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Empresa publica pesquisa eleitoral falsa nos EUA e diz ter feito ‘experimento social’ para testar a disseminação de informações

Foto de adesivos com a frase “Eu votei” na Maples Elementary School, no dia das eleições primárias, terça-feira, 4 de agosto de 2026, em Dearborn, Michigan.

G1 — Mundo · 2026-08-19T14:19:12.000Z

Foto de adesivos com a frase “Eu votei” na Maples Elementary School, no dia das eleições primárias, terça-feira, 4 de agosto de 2026, em Dearborn, Michigan.

Uma empresa americana admitiu ter inventado resultados de pesquisas eleitorais como parte de um “experimento social” para mostrar a rapidez com que informações falsas podem circular sem verificação. Os levantamentos da "Median Strategies" envolviam disputas primárias na Califórnia e em Wisconsin, nos Estados Unidos.

Segundo o jornal New York Times, uma das pesquisas divulgadas pelo grupo apontava Francesca Hong com mais de 20 pontos de vantagem nas primárias democratas para o governo de Wisconsin, mas ela acabou derrotada. Outra mostrava a prefeita de Los Angeles, Karen Bass, quase 12 pontos à frente de Nithya Raman na disputa pela prefeitura.

As pesquisas fabricadas ganharam espaço no debate político e foram reproduzidas nas redes sociais, em telejornais locais e até por políticos envolvidos nas disputas. Bass, por exemplo, compartilhou um dos levantamentos como sinal de que sua campanha estava ganhando força.

Nesta segunda-feira, porém, a Median Strategies retirou os resultados do ar e afirmou que eles “não devem ser considerados dados de pesquisas legítimas”.

"A Median Strategies foi criada como um experimento social de curto prazo para analisar como supostos dados de pesquisas poderiam entrar e se espalhar pelo ecossistema de informação política sem verificação independente", diz o comunicado disponibilizado em site.

Ainda não se sabe quem está por trás da iniciativa. No site, o grupo afirma que "nenhum dos envolvidos recebeu pagamento ou obteve benefício financeiro e que o projeto não foi financiado, encomendado ou dirigido por candidatos, campanhas, partidos, comitês políticos, veículos de comunicação ou outras organizações externas".

Empresa que divulgou pesquisas falsas justificou o ‘experimento’ no site medianstrategies.com

Apesar do grande alcance, os dados falsos não foram incluídos nas bases de grandes agregadores independentes de pesquisas eleitorais, como The New York Times, Real Clear Politics e FiftyPlusOne.

O New York Times e o FiftyPlusOne disseram que os levantamentos foram divulgados sem informações básicas para verificar sua credibilidade, como a identidade dos responsáveis pela empresa. A Median Strategies não respondeu aos pedidos de esclarecimento.

“Isso é muito maior do que uma única pesquisa falsa”, afirmou em entrevista para a Associated Press, Chris Wilson, veterano pesquisador republicano que atualmente dirige a empresa de opinião pública EyesOver. “Nunca foi tão fácil fazer números inventados parecerem legítimos, e campanhas e grupos externos têm todos os incentivos para amplificar qualquer resultado favorável antes que alguém o verifique.”

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