disse isso. Os vizinhos afastaram-no de mim e me acolheram em casa até a chegada da polícia", disse.
Giulia publicou um relato sobre as agressões nas redes sociais e fotos do rosto. Segundo ela, decidiu tornar o caso público porque, em episódios anteriores, o marido teria negado as agressões.
"Eu vi a morte de perto. Resolvi mostrar para que minha palavra não deixasse de valer diante da dele. Ela já pratica agressão física contra mim desde o namoro e faz tortura psicológica. Meu marido tem uma imagem de bom-moço, homem de honra. Eu já falei em público diversas vezes e, quando ele nega, ninguém acredita [em mim]", disse.
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Segundo o boletim, policiais militares foram acionados pelo Copom para atender à ocorrência. No local, os agentes ouviram versões diferentes do casal e constataram lesões aparentes nos dois.
Giulia foi encaminhada à 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) Norte, onde prestou depoimento e pediu medida protetiva. Os dois foram submetidos a exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML).
A delegada de plantão determinou a prisão em flagrante de Ivo Vel Kos por lesão corporal e ameaça, com aplicação da Lei Maria da Penha. Ele também foi indiciado pelos crimes.
No depoimento, Ivo negou ter agredido Giulia dentro do carro e afirmou que ela começou a atacá-lo com socos e chutes. Segundo ele, houve uma discussão após o casal retornar de um jantar, e Giulia teria ficado alterada após ingerir bebidas alcoólicas.
Ivo também negou ter agredido a mulher dentro da residência, ter utilizado um taco de beisebol contra ela ou tê-la ameaçado com uma arma de choque. Ele afirmou ainda que foi Giulia quem o ameaçou de morte.
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O que diz a Secretaria da Segurança Pública
"Um homem de 48 anos foi preso em flagrante na madrugada desta sexta-feira (15), na Rua Desembargador Mamede, na zona oeste da capital. A vítima, uma mulher de 27 anos, relatou ter sido agredida, além de ameaçada.
Ambos apresentaram lesões aparentes e foram encaminhados para exame de corpo de delito. O caso foi registrado como lesão corporal, violência doméstica e ameaça na 4ª DDM. A prisão foi convertida em preventiva."
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