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As forças armadas de Israel anunciaram na quarta-feira que abririam investigações criminais sobre dois ataques de grande repercussão contra palestinos durante a guerra em Gaza, incluindo as mortes de Hind Rajab, de 5 anos, e sua família, e…
G1 — Mundo · 2026-08-19T12:02:46.000Z
As forças armadas de Israel anunciaram na quarta-feira que abririam investigações criminais sobre dois ataques de grande repercussão contra palestinos durante a guerra em Gaza, incluindo as mortes de Hind Rajab, de 5 anos, e sua família, e de 15 socorristas palestinos.
Os militares informaram que não abririam investigações criminais sobre outros três ataques que mataram trabalhadores humanitários da World Central Kitchen e da organização Médicos Sem Fronteiras.
A notícia foi divulgada em um comunicado informando a conclusão de análises sobre 150 incidentes envolvendo a conduta das tropas em Gaza e a tomada de decisões sobre cinco casos.
O comunicado não mencionou outras mortes de grande repercussão que os militares haviam prometido investigar ao longo da guerra. Também não citou os ataques israelenses a um hospital no sul de Gaza que mataram cinco jornalistas em agosto de 2025, incluindo Mariam Dagga, uma fotojornalista que trabalhava como freelancer para a Associated Press e outros veículos de imprensa.
Tanto a morte de Rajab, em fevereiro de 2024, quanto a morte dos 15 socorristas palestinos, em maio de 2025, ganharam repercussão internacional.
Rajab foi morta junto com seus parentes enquanto tentava fugir da Cidade de Gaza em meio a uma ofensiva israelense. Tropas israelenses abriram fogo contra um veículo que transportava Hind, quatro de seus primos e seus tios. A prima de Hind, Layan Hamada, de 15 anos, ligou para a central de socorro do Crescente Vermelho Palestino, informando que um tanque se aproximava e que sua família havia sido morta. Segundos depois, mais disparos foram ouvidos e os gritos de Layan cessaram, segundo a gravação da chamada feita pelo Crescente Vermelho.
Hind foi a única sobrevivente no carro. O Crescente Vermelho manteve contato com ela enquanto tentava obter permissão dos militares para resgatá-la. O contato foi perdido. Hind, seus cinco parentes e dois socorristas foram encontrados mortos 12 dias depois.
Os 15 socorristas foram mortos quando tropas israelenses abriram fogo contra seus veículos na cidade de Rafah, no sul, e depois os enterraram em uma vala comum. As tropas atiraram contra uma primeira ambulância que se dirigia para resgatar vítimas de uma ofensiva israelense e, em seguida, dispararam contra vários outros veículos de emergência que haviam saído à procura do primeiro, segundo imagens de celular e o relato do único sobrevivente dos disparos.
As tropas então passaram com tratores sobre os corpos e os veículos destruídos, enterrando-os em uma vala comum. A ONU e as equipes de resgate só conseguiram chegar ao local uma semana depois para recuperar os corpos.
Inicialmente, o exército israelense afirmou ter aberto fogo porque os veículos avançavam de forma suspeita em direção a tropas próximas, sem faróis ou sinais de emergência. No entanto, a versão foi revista após a divulgação de imagens que mostravam as equipes do Crescente Vermelho e da Defesa Civil trafegando lentamente, com as luzes de emergência acesas e os logotipos visíveis.
"Não temos a obrigação de provar a verdade, pois ela já está provada para o mundo todo", disse Eid Azizi, porta-voz do Crescente Vermelho Palestino, à Associated Press por telefone. "Não teríamos chegado a esse ponto se eles respeitassem e cumprissem o direito internacional humanitário."