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Drones usados por criminosos com explosivos cruzam rota de helicópteros no Rio
G1 — Brasil · 2026-08-20T08:04:13.000Z
Drones usados por criminosos com explosivos cruzam rota de helicópteros no Rio
Imagens feitas pela polícia mostram uma grande quantidade de pessoas em uma quadra onde estava sendo dado um curso de operação de drones há duas semanas. As aulas seriam dadas por traficantes no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, segundo as investigações.
A capacitação faz parte do avanço do uso desses equipamentos pelo crime organizado, que passou a adaptar drones para lançar granadas contra rivais, de acordo com a polícia.
Além de serem usados em ataques, os drones também têm provocado preocupação entre pilotos porque alguns equipamentos já foram identificados sobrevoando áreas próximas às rotas de helicópteros e aeronaves que chegam e saem do Aeroporto de Jacarepaguá, na Zona Oeste.
Em caso de colisão, o impacto pode provocar danos graves e até deixar uma aeronave incontrolável, segundo um piloto ouvido pelo RJ2.
Imagens feitas pela polícia mostram fila para curso de operação de drones dado por traficantes no Complexo da Penha
Na semana passada, criminosos também usaram um drone com uma granada para atacar rivais na comunidade do Canal, em Vargem Grande. O explosivo atingiu um trailer, mas ninguém ficou ferido.
Segundo a Polícia Militar, traficantes alugaram um apartamento na cobertura de um prédio no Recreio dos Bandeirantes e, de lá, fizeram a decolagem do equipamento.
O trajeto entre o ponto de lançamento e o local onde a bomba foi jogada tinha cerca de dois quilômetros. O equipamento percorreu o caminho em poucos segundos, passando sobre um terreno vazio, o Rio Morto e áreas residenciais.
A PM prendeu dois homens suspeitos de participação no ataque. Com eles, foram apreendidas outras granadas de fabricação caseira, dinheiro e o drone utilizado na ação.
Imagens feitas pela polícia mostram fila para curso de operação de drones dado por traficantes no Complexo da Penha
Equipamento é vendido legalmente, mas há regras para o voo
Um dos desafios para combater o uso criminoso dos drones é que os equipamentos são vendidos legalmente e podem ser adquiridos com facilidade pela internet.
O uso, no entanto, segue regras de segurança. Há restrições para voos próximos a aeroportos e helipontos, e o equipamento precisa de autorização para determinadas operações no espaço aéreo.
Também é proibido voar acima de 400 pés, o equivalente a cerca de 120 metros, em situações abrangidas pela regulamentação aplicável.
Os criminosos, segundo as investigações, ignoram essas regras.
A Polícia também encontrou evidências de que integrantes do crime organizado estão ensinando outras pessoas a operar drones.
Imagens feitas há cerca de duas semanas mostram uma fila de pessoas interessadas em participar de um curso que seria oferecido por criminosos no Complexo da Penha.
Ruas somem no Alemão
Imagens aéreas obtidas pelo RJ2 mostram que ruas e vielas do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, estão sendo cobertas por estruturas para dificultar o monitoramento feito por drones.
O levantamento é da inteligência da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil. Os agentes compararam imagens de satélite feitas em novembro de 2025 com registros aéreos produzidos em fevereiro de 2026.
Em apenas 84 dias, a paisagem mudou.
Ruas estão 'sumindo' no Complexo do Alemão para impedir vigília de drones
Em alguns pontos, ruas que antes apareciam nas imagens de cima ficaram escondidas por telhados. Em um dos locais analisados, uma área que funcionava como estacionamento ganhou uma cobertura de alvenaria. Em outro, uma laje passou a ter uma piscina.
As estruturas ficam em uma região central do Complexo do Alemão, apontada pela polícia como de difícil acesso por terra e pelo ar. Segundo os investigadores, é também uma área onde estaria escondida a cúpula do Comando Vermelho.
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A polícia suspeita que os telhados tenham sido construídos para impedir ataques com explosivos lançados por drones de facções rivais. As estruturas também dificultam o trabalho de monitoramento policial.
“Eu acredito que o emprego principal desses telhados que vêm sendo colocados em algumas comunidades seja evitar o lançamento de artefatos explosivos por facções rivais. Mas, obviamente, isso traz um prejuízo muito grande para o monitoramento feito pela polícia, por exemplo”, afirmou Marcos Motta, coordenador da Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (Coant).
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No Rebu, em Senador Camará, na Zona Oeste, uma rua às margens da linha do trem também está quase toda coberta. Em abril, a Polícia Civil e a Prefeitura de Niterói destruíram parte de uma estrutura semelhante construída em uma comunidade da cidade.
Drones viraram arma do crime organizado
O crime organizado também passou a usar drones para monitorar territórios, acompanhar a movimentação da polícia e atacar grupos rivais.
Segundo a Polícia Civil, 18 ocorrências de bombas lançadas por drones estão sendo investigadas atualmente. A corporação suspeita que o número seja maior.
“Hoje o drone não é usado só pela facção. Qualquer criminoso vai fazer o emprego desse drone porque ele traz uma vantagem estratégica, ele ganha olhos no céu”, disse Motta.
Ruas estão 'sumindo' no Complexo do Alemão para impedir vigília de drones
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Registros do Disque-Denúncia mostram o crescimento das denúncias envolvendo drones com explosivos. O primeiro relato de um equipamento equipado com uma granada foi feito em 2023. Em 2024, foram quatro registros.
Em 2025, foram 73 denúncias envolvendo traficantes e outras 14 relacionadas a milicianos.