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Cliente que ignorou conselho de advogada e foi condenado: ex-mulher tinha admitido que começou a briga, diz advogada

Cliente ignora conselho de advogada em audiência

G1 — Brasil · 2026-08-19T09:53:02.000Z

Cliente ignora conselho de advogada em audiência

Um homem que acabou sendo condenado após ignorar os conselhos da advogada tinha grande chance de ser absolvido porque a ex-mulher confessou, em depoimento, que teria iniciado as agressões e que o ex-companheiro havia apenas se defendido. A mulher havia mencionado apenas um tapa, segundo a advogada de defesa Eliana Saldanha.

Cliente ignora conselho de advogada e conta detalhes de briga durante audiência: ‘Alma da advogada saindo do corpo’

No entanto, o cliente admitiu ter desferido três tapas no rosto da companheira após uma discussão. Segundo a versão apresentada por ele, a mulher teria iniciado as agressões e avançado em sua direção portando uma chave de fenda, momento em que ele tentou contê-la e acabou revidando com agressão física.

"Ela me agrediu, eu tentei segurar ela. Não consegui, ela pegou uma chave de fenda, veio para o meu lado e, realmente, eu dei três tapas na cara dela. Ela foi dormir, foi para o quarto, eu fui para o sofá, ela dormiu de boa e, no outro dia, ela foi para a delegacia", explicou o cliente ao juiz.

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Ainda de acordo com o relato, após o episódio, ambos foram dormir em cômodos separados — ela no quarto e ele no sofá. Na manhã seguinte, a mulher procurou a delegacia de polícia para registrar a ocorrência.

O caso repercutiu após o homem dar detalhes sobre a briga durante uma audiência por videoconferência da comarca de Maurilândia, na região sudoeste de Goiás (veja acima). O vídeo foi publicado nas redes sociais pela advogada do caso, que brincou na legenda: "Alma da advogada saindo do corpo".

O homem foi condenado em regime aberto com pena branda e já respondia o processo em liberdade, segundo a advogada.

Cliente não segue recomendação de advogada e acaba condenado, em Goiás

Arquivo pessoal/Eliana Saldanha

Ao g1, a advogada contou que, antes da audiência, orientou o cliente, que respondia ao caso em liberdade, a ficar em silêncio durante a sessão, pois havia uma grande chance de que ele fosse absolvido.

Eliana explicou que a declaração da ex-mulher favorecia o réu, mas, ao desobedecer à orientação, o cliente acabou produzindo uma declaração contra si.

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Durante a audiência, a advogada lembrou que ficou sem reação, pois havia estudado o tema ao ser constituída advogada dativa do caso e estava certa de que o cliente seria absolvido por ter "repelido uma injusta agressão".

"Naquele momento, eu senti calafrios e pensei: 'E agora, qual pedido fazer?' E eu ainda insisti na legítima defesa, mesmo sabendo que ele seria condenado", relembrou.

Pena e lição

Com a desobediência, Eliana destacou que acertou a previsão sobre o resultado da audiência, que terminou com o acusado sendo condenado em regime aberto, com uma pena leve. Apesar disso, ela explicou que o cliente entendeu a situação e chegou a entrar em contato com ela, agradecendo pela defesa.

"[Ele] mandou áudios agradecendo demais, [disse] que eu era a melhor advogada do Estado de Goiás, na maior simplicidade. E eu agradeci o carinho e disse para contar sempre comigo", pontuou.

Para evitar novas situações como essa, a advogada deixou algumas orientações. Entre elas, a de que o cliente deve sempre ouvir as recomendações da defesa. Aos colegas, ela também deixou um lembrete: "Sempre estejam preparados para o pior. Nunca vá para uma defesa com apenas aquela tese, porque tudo pode mudar em questão de segundos".

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