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Justiça mantém prisão de Eduardo Razuk, influencer que rifava carros de luxo; defesa nega ilegalidade em sorteios

Como funcionavam as rifas do influencer suspeito de movimentar R$ 100 milhões em MS

G1 — Brasil · 2026-08-20T13:33:06.000Z

Como funcionavam as rifas do influencer suspeito de movimentar R$ 100 milhões em MS

A Justiça manteve na manhã desta quinta-feira (20), a prisão do influencer Eduardo Razuk, detido na última terça-feira (18), em Campo Grande, na Operação Rodas da Sorte, que investiga esquema que movimentou mais de R$100 milhões em seis meses com rifas ilegais de carros de luxo. O irmão de Eduardo, Rafael Razuk e outras duas pessoas também foram presas por suspeita de envolvimento no esquema (veja o vídeo acima).

Ao g1, o advogado de Eduardo Razuk, Thiago Bunning, alega que os sorteios dos carros não eram ilegais (leia a íntegra mais abaixo).

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A defesa de Rafael Razuk, João Paulo Calves, afirnou que as prisões são ilegais (leia a íntegra mais abaixo).

A investigação da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc) aponta que o grupo realizava sorteios sem autorização nas redes sociais e usava empresas para tentar dar aparência de legalidade aos valores, lavando o montante milionário obtido com as rifas.

A polícia apreendeu 22 veículos de luxo. Somados os valores de mercado, os carros estão avaliados entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões. Dois relógios de luxo também foram apreendidos.

Segundo a polícia, os presos são suspeitos de envolvimento nos seguintes crimes:

Prática de rifas ilegais - realização de sorteios de carros de luxo sem a devida autorização legal ou por meio de entidades sem competência para tal;

Lavagem de dinheiro - uso de empresas no Rio de Janeiro e na Paraíba para sofisticar o esquema, apagar o histórico ilícito e dar uma falsa aparência de legalidade aos valores arrecadados, que ultrapassaram cem milhões de reais em seis meses;

Associação criminosa - formação de esquema coordenado entre os investigados e empresas de diferentes estados para burlar a fiscalização.

O que diz a defesa de Eduardo Razuk

“A decisão do juiz na audiência de custódia é por manter a prisão, porque ele se diz incompetente para apreciar qualquer pedido de liberdade, deixa que a juíza do núcleo de garantia, que foi quem decretou a prisão, aprecie algum pedido, mas a gente também tem a possibilidade e acredito que essa estratégia vai ser adotada de entrar com habeas corpus direto no Tribunal de Justiça.”

A gente teve acesso à investigação só no final do dia de ontem e, tendo acesso à investigação, a gente pôde verificar que o delegado considera que não haveria autorização para os sorteios, mas é importante dizer que todos os sorteios são autorizados por uma loteria oficial, estão registrados esses sorteios, foram auditados e toda a renda que o Eduardo e a empresa dele obtêm a partir da divulgação desses sorteios, toda a renda referida por ele é declarada no imposto de renda. Os tributos são pagos, todos os bens que ele adquiriu, inclusive os veículos que foram apreendidos, estão todos registrados no nome dele, com documento, nota fiscal.

Então não há nenhum crime antecedente, que o delegado disse e acusa eles, de fazerem apostas, sorteios sem autorização, com loteria, porque é autorizado, e também não há lavagem de dinheiro, porque os bens são todos registrados no nome dele, com tributos pagos e com toda a documentação. Eu tenho certeza que isso vai ser comprovado.

A loteria é uma loteria oficial do Estado da Paraíba, há uma lei que regulamenta isso e autoriza todo o sorteio da forma que ele é feito. Se baseia é que o Eduardo em si não teria autorização para ter sorteio, mas o Eduardo é quem divulga o sorteio. Óbvio, é uma confusão aqui de ser ele que promove ou não. Essa é uma questão jurídica, um debate de uma interpretação do advogado, do delegado, que a defesa tem outra interpretação, mas isso não é uma questão para manter alguém preso.

