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Fernando Haddad participa de sabatina dos jornais O Globo e Valor Econômico e da rádio CBN.
G1 — Brasil · 2026-08-19T22:16:04.000Z
Fernando Haddad participa de sabatina dos jornais O Globo e Valor Econômico e da rádio CBN.
Maria Isabel Oliveira/O Globo
O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) defendeu nesta quarta-feira (19) que as suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), e o ex-chefe de gabinete do presidente Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, sejam investigadas. Segundo o petista, a regra deve valer independentemente do partido ou do vínculo dos envolvidos.
"Eu não quero saber o partido, a religião, o time de futebol. Fez errado, paga", afirmou Haddad. "Isso inclui o seu chefe de gabinete e o seu filho. No caso dele, vale para todo mundo."
A declaração foi dada durante sabatina promovida pelos jornais O Globo e Valor Econômico e pela rádio CBN. Haddad afirmou não ver problema em uma investigação atingir pessoas próximas ao presidente e disse que Lula nunca teria interferido para proteger aliados, amigos ou familiares.
Na mesma sabatina, Haddad também criticou o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e afirmou que sua atuação representa, na avaliação dele, um "risco institucional" (leia mais abaixo).
As falas de Haddad ocorrem em meio a uma investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Lulinha, Roberta Luchsinger e Marcola. A apuração surgiu no contexto das investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A PF apura elo entre Lulinha e Marcola e a lobista Roberta Luchsinger e se essas conexões foram usadas para facilitar negócios ou contratos com órgãos do governo federal. Os envolvidos negam irregularidades.
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‘Passar a régua’
Durante a sabatina, Haddad disse que sua posição diante de suspeitas de corrupção é a de não proteger pessoas por causa de vínculos políticos.
"Eu sou a favor de passar a régua em quem quer que seja. Porque assim, tem uma lei, ela tem que ser respeitada. A pessoa errou, eu não quero saber o partido", afirmou.
O candidato citou como exemplo sua atuação quando foi prefeito de São Paulo, entre 2013 e 2016, durante a investigação da chamada máfia do ISS. Segundo Haddad, fiscais foram afastados e presos e a prefeitura recuperou cerca de R$ 2 bilhões.
"Quando eu descobri a máfia do ISS aqui em São Paulo, tinha gente apreensiva: 'Olha, isso pode atingir gente do partido, você tem certeza do que você está fazendo?' Eu falei: 'Eu não quero saber se eu vou atingir gente do partido ou não. Nós botamos para fora".
Haddad também afirmou que considera importante que a Polícia Federal e o Ministério Público tenham liberdade para atuar sem interferência política.
"Eu nunca vi o presidente Lula mexer um dedo por quem quer que seja. Pode ser amigo, filho, parente. Nunca vi o presidente Lula mexer um dedo", afirmou. "A Polícia Federal, 100% de liberdade sempre; o Ministério Público, 100% de liberdade sempre."
'Risco ao país'
Questionado se a decisão de disputar o governo de São Paulo, onde o PT não parte como favorito, poderia prejudicar a estratégia nacional do partido e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Haddad afirmou que espera justamente o contrário. O petista disse ter decidido concorrer também por considerar que a eleição presidencial envolve um "grave risco institucional".
Ao citar Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na corrida presidencial, Haddad fez duras críticas ao senador e disse não admitir a possibilidade de ele chegar à Presidência.
"Eu não sei se todo mundo conhece o Flávio Bolsonaro como eu conheço o Flávio Bolsonaro, mas esse rapaz é um risco para o país. Tanto do ponto de vista econômico, social e internacional. Ele é um problema muito grande, e eu não posso conceber a hipótese de ele assumir a Presidência da República", afirmou.
Haddad reconheceu a dificuldade de o PT conquistar o governo paulista, mas disse que o resultado da eleição estadual não necessariamente terá reflexos sobre a disputa presidencial. Ele citou como exemplo eleições anteriores em que Lula venceu a corrida nacional mesmo sem um segundo turno para o governo de São Paulo.
"Eu estou em um projeto nacional e estou também em um projeto estadual. E o projeto estadual é para levar para a população o conhecimento do que eu estudei. É um dever cívico meu como candidato de oposição esclarecer a opinião pública", disse.
O candidato também afirmou estar ciente da força da aliança formada em torno do governador Tarcísio, que tenta a reeleição e que reúne partidos do Centrão e o bolsonarismo.
"Eu estou totalmente ciente do desafio que é para mim enfrentar esse bloco que se constituiu de todo Centrão e do bolsonarismo em torno do Tarcísio. O desafio está colocado e é diferente do plano nacional, em que vários partidos do Centrão não aderiram à candidatura do Flávio, que ficou sozinho e precisou escolher um vice do próprio partido."
Na avaliação de Haddad, a configuração da eleição presidencial é diferente da disputa em São Paulo justamente pela ausência de parte dos partidos do Centrão na aliança com Flávio.