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Os projetos sociais têm como foco oferecer acolhimento durante as noites mais frias do ano
G1 — Brasil · 2026-08-19T19:32:48.000Z
Os projetos sociais têm como foco oferecer acolhimento durante as noites mais frias do ano
Campo Grande possui 1.476 pessoas em situação de rua, segundo levantamento realizado pela Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul. A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira (19) e ajuda a traçar o perfil da população em situação de rua na capital.
O monitoramento foi realizado a partir da observação em vias públicas e do registro de serviços e instituições da rede de atendimento e acolhimento. Nas ruas, foram identificadas 842 pessoas, o equivalente a 57% do total. Já nos registros, foram contabilizadas 634 pessoas, ou 43%.
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Do total, 1.190 são homens (80,6%), 234 são mulheres (15,9%) e 52 são crianças (3,5%). De acordo com a pesquisa, a predominância masculina se manteve próxima de 80% nos dois componentes do levantamento.
Quanto à localização, a região Centro de Campo Grande concentra o maior número de pessoas em situação de rua, com 566 pessoas (40,0%), seguida pela região do Anhanduizinho, com 363 (25,6%). Juntas, as duas regiões somaram 929 pessoas, o equivalente a 65,6% dos registros territorializados.
Para traçar o perfil da população em situação de rua, o Grupo de Trabalho Intersetorial da População em Situação de Rua (GT-PSR) aplicou questionários a 257 pessoas. Desse total, 193 questionários foram respondidos por pessoas em situação de rua e 64 por pessoas acolhidas.
A partir das respostas, o levantamento identificou que a maioria das pessoas em situação de rua são homens cis e pardos, com idade média de 39,6 anos. Entre as pessoas acolhidas, a maioria é formada por mulheres cis e estrangeiros.
Entre os entrevistados, 76,3% são homens cis, sendo 78,8% entre as pessoas em situação de rua e 68,8% entre as acolhidas. Mulheres cis representam 21,0% do total, sendo 17,6% entre as pessoas em situação de rua e 31,3% entre as acolhidas.
Pessoas pardas representam 60,3% dos entrevistados, com distribuição semelhante entre os grupos de pessoas em situação de rua e acolhidas. Já os estrangeiros correspondem a 17,1% do total, sendo 10,9% entre as pessoas em situação de rua e 35,9% entre as acolhidas.
A alimentação é apontada como a principal necessidade entre as pessoas em situação de rua, citada por 47,7% dos entrevistados. Entre as pessoas acolhidas, as principais necessidades são trabalho e renda (73,4%) e moradia (56,3%).
A situação de rua é recorrente para 64,6% dos entrevistados, enquanto 34,2% afirmam vivê-la pela primeira vez. O levantamento aponta ainda uma divisão em relação ao tempo de permanência: 37,0% estão nessa condição há até seis meses e 32,3% há mais de seis anos.
A permanência sozinho é declarada por 73,9% dos entrevistados, sendo 78,8% entre as pessoas em situação de rua e 59,4% entre as acolhidas. Segundo o estudo, esse dado não significa ausência de família, já que o arranjo de permanência e o vínculo familiar são dimensões distintas.
Mantêm contato com familiares 61,9% das pessoas entrevistadas, sendo 58,0% entre as pessoas em situação de rua e 73,4% entre as acolhidas. Para 45,1%, os familiares residem em Campo Grande, enquanto 26,5% estão fora do estado.
Entre as pessoas acolhidas, familiares que vivem no exterior representam 26,6%, dado relacionado à maior presença de estrangeiros nesse grupo, segundo o levantamento.
O uso de substâncias foi o fator mais mencionado em associação ao ingresso na situação de rua (62,3%) e à permanência nessa condição (59,1%). Também foram citados conflito ou ruptura familiar (35,4%) e perda de trabalho ou renda (19,8%).
Apenas 2,7% dos entrevistados possuem vínculo formal de trabalho. O trabalho informal representa 45,6% entre as pessoas em situação de rua e 9,4% entre as acolhidas. Nesse último grupo, 73,4% não trabalham.
A principal atividade de geração de renda entre as pessoas em situação de rua é a catação e reciclagem, citada por 37,3% desse grupo e por 4,7% das pessoas acolhidas.
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Uso de substâncias
O uso recente de substâncias apresenta diferenças entre as pessoas em situação de rua e as acolhidas.
Álcool: 49,7% entre as pessoas em situação de rua e 14,1% entre as acolhidas;
Crack: 48,2% entre as pessoas em situação de rua e 14,1% entre as acolhidas;
Maconha: 38,3% entre as pessoas em situação de rua e 14,1% entre as acolhidas;
Nenhuma substância: 17,6% entre as pessoas em situação de rua e 71,9% entre as acolhidas.
A violência física foi relatada por 49,4% dos entrevistados. O percentual é maior entre as pessoas em situação de rua (54,4%) do que entre as acolhidas (34,4%).
A violência psicológica foi relatada por 47,1% no total, sendo 49,2% entre as pessoas em situação de rua e 40,6% entre as acolhidas.
Já a violência institucional foi mencionada por 21,8% dos entrevistados: 22,8% entre as pessoas em situação de rua e 18,8% entre as acolhidas.
A violência sexual foi relatada por 9,3% no total, sendo 10,4% entre as pessoas em situação de rua e 6,3% entre as acolhidas.