ITATIBA1

'Temos que negociar até a exaustão, até o limite', diz Tarcísio sobre tarifaço dos EUA

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas

G1 — Brasil · 2026-07-23T01:04:47.000Z

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas

Roberto Sungi/Governo Estado SP

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou em agenda desta quarta-feira (22) que o Brasil deve insistir nas negociações para tentar reduzir os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

Segundo ele, este é o único caminho possível e qualquer medida de reciprocidade apenas agravaria a situação.

"O caminho é negociar. Não faz sentido nenhum aplicar a Lei de Reciprocidade, só agrava a situação, não ganhamos nada com isso. Essa investigação da Lei 301 já vem desde o ano passado, não é algo novo. O Brasil teve chance de negociar, podia ter negociado. Obviamente houve negociação, mas não obteve êxito. Temos uma gama de produtos que estão fora, isso prejudica a economia do Brasil, de São Paulo, o nosso agronegócio, o setor de macroequipamentos, perdemos competitividade em relação aos players globais", afirmou.

"É importante que a negociação seja continuada. Acho que o Brasil tem que continuar negociando, é uma correta orientação do ministro das Relações Exteriores. A negociação por parte das empresas vai ser fundamental, cada empresa levanta seu argumento. A negociação é o caminho, temos que negociar até a exaustão, até o limite", disse.

Questionado sobre quais medidas o governo paulista pode adotar para amenizar os efeitos do tarifaço, Tarcísio afirmou que pretende repetir ações adotadas no ano passado, como a liberação antecipada de crédito emergencial.

Governo anuncia crédito de US$ 18,5 bilhões para socorrer setores atingidos pelo novo tarifaço

"Na situação passada, no ano passado, fizemos liberação de crédito emergencial, fizemos a antecipação da liberação de crédito. A ideia é trabalhar na mesma linha, porque é um remédio que funcionou no ano passado, temos essa carta na mesa. Vamos acompanhar também o que vem sendo divulgado pelo governo federal, em termos de liberação de crédito. A gente tem que ver o que o governo federal vai fazer para adequar as medidas por aqui", afirmou.

Ao falar sobre o papel do governo federal e do senador Flávio Bolsonaro nas negociações, o governador defendeu que o tema seja tratado sob a ótica comercial.

"A gente tem que deixar de procurar narrativas para entender a coisa sob o prisma comercial. Os países estão tentando defender interesses, o americano, o dele, o Brasil, o dele também. Estamos numa disputa comercial, temos a geopolítica mandando em decisões econômicas. Temos que olhar setor por setor para ver nosso balanço, olhar nossas tarifas, as tarifas deles. Isso funcionou no caso da Embraer."

Alckmin diz que Lei de Reprocidade 'está na mesa', mas que objetivo não é 'fazer guerra comercial, e sim resolver problema'

Tarifaço de Trump: veja a lista de produtos que ficaram isentos e os que serão impactados

"Eles olharam e falaram: 'Importo mais turbina do que importo de aviões'. Isso sensibilizou, na época, os americanos, e houve a excepcionalização da Embraer, do suco, do café. Temos que apresentar argumentos caso a caso. Sabemos o que os americanos querem, temos que saber o que a gente quer também", complementou.

Na semana passada, o governo de Donald Trump confirmou a aplicação de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor nesta quarta (22). A medida foi anunciada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (22) que o Brasil não encontrou reciprocidade nos diálogos que teve com os Estados Unidos para tratar das tarifas.

Também segundo o presidente, o país não vai deixar de tentar negociar com o governo norte-americano nem vai ficar "chorando" por produtos que o país deixará de vender aos EUA.

"Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo. Nós estamos na mesa de negociação, já mandamos vários documentos e propostas, eu pessoalmente fui aos Estados Unidos, ficamos 3 horas discutindo negociação [...] a gente nunca encontrou reciprocidade na conversa", disse Lula.

"Isso vai aumentar o nosso antagonismo aos EUA? Não, não vai, porque a gente não vai sair da mesa de negociação. Eles que digam que não vão negociar, porque estamos lá sentados na mesa, fazendo proposta toda vez e fazendo eles provarem que eles tinham alguma razão em taxar o Brasil", completou o presidente.

Lula sobre tarifaço: "Vamos estar na mesa de negociação com as nossas propostas"

O presidente afirmou ainda que "não tem veto de negociação".

"E vamos ficar na mesa de negociação. Se quiserem participar, participem. Se quiserem mandar e-mail, tweet, que mandem, nós vamos estar na mesa de negociação com as nossas propostas para tudo. Não tem veto de negociação. Não vamos ficar chorando produtos que a gente não vendeu para eles, porque nós vamos procurar outros compradores".

A fala ocorreu durante cerimônia no Palácio do Planalto para sancionar e anunciar medidas de socorro a empresas afetadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

O governo anunciou a liberação de R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas adicionais de 25% aplicadas a produtos brasileiros vendidos no mercado americano e também àquelas impactadas pela guerra no Oriente Médio.

O financiamento será destinado às empresas que:

são afetadas por tarifas comerciais dos EUA, como setores de aço, alumínio, automotivo, madeira, máquinas, entre outros;

são de setores industriais estratégicos, por exemplo: fertilizantes, farmacêutico, têxtil, minerais críticos, entre outros;

setores que tiveram exportações para o Golfo Pérsico afetadas.

O presidente também sancionou uma lei que liberou R$ 15 bilhões, o "Brasil Soberano 2", em recursos para linhas de crédito do Plano Brasil Soberano, ampliando assim o programa criado no ano passado para responder ao primeiro tarifaço dos Estados Unidos. A lei deriva de uma medida provisória (MP) de março de 2026.

Outras medidas continuam em estudo e podem ser colocadas em prática na medida em que as empresas perceberem dificuldades na vazão dos produtos tarifados, como adiantou o blog da Ana Flor.

O anúncio ocorre um dia após o governo federal iniciar uma rodada de reuniões com representantes dos setores mais afetados pelo "tarifaço" dos Estados Unidos.

Leia no Itatiba1 →