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Candidaturas envelhecem em 2026, e cresce a participação de candidatos com 60 anos ou mais

Urna eletrônica eleições mulher

G1 — Política · 2026-08-19T19:23:13.000Z

Urna eletrônica eleições mulher

Tribunal Superior Eleitoral/TSE

Os candidatos que disputam as eleições de 2026 estão mais velhos do que os que concorreram em 2022. A idade média aumentou em todos os cargos analisados, enquanto a participação de candidatos com 60 anos ou mais passou de 17,48% para 21,03% do total.

O levantamento é do g1, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e considera todos os candidatos registrados na eleição passada (29.262) e na atual (20.621).

O movimento ocorre em uma eleição na qual o próprio eleitorado brasileiro também está mais velho. Segundo o TSE, o número de eleitores com 60 anos ou mais cresceu 13,9% em relação a 2022, enquanto o contingente de jovens aptos a votar diminuiu. Ao todo, 158,7 milhões de brasileiros estão aptos a ir às urnas em outubro.

Para a cientista política e professora da UFRJ Mayra Goulart, o envelhecimento das candidaturas reflete uma maior concentração do sistema político, que tem reduzido o espaço para novos concorrentes.

Segundo ela, a queda no número de candidaturas, combinada a mudanças nas regras eleitorais, como o fim das coligações proporcionais e o endurecimento da cláusula de barreira, contribuiu para reduzir o número de partidos com peso eleitoral e restringir as disputas a grupos já estabelecidos.

“O primeiro dado a observar não é a idade, é o volume: passamos de 29 mil para 20 mil candidaturas registradas, uma queda de quase 30%. Menos gente disputando e a disputa concentrada em quem já está dentro — a idade média sobe como consequência”, afirma.

A mudança no perfil fica mais clara quando os concorrentes são divididos por faixa etária. Todas as faixas abaixo dos 60 anos perderam participação em relação a 2022. Entre os candidatos mais velhos, ocorreu o contrário.

O maior crescimento foi justamente entre os candidatos de 60 a 69 anos, que passaram de 13,91% para 16,04% do total — avanço de 2,13 pontos percentuais. A participação daqueles com 70 anos ou mais também aumentou, de 3,57% para 4,99%.

Na outra ponta, a maior redução ocorreu entre os candidatos de 30 a 39 anos: eles representavam 16,90% do total em 2022 e agora são 14,97%. As demais faixas abaixo dos 60 anos também perderam participação, mas em proporções menores.

Com isso, a parcela de candidatos com 60 anos ou mais passou de 17,48% para 21,03% do total. Ou seja, mais de um em cada cinco concorrentes nas eleições deste ano tem 60 anos ou mais.

Mais velhos ganham espaço mesmo com menos candidaturas

O aumento da participação dos candidatos mais velhos ocorre apesar da queda no número total de candidaturas entre as duas eleições. Isso significa que o ganho de participação não necessariamente corresponde a um aumento no número absoluto de concorrentes.

Entre os candidatos de 60 a 69 anos, por exemplo, o número caiu de 4.069 para 3.307. A redução, porém, foi menor que a registrada no conjunto das candidaturas, o que fez aumentar o peso dessa faixa no total.

O movimento é ainda mais evidente entre os candidatos com 70 anos ou mais. Eram 1.044 em 2022 e são 1.030 agora — apenas 14 a menos, em uma eleição com mais de 8 mil candidaturas a menos no país.

Com isso, apesar da estabilidade no número absoluto, a participação dos candidatos com 70 anos ou mais passou de 3,57% para 4,99%.

Idade média aumenta em todos os cargos

Outra forma de observar o envelhecimento das candidaturas é pela idade média dos concorrentes. Na comparação com 2022, ela aumentou em todos os cargos analisados, embora em intensidades diferentes.

A maior diferença aparece entre os candidatos a vice-presidente. A média passou de 53,92 anos em 2022 para 60,33 neste ano.

Também houve altas mais expressivas entre os candidatos a vice-governador, cuja média passou de 47,21 para 51,39 anos, e a deputado distrital, de 46,90 para 49,82 anos.

Nos cargos com maior número de candidatos, as mudanças foram mais discretas. Entre os concorrentes a deputado estadual, a média passou de 48,21 para 49,56 anos. Para deputado federal, houve praticamente estabilidade: de 48,99 para 49,30 anos — a menor variação entre os cargos analisados.

Nos principais cargos majoritários, o aumento ficou próximo de um ano. Entre os candidatos a governador, a média passou de 51,29 para 52,48 anos. No Senado, de 55,10 para 56,02 anos. Na disputa pela Presidência da República, de 57,77 para 58,67 anos.

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