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Em 7 meses, mais de 400 linhas de ônibus têm trajetos alterados devido a ações criminosas no RJ
G1 — Brasil · 2026-08-20T15:12:10.000Z
Em 7 meses, mais de 400 linhas de ônibus têm trajetos alterados devido a ações criminosas no RJ
A violência no Rio de Janeiro fez 411 linhas de ônibus mudarem seus trajetos entre janeiro e julho deste ano, segundo levantamento do Rio Ônibus, sindicato que representa as empresas do setor, feito a pedido da GloboNews. O número é o maior já registrado para o período.
Os dados mostram que os desvios provocados por confrontos, operações policiais e ações criminosas em áreas dominadas pelo tráfico e pela milícia cresceram 12,9% em relação aos sete primeiros meses de 2025, quando 364 linhas foram afetadas.
Na comparação com 2024, a alta é ainda mais expressiva: 420,2%. Naquele ano, 79 linhas precisaram alterar seus itinerários entre janeiro e julho.
19 desvios só na quarta-feira (19)
E os episódios continuaram em agosto. Até esta quarta-feira (19), mais de 30 linhas já haviam sido desviadas no mês.
Somente na quarta-feira (19), uma operação policial na Cidade de Deus, na Zona Sudoeste, obrigou pelo menos dez linhas a mudar seus trajetos. Na Muzema, também na Zona Sudoeste, outras nove linhas tiveram o itinerário alterado no início da noite por causa de um tiroteio.
Julho teve recorde
O levantamento mostra que julho de 2026 foi o mês com o maior número de linhas desviadas de toda a série histórica.
Foram 136 linhas afetadas, contra 41 em julho de 2025 — uma alta de 231,7%. Na comparação com julho de 2024, quando 36 linhas foram desviadas, o crescimento foi de 277,8%.
Os números revelam também outro problema que se tornou recorrente no Rio: a tomada de ônibus para a montagem de barricadas.
Em julho deste ano, 23 coletivos foram tomados e utilizados para bloquear ruas. Em julho de 2025, foram 22. Dois anos atrás, em julho de 2024, haviam sido quatro — um aumento de 475% em dois anos.
Os veículos são usados principalmente para fechar acessos a comunidades durante operações policiais ou confrontos, prejudicando não apenas as empresas e os rodoviários, mas também passageiros que dependem das linhas para se deslocar.
Prejuízo chega a quase R$ 15 milhões
Ônibus queimado por criminosos na Zona Oeste do Rio
A escalada da violência também tem impacto financeiro. Segundo o Rio Ônibus, os prejuízos provocados por vandalismo somaram R$ 14,89 milhões entre janeiro e julho de 2026.
O levantamento traça ainda um mapa dos locais onde os ônibus são mais afetados pela violência. A Zona Oeste aparece como a região mais castigada pelas alterações de itinerário e pelas ações criminosas contra os coletivos.
O que diz a Polícia Militar
Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Militar afirmou que monitora os casos de ameaças a rodoviários e de utilização de ônibus como barricadas durante ações policiais.
Segundo a corporação, o comando da PM mantém reuniões com representantes e sindicatos das empresas de ônibus para elaborar estratégias destinadas a aumentar a segurança de funcionários e passageiros.
A PM também afirmou que investiu em unidades de apoio estratégico, como o Batalhão Tático de Motociclistas (BTM) e o Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidões (Recom), para enfrentar ações organizadas por grupos criminosos.
A corporação citou como exemplo uma ocorrência na última quinta-feira (14), quando policiais do BTM prenderam três homens que estavam com chaves de veículos usados para bloquear vias públicas em Guadalupe, na Zona Norte. Segundo a PM, os bloqueios foram feitos em represália a uma ação das forças de segurança na região.
Ainda de acordo com a PM, os três não permaneceram presos após o flagrante. A corporação defendeu mudanças na legislação para tornar mais rigorosas as punições para quem participa desse tipo de ação criminosa.