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Drones usados por criminosos com explosivos cruzam rota de helicópteros no Rio e podem causar acidentes

Drones usados por criminosos com explosivos cruzam rota de helicópteros no Rio

G1 — Brasil · 2026-08-19T21:54:29.000Z

Drones usados por criminosos com explosivos cruzam rota de helicópteros no Rio

Drones usados por criminosos para lançar granadas contra rivais estão sobrevoando áreas que fazem parte das rotas utilizadas por helicópteros na chegada e na saída do Aeroporto de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio.

Pilotos identificaram que o trajeto de um dos equipamentos, usado em um ataque na comunidade Dois Irmãos, em Curicica, atravessou um corredor visual utilizado por aeronaves durante a aproximação da pista.

Imagens obtidas pelo RJ2 mostram o momento em que um traficante posiciona um drone adaptado com uma granada para atacar criminosos rivais. Os estilhaços da explosão atingiram a perna de um homem.

As coordenadas que aparecem nas imagens indicam que o operador estava nas proximidades da Gardênia Azul, também em Jacarepaguá, a cerca de 2,5 quilômetros do ponto onde o ataque aconteceu.

O episódio provocou preocupação entre pilotos que operam no Aeroporto de Jacarepaguá. Em mensagens às quais o RJ2 teve acesso, profissionais compararam o caminho percorrido pelo drone com as rotas de circulação das aeronaves.

Uma carta de circulação visual usada pelos pilotos mostra a localização da pista, identificada pela sigla SBJR, e os corredores utilizados na aproximação. Na representação, o trajeto feito pelo drone atravessa justamente uma dessas áreas.

Drones usados por criminosos com explosivos cruzam rota de helicópteros no Rio e podem causar acidentes

O sobrevoo de drones nessa região é proibido pelas regras do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).

"Os momentos de decolagem e aproximação são os momentos mais sensíveis do voo, justamente em função do pouco tempo de reação, caso algo venha a acontecer", afirmou um piloto, que teve a identidade preservada.

Segundo ele, uma colisão entre uma aeronave e um drone pode provocar danos graves, dependendo do ponto de impacto.

"A gente pode ter um impacto potencial aí de mais de 315 quilômetros por hora. Nesse caso, realmente você pode ter alguma superfície de controle que venha a ser danificada a ponto de a aeronave se tornar incontrolável", explicou.

Na semana passada, criminosos também usaram um drone com uma granada para atacar rivais na comunidade do Canal, em Vargem Grande. O explosivo atingiu um trailer, mas ninguém ficou ferido.

Segundo a Polícia Militar, traficantes alugaram um apartamento na cobertura de um prédio no Recreio dos Bandeirantes e, de lá, fizeram a decolagem do equipamento.

O trajeto entre o ponto de lançamento e o local onde a bomba foi jogada tinha cerca de dois quilômetros. O equipamento percorreu o caminho em poucos segundos, passando sobre um terreno vazio, o Rio Morto e áreas residenciais.

A PM prendeu dois homens suspeitos de participação no ataque. Com eles, foram apreendidas outras granadas de fabricação caseira, dinheiro e o drone utilizado na ação.

Equipamento é vendido legalmente, mas há regras para o voo

Um dos desafios para combater o uso criminoso dos drones é que os equipamentos são vendidos legalmente e podem ser adquiridos com facilidade pela internet.

O uso, no entanto, segue regras de segurança. Há restrições para voos próximos a aeroportos e helipontos, e o equipamento precisa de autorização para determinadas operações no espaço aéreo.

Também é proibido voar acima de 400 pés, o equivalente a cerca de 120 metros, em situações abrangidas pela regulamentação aplicável.

Os criminosos, segundo as investigações, ignoram essas regras.

Imagens feitas pela polícia mostram fila para curso de operação de drones dado por traficantes no Complexo da Penha

A Polícia também encontrou evidências de que integrantes do crime organizado estão ensinando outras pessoas a operar drones.

Imagens feitas há cerca de duas semanas mostram uma fila de pessoas interessadas em participar de um curso que seria oferecido por criminosos no Complexo da Penha.

Ruas somem no Alemão

Imagens aéreas obtidas pelo RJ2 mostram que ruas e vielas do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, estão sendo cobertas por estruturas para dificultar o monitoramento feito por drones.

O levantamento é da inteligência da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil. Os agentes compararam imagens de satélite feitas em novembro de 2025 com registros aéreos produzidos em fevereiro de 2026.

Em apenas 84 dias, a paisagem mudou.

Ruas estão 'sumindo' no Complexo do Alemão para impedir vigília de drones

Em alguns pontos, ruas que antes apareciam nas imagens de cima ficaram escondidas por telhados. Em um dos locais analisados, uma área que funcionava como estacionamento ganhou uma cobertura de alvenaria. Em outro, uma laje passou a ter uma piscina.

As estruturas ficam em uma região central do Complexo do Alemão, apontada pela polícia como de difícil acesso por terra e pelo ar. Segundo os investigadores, é também uma área onde estaria escondida a cúpula do Comando Vermelho.

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A polícia suspeita que os telhados tenham sido construídos para impedir ataques com explosivos lançados por drones de facções rivais. As estruturas também dificultam o trabalho de monitoramento policial.

“Eu acredito que o emprego principal desses telhados que vêm sendo colocados em algumas comunidades seja evitar o lançamento de artefatos explosivos por facções rivais. Mas, obviamente, isso traz um prejuízo muito grande para o monitoramento feito pela polícia, por exemplo”, afirmou Marcos Motta, coordenador da Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (Coant).

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No Rebu, em Senador Camará, na Zona Oeste, uma rua às margens da linha do trem também está quase toda coberta. Em abril, a Polícia Civil e a Prefeitura de Niterói destruíram parte de uma estrutura semelhante construída em uma comunidade da cidade.

Drones viraram arma do crime organizado

O crime organizado também passou a usar drones para monitorar territórios, acompanhar a movimentação da polícia e atacar grupos rivais.

Segundo a Polícia Civil, 18 ocorrências de bombas lançadas por drones estão sendo investigadas atualmente. A corporação suspeita que o número seja maior.

“Hoje o drone não é usado só pela facção. Qualquer criminoso vai fazer o emprego desse drone porque ele traz uma vantagem estratégica, ele ganha olhos no céu”, disse Motta.

Ruas estão 'sumindo' no Complexo do Alemão para impedir vigília de drones

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Registros do Disque-Denúncia mostram o crescimento das denúncias envolvendo drones com explosivos. O primeiro relato de um equipamento equipado com uma granada foi feito em 2023. Em 2024, foram quatro registros.

Em 2025, foram 73 denúncias envolvendo traficantes e outras 14 relacionadas a milicianos.

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