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Parceria entre Unesp de Bauru e Ibama descobre pelo DNA espécies marinhas traficadas no Aeroporto de Guarulhos

Parceria entre Unesp de Bauru e Ibama descobre pelo DNA espécies marinhas traficadas

G1 — Brasil · 2026-08-19T10:28:21.000Z

Parceria entre Unesp de Bauru e Ibama descobre pelo DNA espécies marinhas traficadas

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru (SP), em parceria com fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) utilizam análises de DNA para rastrear e identificar toneladas de animais marinhos apreendidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU), em São Paulo.

A investigação de genética forense combate o tráfico internacional de vida marinha que tenta retirar espécies ameaçadas do país de forma ilegal.

A parceria rastreia toneladas de animais marinhos, como pepinos-do-mar, nadadeiras de tubarão e bexigas natatórias que seriam traficados ilegalmente do Brasil para o exterior em malas, caixas e até embalagens de alimentos.

Pepinos-do-mar apreendidos no GRU pela ação do Ibama

Acervo LAGENPE/ UNESP Bauru

As cargas seriam despachadas no terminal de mercadorias ou levadas por passageiros com destino a países asiáticos como China e Hong Kong, além de Estados Unidos, Reino Unido e Itália.

Após as apreensões em Guarulhos, os fiscais do Ibama encaminham amostras do material ao Laboratório de Genômica e Conservação de Peixes, no campus da Unesp em Bauru. No local, a equipe realiza o sequenciamento genético para a identificação dos animais.

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Ao g1, a bióloga Auany Camila Fantinelli explica que, com as análises concluídas, os cientistas produzem relatórios técnicos sobre as espécies encontradas. Os documentos são entregues ao instituto ambiental para alimentar inquéritos policiais e subsidiar a atuação de laboratórios de perícia forense especializados.

"A gente emite um relatório explicando quais amostras analisadas são de animais em risco de extinção e que não podem ser comercializados. O Ibama pega esse documento e envia o material diretamente para um laboratório forense oficial. Assim, eles só fazem pela perícia criminal já sabendo exatamente o que vão encontrar", explica a bióloga.

Extração do DNA e desafios

O estudo das amostras do material genético representa um grande desafio para a equipe da Unesp. Além de tentar enganar a fiscalização visual, a desidratação e a manipulação (muito comuns nas apreensões) servem para reduzir o volume e o peso das peças nas bagagens, conservando o produto durante a viagem.

Análises de DNA para identificar espécie do animal marítimo em Laboratório da Unesp

Acervo LAGENPE / UNESP Bauru

Segundo Auany, a extração do DNA de peixes e pepinos-do-mar secos e degradados, por exemplo, exige protocolos complexos, como o método científico "DNA barcoding".

"O DNA barcoding é quando a gente pega cada indivíduo e sequencia para identificar a espécie. Agora, também fazemos o metabarcoding, em que coloco o DNA de várias amostras em um tubo só para sequenciar de uma vez. Isso deixa o processo mais barato e otimiza o tempo", explica Auany.

O interesse do mercado internacional por esses animais é impulsionado pelo alto valor comercial, atrelado ao elevado consumo e à escassez desses recursos, principalmente em países asiáticos.

A bexiga natatória é o órgão responsável pela flutuabilidade dos peixes, permitindo que eles subam e desçam na água. Quando desidratada, ela é utilizada pela indústria alimentícia e de bebidas, além de ser consumida em sopas e caldos em países asiáticos. O quilo da bexiga natatória pode chegar a custar cerca de R$ 3 mil.

Bexigas Natatórias secas e apreendidas em ação no GRU

Acervo LAGENIPE / UNESP Bauru

"As bexigas natatórias e as nadadeiras de tubarão são comercializadas porque o mercado de colágeno, medicina tradicional e iguarias paga muito caro. A bexiga natatória é super-rica em colágeno, mas é muito difícil saber de qual animal ela foi retirada apenas olhando, pois vem de dentro do peixe e não tem uma forma definida, assim como a nadadeira".

Já no caso dos pepinos-do-mar, o comércio é expressamente proibido. Eles costumam ser exportados secos para a extração de colágeno e uso na gastronomia.

"Já o pepino-do-mar é vendido para uso medicinal e como iguaria no mercado asiático. Ele não é um animal da 'fofofauna', não é bonitinho, mas tem uma importância enorme na ciclagem de nutrientes dos oceanos, além de ser muito estudado pela medicina por causa do seu alto poder de regeneração", completou.

A exportação irregular de partes da fauna silvestre, sem a devida documentação e autorização dos órgãos ambientais, configura crime ambiental.

Os envolvidos na tentativa de contrabando interceptada no aeroporto podem responder criminalmente pela venda, exportação, aquisição ou transporte de espécimes da fauna silvestre ou de produtos derivados sem licença da autoridade competente, conforme previsto na Lei nº 9.605/1998.

A conduta pode resultar em detenção e multa. Dependendo das circunstâncias, também podem ser aplicadas as normas previstas no Código Penal relacionadas ao contrabando ou descaminho, além de sanções administrativas. Nesse caso, o Ibama pode aplicar multas e outras penalidades, considerando fatores como o volume e a quantidade de espécies ou produtos apreendidos.

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