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Morre aos 101 anos o preso mais velho dos EUA — que recebeu oito vezes a 'última refeição', mas não foi executado

Francis Smith era considerado o prisioneiro que cumpriu a pena mais longa nos EUA

G1 — Mundo · 2026-08-19T18:45:20.000Z

Francis Smith era considerado o prisioneiro que cumpriu a pena mais longa nos EUA

Francis Clifford Smith recebeu sua última refeição oito vezes.

Mas, após ter escapado da pena de morte todas as vezes, ele passou a ser considerado o prisioneiro que cumpriu a pena mais longa nos EUA, antes de falecer em junho, aos 101 anos de idade.

Condenado por assassinato em 1950, quando tinha 25 anos, ele sempre manteve que era inocente, disseram à BBC pessoas que o conheciam.

Andrius Banevicius, o oficial de informações públicas do Departamento de Execuções Penais de Connecticut, relatou como Smith costumava alimentar os pássaros enquanto estava na prisão de Osborn, o que lhe rendeu o apelido de "Homem-Pássaro de Osborn".

"Ele enchia as roupas com o máximo de pão que conseguia", disse Banevicius. "Todo mundo meio que fingia que não via, porque sabiam que ele só estava alimentando os pássaros."

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Smith era um jovem delinquente quando foi acusado, em 1949, do assassinato de Grover Hart, um vigia noturno de um clube náutico em Connecticut.

Ele foi um dos dois homens presos pelo crime, mas o outro fez um acordo judicial e testemunhou contra Smith, que mais tarde foi considerado culpado de homicídio em primeiro grau.

A culpa de Smith e as provas que levaram à sua condenação foram questionadas ao longo dos anos, principalmente depois que testemunhas se retrataram de seus depoimentos e outro detento confessou posteriormente o assassinato.

Quando Smith morreu, ele estava em uma casa de repouso sob liberdade condicional supervisionada.

BBC/Departamento de Execuções Penais de Connecticut

Um dos policiais que interrogou Smith após sua prisão testemunhou posteriormente que acreditava na inocência de Smith.

"Nem sequer tenho certeza se ele estava presente no assassinato", declarou o major Leo Carroll ao Conselho de Indultos, de acordo com o Boston Globe.

Essas dúvidas lhe renderam um adiamento de suas muitas execuções programadas.

Em 1954, sua sentença de morte foi comutada para prisão perpétua.

Smith passou mais de 70 anos atrás das grades, com exceção de três breves períodos em liberdade.

Ele fugiu da prisão em 1967, mas foi recapturado 12 dias depois. Em 1974, ele foi para casa na véspera de Natal e voltou no dia seguinte, diz Banevicius.

Em 1975, recebeu liberdade condicional e ficou fora da prisão por cerca de dez meses, mas logo foi preso por pequenos furtos e porte de arma, o que violou sua liberdade condicional, segundo o Boston Globe.

Richard Sparaco, ex-diretor executivo do que hoje é chamado de Conselho de Indultos e Liberdade Condicional, disse ao Hartford Courant que Smith rejeitou diversas tentativas posteriores de retornar à liberdade condicional até 2020, quando lhe foi concedida liberdade condicional supervisionada e ele foi transferido para uma casa de repouso para idosos dentro do sistema judiciário.

Stephanie Prost, pesquisadora em idosos e ambientes prisionais da Universidade de Louisville, no Kentucky, diz à BBC que a maioria das prisões tem um detento como Smith.

"Não somos a única jurisdição que enfrenta essa crise relacionada ao envelhecimento, porque problemas semelhantes estão surgindo na Austrália e na Inglaterra", afirma Prost.

"É uma questão internacional em termos populacionais. Embora, é claro, tenhamos um número maior de indivíduos nos EUA."

Segundo um estudo de 2025, o número de pessoas com 55 anos ou mais presas aumentou quase 400% entre 1991 e 2021.

O Departamento do Censo dos EUA prevê que, até 2030, pelo menos um terço da população carcerária terá mais de 50 anos.

Pesquisadores como Prost defendem soluções melhores e o que chamam de "desencarceramento inteligente", semelhante ao caso de Smith. Isso poderia incluir políticas como a libertação por razões humanitárias e a liberdade condicional para idosos ou por motivos médicos.

Esses programas levam em consideração a idade e os cuidados necessários, visto que os detentos idosos enfrentam taxas mais elevadas de problemas médicos dispendiosos que dificultam o funcionamento em um ambiente prisional altamente regrado, incluindo riscos de quedas, incontinência e deficiência auditiva.

Mas, segundo especialistas, existem poucas instalações como aquela para onde Smith foi enviado que estejam dispostas a receber prisioneiros condenados.

Smith foi um dos primeiros a receber cuidados pelo programa MissionCare Health, que se concentra especificamente em fornecer assistência a indivíduos encarcerados. Atualmente, o programa possui três unidades no nordeste dos EUA.

David Skoczulek, porta-voz do 60 West — a instituição onde Smith viveu seus últimos anos — diz à BBC que Smith faleceu enquanto dormia em junho e foi cremado posteriormente.

"Basicamente, ele morreu de causas naturais", diz ele. "A participação da família em seu falecimento foi muito limitada, mas garantimos que tudo fosse apropriado, atendesse aos seus desejos e fosse digno."

Skoczulek afirma que o papel da instituição era fornecer a Smith os serviços de enfermagem especializada e de cuidados de longa duração de que ele necessitava.

Pesquisas mostram que o encarceramento pode levar ao "envelhecimento acelerado" e que doenças como a demência podem surgir "significativamente mais cedo" do que em pessoas que não estão na prisão.

"Costumamos dizer que uma pessoa que passou um longo período na prisão pode ter 60 anos, mas apresentar o estado de saúde de uma pessoa de 90 anos", diz Skoczulek.

Segundo relatos, Smith sofria de demência no final da vida. Banevicius não confirma essa informação à BBC, mas diz que Smith estava lidando com problemas associados à idade avançada.

"Ele tinha 101 anos e meio. Ele se saiu muito bem em termos de longevidade."

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