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Em nome de Lula, Durigan acena com ajuste gradual das contas públicas para reduzir juros

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou nesta quinta-feira (20) que, em um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre novamente à reeleição, a equipe econômica promoverá um ajuste das contas públicas…

G1 — Brasil · 2026-08-20T11:34:12.000Z

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou nesta quinta-feira (20) que, em um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre novamente à reeleição, a equipe econômica promoverá um ajuste das contas públicas na mesma intensidade da gestão — de dois pontos do Produto Interno Bruto (PIB), um movimento gradual.

Falando como representante da campanha de Lula à rádio CBN, o ministro declarou que o "arcabouço fiscal", a atual regra para as contas públicas aprovada em 2023, será mantida, e que a equipe econômica seguirá trabalhando em propostas para cortar gastos obrigatórios e retomar receitas, ou seja aumentar a arrecadação, "no que for injusto".

"De modo que a gente faça um esforço fiscal, como foi feito nesse governo, que a gente fez um esforço fiscal de de 2% do PIB. Isso é o fundamental para as pessoas entenderem que não tem navegação no escuro. Que estamos prontos para fazer um esforço de mesma dimensão [em um eventual novo mandato de Lula]", disse o ministro da Fazenda.

A estratégia de ajuste fiscal proposta pela campanha do candidato Lula, segundo o ministro, contempla manter gastos sociais para reduzir desigualdades e aumentar os investimentos, ao mesmo tempo em que permite, segundo sua visão, enfrentar o tema da (elevada) taxa de juros.

Dados oficiais da Secretaria do Tesouro Nacional mostram que as contas do governo registraram um déficit primário (sem contar juros) de:

R$ 258,5 bilhões em 2023 (2,1% do P(B);

R$ 47,3 bilhões em 2024 (0,4% do PIB);

R$ 62,6 bilhões em 2025 (0,5% do PIB);

R$ 52 bilhões em 2027 (0,4% do PIB), projeção oficial.

O primeiro mandato do presidente Lula foi caracterizado pelo aumento de impostos, com a carga tributária batendo recordes históricos, e aumento de despesas - autorizado pela PEC da transição, que incorporou cerca de R$ 170 bilhões em despesas anuais nos orçamentos públicos de cada ano.

A regra do arcabouço fiscal, por sua vez, buscou limitar o crescimento das despesas, mas gastos por fora da regra fiscal tem ampliado as despesas, pressionado a taxa de juros e, também, a dívida pública, que já avançou mais de 10 pontos percentuais no segundo mandato do presidente Lula, atingindo o maior nível desde a pandemia.

🔎 A dívida pública é considerado um termômetro da chamada "solvência" de uma nação, ou seja, da capacidade de honrar seus compromissos futuros. Quanto maior o indicador, maior o risco de um calote em momentos de crise.

Taxa de juros

Atualmente em 14% ao ano, o juro básico brasileiro é o maior do mundo em termos reais, segundo ranking do MoneYou. Analistas observam, porém, que a curva de juros em mercado para prazos mais longos (que servem de base para a venda de títulos públicos) reflete as expectativas dos agentes econômicos para gastos públicos e atividade, entre outros, e, consequentemente, para a inflação.

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