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Hui Ka Yan, ao centro, é fundador do grupo chinês Evergrande
G1 — Mundo · 2026-08-20T10:14:09.000Z
Hui Ka Yan, ao centro, é fundador do grupo chinês Evergrande
Shenzhen Intermediate People’s Court/WeChat via BBC
O fundador da Evergrande — gigante do setor imobiliário no centro de uma grande crise do mercado imobiliário chinês — foi condenado nesta quinta-feira (20/08) à prisão perpétua e teve todos os seus bens pessoais confiscados.
Hui Ka Yan se declarou culpado em abril de várias acusações, incluindo apropriação indevida de bens e suborno corporativo.
O Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen também multou suas antigas empresas em um total de 15,82 bilhões de yuans (R$ 11 bilhões) por diversos crimes, incluindo falsificação de registros e ocultação de dívidas.
A sentença de Hui marca um momento crucial nas consequências do colapso da Evergrande, que abalou o setor imobiliário da China e afetou duramente investidores e bancos do país.
Hui e seus negócios "perturbaram seriamente" o mercado imobiliário chinês, resultando em perdas econômicas significativas, afirmou o tribunal.
Outros executivos da Evergrande, incluindo os dois filhos de Hui, Xu Zhijian e Xu Tenghe, também foram condenados a penas de prisão que variam de 22 meses a 18 anos, de acordo com a mídia estatal.
Considerado em anos recentes o homem mais rico da Ásia, Hui viu sua fortuna e influência diminuírem à medida que sua empresa entrou em colapso.
Hui, também conhecido como Xu Jiayin, teve uma origem humilde na zona rural da China, onde foi criado pela avó antes de se aventurar no ramo imobiliário e fundar a Evergrande em 1996.
Ele supervisionou a ascensão meteórica da empresa por meio de um programa de expansão agressivo, financiado com grandes quantias de dinheiro emprestado.
A Evergrande tornou-se a maior incorporadora imobiliária da China, com um valor de mercado superior a US$ 50 bilhões (R$ 258 bilhões).
A empresa sofreu um duro golpe quando Pequim introduziu medidas em 2020 para controlar a dívida no setor imobiliário do país.
Enquanto a empresa lutava para pagar os juros de suas dívidas, ela vendeu propriedades com grandes descontos, antes de entrar em colapso em 2021.
Em abril, o tribunal ouviu que a empresa havia recebido milhões de dólares em financiamento que foi direcionado para novos empreendimentos imobiliários, resultando em centenas de projetos inacabados.
Em março de 2024, Hui foi multado em US$ 6,5 milhões e banido do mercado de capitais da China para sempre, porque sua empresa superestimou sua receita em US$ 78 bilhões.
A avaliação de mercado das ações da Evergrande caiu 99% antes de suas ações serem retiradas da bolsa de valores de Hong Kong em agosto de 2025, após mais de uma década e meia de negociação.
O colapso da Evergrande tem sido frequentemente apontado como o fator que desencadeou uma recessão mais ampla no mercado imobiliário chinês, que continua afetando negativamente a economia.
Em seu auge, a Evergrande era a maior empresa do setor imobiliário do país, que representava cerca de um terço do produto interno bruto da China na época.
O mercado imobiliário foi um importante motor de crescimento e uma fonte de receita significativa para os governos locais na China.
Os problemas persistentes do setor têm afetado gravemente a segunda maior economia do mundo, visto que várias outras grandes construtoras também passaram a enfrentar dificuldades financeiras.