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Fiscalização resgata sete pessoas que viviam em condições insalubres em clínica de Alfenas
G1 — Brasil · 2026-08-19T16:45:39.000Z
Fiscalização resgata sete pessoas que viviam em condições insalubres em clínica de Alfenas
Ministério Público de Minas Gerais (MPMG)
Uma clínica neuropsiquiátrica foi parcialmente interditada após uma fiscalização identificar graves violações de direitos humanos e condições sanitárias inadequadas para o atendimento de pacientes em Alfenas (MG). Sete pessoas foram resgatadas e o médico administrador, apontado como proprietário do local, foi preso sob suspeita de maus-tratos, sequestro e cárcere privado.
A Vigilância Sanitária Municipal lavrou auto de inspeção e determinou a interdição parcial da clínica, proibindo a admissão de novos pacientes.
Fiscalização encontra condições insalubres em clínica de tratamento psiquiátrico em Alfenas
Ministério Publico de Minas Gerais (MPMG)
A operação foi realizada na terça-feira (18) pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio de diversas promotorias, como Defesa dos Direitos Humanos, da Saúde e da Criança e do Adolescente, com apoio da Polícia Militar, Vigilâncias Sanitárias estadual e municipal, coordenadorias regionais de Defesa da Saúde e da Educação do Sul de Minas, e participantes de equipamentos da rede de atenção da saúde e de Assistência Social do município. Também compareceu à clínica um perito criminal.
De acordo com o MP, em uma listagem fornecida pela própria clínica, havia 137 pessoas institucionalizadas no dia da fiscalização. Entre elas estavam adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, pessoas com sofrimento mental e pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas.
Segundo o MP, a inspeção foi planejada a partir de informações e denúncias sobre possíveis irregularidades na instituição.
"Constantemente recebemos denúncias de possíveis irregularidades sobre o tratamento dispensado, não só em questão de saúde, mas sobre violações de Direitos Humanos e também de condições sanitárias das pessoas que estão lá internadas. Diante desta situação, foi realizada uma operação interinstitucional e, ao chegarmos lá, realmente foram constatadas situações graves", disse a promotora de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos de Alfenas, Gisele Estela Martins Araújo.
Durante a inspeção, sete homens foram retirados do local. As equipes encontraram estes pacientes mantidos em cômodos trancados pelo lado de fora com cadeados e alguns deles em ambientes considerados insalubres.
Entre os pacientes que foram retirados, conforme registrado na ocorrência policial, uma pessoa foi encontrada lesionada em um ambiente com fiação elétrica exposta, presença de fezes e urina e sem cama para acomodação.
Em outro cômodo, também trancado pelo lado de fora com cadeado, havia três pacientes acomodados em um espaço com fezes pelo chão.
"Esses pacientes estavam em condições degradantes. Além da questão sanitária, estavam com condições físicas e de saúde completamente violadas e necessitando de uma atuação emergencial. Em razão dessa situação grave, foi requisitado o Samu, que fez a retirada deles e os levou para os hospitais para uma melhor assistência e acompanhamento, para evitar o risco, inclusive, de morte", explicou a promotora.
Após passar por uma avaliação, os pacientes foram transferidos para atendimento especializado. O Hospital Universitário Alzira Velano, em Alfenas, recebeu três pacientes. Dois foram encaminhados para o Hospital de Campestre e dois para o Hospital de Poço Fundo.
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A Polícia Militar informou que os responsáveis apontados no registro policial foram presos em flagrante e encaminhados às autoridades competentes.
De acordo com a Polícia Civil, dois homens, de 51 e 80 anos, foram conduzidos à delegacia e ouvidos por meio da Central Estadual do Plantão Digital. O primeiro foi liberado e o outro teve a prisão em flagrante decretada pelos crimes de maus-tratos, sequestro e cárcere privado, e foi encaminhado ao sistema prisional, onde aguardaria a audiência de custódia.
O jornalismo da EPTV, afiliada da Rede Globo, tenta localizar as defesas da clínica e do médico responsável.
Situação dos outros pacientes será analisada
De acordo com a promotora de Alfenas, a situação dos outros internados na instituição será analisada progressivamente.
"Nós precisamos ter muita cautela para a resolução da situação. Não é um estabelecimento em que nós encontramos poucas pessoas, que podemos dar esse encaminhamento imediato. A nossa intenção, tanto do Ministério Público quanto das instituições parceiras que estão participando dessa operação, é verificar a situação de cada uma das pessoas para que seja possível fazer o encaminhamento adequado, humanizado, com prioridade na questão dos adolescentes, mais de 20, institucionalizados no local, sem contato com família, com direitos violados", disse Gisele.
O MP disse em nota que, em relação aos adolescentes encontrados na instituição, a atuação do MPMG busca a proteção integral com tratamento adequado, priorizando o retorno ao convívio familiar e comunitário de forma planejada, segura e humanizada.
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