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"Não sou Gilvan de Souza, sou Gilvan do Flamengo": fotógrafo elege melhores cliques e se emociona com trajetória

Não sou Gilvan de Souza, sou Gilvan do Flamengo

ge — Futebol · 2026-08-19T16:00:14.000Z

Não sou Gilvan de Souza, sou Gilvan do Flamengo

A fotografia é a arte de captar e registrar momentos. No futebol, é comum vê-la associada a gols, títulos ou imagens recheadas de simbolismo. No Flamengo, no entanto, quem está por trás da câmera também é valorizado. Faça o teste: veja se as fotos que você mais gosta relacionado ao rubro-negro não estão creditadas por Gilvan de Souza. Ou melhor, Gilvan do Flamengo.

Entre idas e vindas, são mais de 10 anos de clube. Na galeria há títulos e fotos que já estão eternizadas na história do rubro-negra. No Dia Mundial da Fotografia, ele recebeu a reportagem do ge no Ninho do Urubu, passou a limpo a sua trajetória, elegeu seus melhores cliques e prometeu não chorar ao falar sobre a mistura de suas paixões — a fotografia e o Flamengo.

— Jamais imaginei trabalhar em um clube de futebol. Imaginei trabalhar com esporte, mas fazendo alguma coisa tipo federação de basquete, de vôlei... Mas nunca no futebol e no Flamengo. Até brinco com as pessoas que acho que meu sobrenome mudou. Ninguém me conhece mais como Gilvan de Souza, sempre me associam ao Flamengo. Isso é tão curioso porque eu fico por trás das câmeras. Eu não apareço, não boto foto minha, é mais foto de trabalho. Mas mesmo assim as pessoas me associam ao Flamengo. Ficou muito marcado — conta o fotógrafo.

Gilvan chegou ao Flamengo em 2014 e teve um início curioso. Logo em seu primeiro jogo, diante do León, no Maracanã, a equipe acabou eliminada da Conmebol Libertadores. Pouco depois, porém, viveu um momento de alívio na decisão do Campeonato Carioca contra o Vasco. O Flamengo caminhava para perder o título até os 45 minutos do segundo tempo, quando Márcio Araújo marcou o gol que garantiu a conquista. Nada de fama de pé frio, como brinca. Mal sabia o que viria pela frente.

Gilvan de Souza em entrevista ao ge.globo

Se hoje o Flamengo vive uma relação de amor com a Libertadores, Gilvan precisou esperar mais tempo para testemunhar essa história de perto. Em um dos poucos hiatos desse vínculo, ele sequer estava no clube em 2019, quando o Rubro-Negro encerrou um jejum de 38 anos sem conquistar o principal torneio do continente. Isso, porém, não o impediu de registrar o que, para muitos, se tornou uma das imagens que melhor simbolizam a sintonia entre o Flamengo e sua torcida.

— Nada é por acaso. Mas eu tenho uma foto que pode representar 2019. Eu não estava pelo Flamengo, estava pelo Jornal O Dia na época. Essa foto é o ônibus do Flamengo indo para Lima. Eu tive a sorte de fazer essa foto do ônibus, com essa frase perfeita e a comunidade ao fundo. Ainda tem um cara com a bandeira aqui. Para quem é flamenguista, essa foto representa 2019 — declarou.

Torcida do Flamengo antes da final de 2019

Gilvan de Souza

Foi preciso esperar mais três anos para, enfim, ter uma Libertadores para chamar de sua. E uma das imagens mais emblemáticas de sua trajetória no Flamengo nasceu justamente na final de 2022. O clique do gol de Gabigol contra o Athletico-PR, em Guayaquil, foi feito com uma câmera bem mais lenta do que os equipamentos utilizados atualmente. Gilvan atribui o registro à sorte. Humildade à parte, a imagem eternizada revela que houve muito mais competência do que acaso por trás daquele instante.

— Não estava em 2019. Lá atrás, o Flamengo não ganhou quase nada. Então eu precisava viver isso. Essa foto é do momento do chute do Gabigol para marcar o único gol contra o Athletico-PR, em Guayaquil. É uma foto que guardo na memória. Fui feliz porque tive a sorte de pegar o momento certo. A câmera que eu usava nessa época é infinitamente mais lenta do que a câmera que eu uso hoje. Então eu tive a sorte de pegar o momento certo do chute. A de hoje faz 40 por segundo. Essa fazia por cinco segundos. Foi mais sorte do que competência.

Gol de Gabigol contra o Athletico-PR na final da Libertadores de 2022

Gilvan de Souza/Flamengo

O único momento em que Gilvan realmente se emocionou durante a entrevista — para não dizer que esteve perto das lágrimas — foi ao relembrar outra final de Libertadores, a de 2025. O gol do título, marcado por Danilo ao subir mais alto que a defesa do Palmeiras, rendeu um dos cliques mais compartilhados pela torcida do Flamengo. Tão eternizado que ele fez questão de presentear o próprio zagueiro.

Na comemoração, outro registro ganhou um significado especial: a imagem, com Andreas Pereira desfocado em primeiro plano, acabou enriquecendo a composição e se tornou mais uma cena simbólica da conquista. Dois instantes eternizados pelas lentes de Gilvan.

— Me emociona porque resgata o que eu passei. Tenho um carinho muito grande por essa foto. Tem uma importância muito grande. Fiz essa foto e dei de presente para ele. Eu não posso pular e nem gritar, então tenho que vibrar em silêncio. Tem o Andreas, que já foi do Flamengo e estava no Palmeiras. Com todo respeito ao Andreas, mas fotograficamente falando, ele enriqueceu muito a foto aqui.

Gilvan de Souza em entrevista ao ge.globo

Danilo comemora o gol do título da Libertadores de 2025

Gilvan de Souza/Flamengo

Agora, em 2026, Gilvan acompanha mais uma caminhada do Flamengo. O clube enfrenta o Cruzeiro nas oitavas de final da Conmebol Libertadores, e o fotógrafo prefere não projetar o futuro. Ainda assim, não esconde o desejo de estar presente em mais uma conquista. Neste caso, não importando quem fotografe ou quem marque o gol do título.

— Costumo dizer que no campo de futebol, tem 50 fotógrafos. Tudo acontece ali dentro das quatro linhas. Sempre procuro ficar atento dentro das quatro linhas, mas do lado de fora também. Nessa de sair do meu foco do campo, eu tento sempre focar no lado humano e emocional. Tento sempre focar isso. Nem sempre consigo isso, mas tento captar a melhor imagem e me esforço muito para isso.

— Espero conquistar o título mais uma vez. E que seja quem for, um zagueiro ou atacante, mas que faça o gol e a gente possa comemorar.

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