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Mansur destaca qualidade dos 180 minutos entre Flamengo e Cruzeiro
ge — Futebol · 2026-08-20T12:02:13.000Z
Mansur destaca qualidade dos 180 minutos entre Flamengo e Cruzeiro
O futebol é uma deliciosa narrativa em fluxo contínuo, uma dança coletiva, uma permanente mistura na qual os movimentos de um time são consequência direta das ações do outro, feito animais que farejam uma presa enquanto também são farejados. A exuberância do Flamengo no primeiro tempo do jogo contra o Cruzeiro, nesta quarta-feira, foi, ao mesmo tempo, causa e consequência da timidez do adversário – e entender onde um começa e outro termina, onde está o ovo e onde está a galinha, é uma tarefa inviável.
Fato é que aconteceu. O Flamengo teve uma atuação de almanaque no primeiro tempo. Em um jogo tão grande, contra um time tão forte, com o Maracanã entupido de gente, alcançou a quintessência de seu jogo – sempre procurada, raramente encontrada. O golaço de Arrascaeta, de pé em pé, com linda assistência de Pedro, foi um emblema da superioridade rubro-negra, sustentada na qualidade do tripé Jorginho-Arrascaeta-Pedro, mas também em um time muito atento, em uma marcação implacável.
Quando saiu o gol, aos 35 minutos, o Flamengo somava mais de dez finalizações, a maioria delas com o camisa 9, que se livrava da marcação com uma naturalidade assombrosa. A posse de bola estava em 67% a favor do time da casa. A defesa do Cruzeiro, nas cordas, apenas lutava pela sobrevivência – enquanto olhava em volta para se certificar de que Gerson, Matheus Pereira e Kaio Jorge não haviam sido esquecidos em Belo Horizonte.
Jogadores do Flamengo comemoram a classificação
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E aí tudo se inverteu. Na volta do intervalo, os dois times pareciam ter trocado de corpos, feito naqueles roteiros de uns 418 filmes diferentes. O Flamengo foi encaixotado pelo Cruzeiro, cometeu erros em profusão, teve uma bola salva por Jorginho em cima da linha e viu Lucas Romero empatar com um chute em diagonal da ponta direita – outro golaço.
A classificação ficou suspensa no ar. O Flamengo parecia ter perdido a memória; e o Cruzeiro, a recuperado. E aí veio um lance, um encaixe ofensivo em momento de dificuldade, mais uma assistência de Pedro, para o destino ser escrito por Samuel Lino, com corte em William e finalização certeira para o segundo gol, o gol da classificação às quartas de final da Libertadores.
O Flamengo avançou com o melhor futebol visto nesta Libertadores, aquele do primeiro tempo. Mas houve outros dois Flamengos na partida: o do começo da etapa final, que colocou a vaga em risco, e o que levou o jogo em segurança até o fim após o segundo gol. São vaivéns tipicamente rubro-negros, como se o melhor Flamengo sempre tivesse a pior versão soprando em seu ouvido.
Flamengo 2 x 1 Cruzeiro | Melhores momentos | Oitavas de final | CONMEBOL Libertadores 2026
Esse caldo explica o Flamengo de 2026, um time de enorme qualidade, mas muitas vezes frágil – um castelo dourado sob risco de desabar. O futuro da equipe na busca por mais uma Libertadores dependerá do equilíbrio entre os extremos de comportamento. Contra o Cruzeiro, a conta fechou: a excelência superou a hesitação para justificar a vaga. Os riscos corridos, porém, avisam: nada garante que será sempre assim.