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Cães farejadores da Core ganham missão pioneira de localizar corpos em cemitérios clandestinos

Cães farejadores da Core ganham missão pioneira de localizar corpos em cemitérios clandestinos

G1 — Brasil · 2026-08-19T07:01:56.000Z

Cães farejadores da Core ganham missão pioneira de localizar corpos em cemitérios clandestinos

Os cães farejadores da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil do Rio, ganharam uma nova missão: localizar corpos e restos mortais escondidos em cemitérios clandestinos.

Duas cadelas, Lolla e Cora, de 1 ano e 4 meses, passam por um treinamento pioneiro para se tornarem os primeiros animais da corporação especializados nesse tipo de busca.

A previsão é que o treinamento seja concluído em até 2 meses. A proposta é preparar as cadelas para atuar principalmente em operações da Core.

“Elas são treinadas para localizar restos mortais principalmente em áreas dominadas por facções narcoterroristas, locais de difícil acesso em que a Polícia Civil, em especial a Core, atua constantemente”, explicou Vandré Nicolau de Souza, responsável pelo treinamento.

Lola e Cora são treinadas pela Core para localizar restos mortais em cemitérios clandestinos

Treinamento todos os dias

Na simulação, os policiais receberam a informação de que um corpo teria sido abandonado em uma área extensa. Os restos mortais foram escondidos para que os animais pudessem localizar o ponto exato.

Durante a busca, Lola encontrou o local e começou a latir, sinalizando para o condutor que havia identificado o odor. O alerta é feito em poucos segundos.

A Seção de Operações com Cães da Core conta atualmente com 15 animais, a maioria da raça pastor-belga-malinois. Eles são treinados para localizar drogas, armas, munições e explosivos.

O treinamento é diário e envolve 3 etapas principais: socialização e adaptação a diferentes ambientes, detecção de odores e condicionamento físico.

“Eles precisam se manter bem condicionados fisicamente para conseguir executar o trabalho de faro com perfeição, exatidão e rapidez”, explicou Vandré.

Em 1 ano, os cães da Core participaram de pelo menos 180 ocorrências.

Cães da Core participaram de pelo menos 180 ocorrências em um ano

Busca por cemitérios clandestinos

A nova especialização de Lolla e Cora mira um problema comum em áreas dominadas pelo tráfico e pela milícia: o uso de locais clandestinos para esconder corpos de vítimas.

Os restos mortais podem ser enterrados em áreas de mata fechada ou colocados em poços abandonados, dificultando o trabalho dos investigadores.

Embora cães do Corpo de Bombeiros também sejam utilizados na localização de vítimas em situações como desabamentos, deslizamentos e enchentes, o treinamento da Core tem como foco a busca por restos mortais relacionados à investigação de crimes.

A expectativa é que, após a conclusão do treinamento, Lolla e Cora possam ser empregadas em operações da Polícia Civil para indicar aos investigadores onde procurar possíveis vítimas escondidas.

Cães que já ajudaram em grandes investigações

Gaia foi a primeira cadela da seção da Core a receber um elogio em boletim interno da Polícia Civil

Entre os animais que fizeram história na seção está Lord, trazido da Colômbia em 2017. No ano seguinte, ele participou de uma operação que resultou na apreensão de 1,4 tonelada de cocaína pura — uma das maiores apreensões da droga já registradas no estado.

Outro destaque é Gaia, hoje aposentada. Ela participou de diversas operações e ajudou a solucionar um caso de múltiplo homicídio em Saquarema. A polícia procurava havia dias a arma usada no crime quando a cadela encontrou o armamento escondido em um terreno baldio em cerca de 20 minutos.

Gaia foi a 1ª cadela da seção a receber um elogio registrado em boletim interno da Polícia Civil.

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