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Haddad cita perfil do eleitor ao falar sobre derrotas em SP: 'Defendo projetos, não conto vitórias'

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, em sabatina na rádio CBN.

G1 — Brasil · 2026-08-19T16:04:23.000Z

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, em sabatina na rádio CBN.

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), minimizou nesta quarta-feira (19) as três derrotas eleitorais seguidas que teve nos últimos anos, quando disputou a reeleição de prefeito da capital, a Presidência da República e o governo paulista, sem conseguir vencer seus adversários.

“Não faço conta pelo número de vitórias. Eu faço a conta sobre qual o projeto que eu represento e que estou defendendo em São Paulo. Se eu sou o petista destacado pelo partido, pelo presidente, para defender as nossas bandeiras aqui, mesmo sabendo do perfil médio do eleitor, não me sinto sacrificado por isso”, afirmou.

Durante a sabatina promovida pela rádio CBN e os jornais O Globo e Valor, o petista afirmou que defende um campo político que tem idéias modernas para o futuro e que, não se sente obrigado pelo PT a entrar nas disputas.

"Eu estou defendendo um projeto. Se esse projeto não foi escolhido nas urnas, não significa que ele está errado, porque ele pode ganhar em outro momento. Então, prefiro estar com as pessoas certas, mesmo que já foram derrotadas. Ciro Gomes já foi derrotado quantas vezes? Marina já foi derrotada quantas vezes? O Serra, o Lula? O Lula foi derrotado quantas vezes antes de assumir a Presidência? Quatro vezes, uma vez para governador, três para presidente”, disse.

Haddad afirmou que topou ser novamente candidato ao governo de SP, pela 2ª vez enfrentando Tarcísio de Freitas (Republicanos), para defender as mudanças no Brasil promovidas pelo presidente Lula – candidato à reeleição presidencial em outubro – e expor os problemas do estado.

Privatizações em SP

Na sabatina, o petista disse, ainda, que é a favor de concessões de setores não estratégicos em São Paulo, como rodovias e transportes, mas que setores essenciais como gás, água e energia, por exemplo, essas ações "precisam ser mais bem feita ou revistas".

Haddad afirmou, contudo, que reestatizar a Sabesp - que foi recentemente privatizada pelo governo Tarcísio e é motivo de críticas por parte da população - é "muito difícil" e um "imbróglio jurídico medonho".

“Já vi pesquisa que 54, 55% dos paulistas são a favor da reestatização da Sabesp. Sei desse clamor e eu vou estudar com muito carinho todas as possibilidades. Mas antecipo que reestatizar uma empresa recém-privatizada é um imbróglio jurídico medonho. Então, o que nós vamos de boa-fé é ir à mesa, negociar, rever salvaguardas para a população, inclusive a fórmula de reajuste da conta e a questão do abastecimento”, declarou o petista.

“Eu sou autor da Lei das Parcerias Público-Privadas [PPPs]. Fui pra Brasília em 2003 para redigir a lei. Não tenho problema com concessão de rodovias, por exemplo. E nós fizemos três vezes mais que o Tarcísio. (...) No que diz respeito à privatização das escolas, a que o governo Tarcísio tá fazendo é 38% mais cara que a operação pública. Saiu hoje na imprensa", declarou.

“Nós estamos discutindo se tem que ser bem-feito ou mal-feito em primeiro lugar. E está sendo mal feito em São Paulo, porque está piorando o serviço. A gente coloca às vezes a parceria público-privada como um bem em si mesmo e ela não é, depende do setor e depende do contrato. Você pode privatizar errado num setor estratégico que não vale a pena e privatizar, ou privatizar uma coisa que faz sentido privatizar, mas privatizar mal, como tem acontecido aqui no estado”, declarou.

E completou: “Quando é setor estratégico, eu sou contra [privatizar ou conceder]. Acho que as privatizações do governo Bolsonaro, no que diz respeito ao óleo e gás, por exemplo, foram uma calamidade. Privatizou a BR Distribuidora, que prejudicou o setor e os consumidores do país inteiro”.

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No que diz respeito à Segurança Pública, Haddad afirmou que vai criar uma agência de combate ao crime organizado, com representantes de vários setores das polícias (federal, civil e PM), além de representantes do MP e da Receita Federal, para sufocar as finanças dos grupos faccionados.

Ele também defendeu a ampliação maior das câmeras corporais nas fardas dos policiais e criticou a forma como Tarcísio administra a implementações tecnológicas nas polícias paulistas, mesmo com restrições orçamentárias do Tesouro estadual.

“O que custa não é nada comparado com as vidas que vai salvar. Essas tecnologias estão sendo barateadas a todo tempo. O Tarcísio botou R$ 600 milhões na Muralha Paulista e não resultou em nada. Então nós vamos ter uma tecnologia provada e aprovada que funciona. A letalidade policial subiu 80% no governo Tarcísio. A morte de policial e fora dele, inclusive por suicídio, aumentou", afirmou.

"Tem que voltar à câmara, eu sou a favor disso desde 2022, e ele [Tarcísio] fica ziguezagueando. Quando fica mal com a elite ele fica ‘ah, vou fazer’, quando fica mais com as polícias fica ‘ah, não vou fazer’. Inclusive essas câmeras que estão sendo instaladas nas ruas precisam de inteligência por trás, não adianta instalar câmeras nas ruas e imaginar que os dados vão favorecer investigação e patrulhamento, não vão”, disse.

“O combate ao crime organizado vai ser pela agência que eu vou criar pela primeira vez. E o tratamento de dependentes químicos com a saúde. Porque você não vai conseguir acabar com o PCC e o Comando Vermelho em SP só com a estrutura que está aí...”.

As sabatinas promovidas pela CBN, O Globo e Valor continuam nesta quinta-feira (20), com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato a reeleição. O evento acontece às 10h30 da manhã e é transmitida por todos os três veículos.

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