Tanto Eduardo quanto o Rafael são primários, têm bons antecedentes, os bens estão todos no nome dele, eles nunca foram chamados para prestar esclarecimento sobre o sorteio, para apresentar alguma documentação sobre os sorteios, não tiveram chance de se defender, foram direto presos e estão presos por conta de um crime que não tem violência, não tem grave ameaça, que jamais foram chamados a se justificar.

O delegado alega a ocorrência de sorteios desde 2019, a gente não sabe se isso ainda está comprovado, mas todos esses sorteios que foram feitos desde dezembro de 2025 são registrados e têm um número de registro e toda documentação junto a uma loteria oficial".

O que diz a defesa de Rafael Razuk

“Ele entendeu que ele não seria o competente para analisar os argumentos que nós lançamos e agora a defesa vai encaminhar um habeas corpus para sustentar a ilegalidade dessas prisões. É comum que a audiência de custódia, quando a prisão é por mandado, é de prisão preventiva, é comum que normalmente não se resolva agora direto na audiência. Tecnicamente o juiz poderia analisar os requisitos, porém ele entendeu por bem deixar a cargo da juíza das garantias que foi quem decretou a prisão e aí ele se deu por incompetente.

Primeiro porque a gente entende que não tem os requisitos da prisão, especialmente a periculosidade deles que não coloca em risco a sociedade e especialmente em razão da ausência dos elementos centrais da existência de crime.”

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Como funcionava o esquema

Influencer Eduardo Razuk é preso com frota de carros de luxo em Campo Grande

Segundo o delegado Pedro Henrique Pilar Cunha, os investigados realizavam rifas sem autorização desde 2019. As cotas eram vendidas pelas redes sociais e, em determinado período, cada sorteio movimentava cerca de R$ 2 milhões.

De acordo com Cunha, entre 2019 e 2025, a atuação do grupo estava concentrada em Campo Grande. Nesse período, os investigados teriam realizado vários sorteios sem autorização e movimentado o dinheiro obtido com a prática.

A partir de 2025, o grupo teria mudado de estratégia. Segundo a polícia, após operações contra influenciadores envolvidos com rifas sem autorização em diferentes estados, os investigados passaram a buscar formas de dificultar a identificação da origem do dinheiro e dar aparência de legalidade aos sorteios.

Foi nesse contexto que, segundo a polícia, os irmãos teriam se associado a uma empresa do Rio de Janeiro e a outra da Paraíba.

Segundo o delegado, a empresa do Rio de Janeiro fazia a intermediação entre influenciadores digitais e a empresa da Paraíba. Conforme a investigação, a estrutura seria usada para criar uma suposta autorização para os sorteios.

Segundo Cunha, a entidade envolvida não teria autorização para permitir esse tipo de sorteio.

“Eles propiciavam um ar de legalidade às rifas ilegais e, ao mesmo tempo, promoviam uma sofisticação da lavagem de dinheiro obtida com essas rifas”, afirmou.

Apreensão e investigação

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Com o avanço da investigação, a Polícia Civil pediu medidas cautelares contra os envolvidos. Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio e a indisponibilidade de bens que podem estar relacionados ao esquema.

Os 22 veículos de alto padrão apreendidos em Campo Grande foram alvo de sequestro judicial. Também foram determinadas medidas sobre imóveis e contas bancárias. Segundo a polícia, os bens poderão ser perdidos caso os investigados sejam condenados.

As buscas também tiveram como objetivo apreender celulares, computadores e outros dispositivos que possam ajudar a esclarecer como o grupo funcionava. O material será analisado pela polícia. A investigação também deve verificar se há outros envolvidos e identificar possíveis novos crimes relacionados ao esquema.

O delegado explicou que, em princípio, quem comprou as rifas ou recebeu algum prêmio não será responsabilizado criminalmente apenas por participar dos sorteios. A situação pode ser diferente se houver comprovação de envolvimento dessas pessoas com as práticas criminosas.

Segundo Cunha, a falta de autorização também impede a fiscalização dos sorteios. Com isso, não é possível verificar, por exemplo, se houve fraude ou se dinheiro de outros crimes foi misturado aos valores movimentados pelas rifas.

A investigação continua com a análise do material apreendido. As contas usadas pelos investigados nas redes sociais também podem ser bloqueadas se ficar comprovado que foram utilizadas para a prática dos crimes.

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