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Paralisação das rotas pode afetar produção do Polo Industrial de Manaus, diz Suframa

Vídeo mostra confusão durante paralisação das rotas do Distrito Industrial em Manaus

G1 — Brasil · 2026-08-20T17:42:24.000Z

Vídeo mostra confusão durante paralisação das rotas do Distrito Industrial em Manaus

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informou nesta quinta-feira (20) que a continuidade da paralisação dos trabalhadores do transporte especial que atende o Distrito Industrial pode provocar redução ou até paralisação de linhas de produção. Segundo a autarquia, a mobilização também pode afetar o abastecimento das fábricas e o cumprimento de prazos.

De acordo com a Suframa, a paralisação tem comprometido o deslocamento de trabalhadores para as fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM) e já causa reflexos no funcionamento das empresas.

A mobilização de 100% da categoria ocorre, desde as primeiras horas da manhã, em protesto contra a proposta de reajuste salarial de 3% apresentada pelo setor patronal. Além do reajuste salarial, os trabalhadores do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Especiais de Manaus (Sindespecial) cobram redução de jornada, auxílio-alimentação e melhorias nas condições de trabalho.

A Suframa informou ainda que acionou a Polícia Militar do Amazonas (PMAM), o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e a Procuradoria Regional do Trabalho da 11ª Região (PRT-11) para acompanhar a situação.

Em nota, a autarquia disse que solicitou aos órgãos competentes medidas para garantir a circulação e o acesso ao Distrito Industrial, sem comprometer o direito de manifestação dos trabalhadores.

A Suframa afirmou que segue acompanhando a situação em diálogo com representantes do setor produtivo e reforçou o compromisso com a preservação da atividade industrial, dos empregos e do desenvolvimento regional.

O que os trabalhadores reivindicam

Segundo o Sindespecial, a categoria rejeitou a proposta apresentada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento do Estado do Amazonas (Sifetran). Além de um reajuste salarial maior, os trabalhadores pedem:

Redução da jornada de trabalho;

Concessão e reajuste do auxílio-alimentação;

Melhores condições de trabalho.

À Rede Amazônica, um dos motoristas que participa da paralisação afirmou que a categoria acumula perdas nos últimos anos.

"A gente tá parando para reivindicar o salário e, principalmente, a refeição do pessoal. O patronal não aceitou a nossa proposta e a gente tá parando em todo canto pedindo o apoio de todo mundo", afirmou o motorista identificado como Antônio.

A paralisação também surpreendeu trabalhadores que dependem das rotas para chegar ao Distrito Industrial. Francisco, que costuma embarcar às 5h da manhã, disse que foi informado sobre o problema apenas após chegar ao local.

"A gente bate o ponto 7h15, então esse momento já era para eu estar na empresa tomando café. Fomos surpreendidos por essa parada. Mandaram mensagem pedindo para a gente ter calma enquanto tentam ver uma solução, se vão pagar aplicativo ou outra coisa. Estamos só aguardando", relatou Francisco.

IMPACTO: Vídeos mostram impacto da paralisação das rotas do Distrito Industrial em Manaus

Impacto da paralisação das rotas do Distrito Industrial em Manaus

Paulo Roberto/Rede Amazônica

Pontos de mobilização

De acordo com o Sindespecial, os manifestantes estão concentrados em 12 pontos da capital.

Nas zonas Sul e Leste, a mobilização ocorre em trechos da Avenida Grande Circular, da Bola da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e da Bola da Samsung, apontada pelo sindicato como o principal ponto de concentração do movimento.

Na Zona Norte, os trabalhadores estão reunidos nas avenidas Max Teixeira e Torquato Tapajós, com reflexos no trânsito nas proximidades da fábrica TPV e do Baratão da Carne.

Já nas zonas Oeste e Centro-Oeste, os atos ocorrem na Avenida Pedro Teixeira, na altura do Sambódromo, e na cabeceira da Ponte Rio Negro.

Segundo o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), a paralisação não tem relação com a Prefeitura de Manaus. O órgão informou que os trabalhadores reivindicam ajustes salariais diretamente junto às empresas do setor.

O IMMU também informou que agentes de trânsito do instituto estão nos locais bloqueados para orientar os condutores e atuar na organização do tráfego.

Em nota, a entidade destacou que qualquer interrupção no transporte dos trabalhadores afeta diretamente a produção, especialmente em um momento em que as empresas buscam recuperar produtividade e compensar prejuízos já registrados. Segundo o Cieam, algumas indústrias já enfrentam paralisações de linhas devido à dificuldade de deslocamento dos colaboradores.

"O diálogo entre as partes envolvidas é fundamental para que uma solução seja alcançada com brevidade, evitando o agravamento dos prejuízos às empresas, aos trabalhadores e à economia do Amazonas", afirmou a entidade.

O centro também ressaltou que a continuidade das atividades do Polo Industrial de Manaus depende de condições regulares de mobilidade, logística e acesso ao Distrito Industrial, considerados fatores essenciais para o cumprimento dos compromissos de produção e para a manutenção da competitividade do setor.

Já a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) informou que está acompanhando a situação e realizando um levantamento junto às empresas associadas para avaliar os efeitos da paralisação.

Trabalhadores rejeitam reajuste de 3% e fazem paralisação nas rotas do Distrito em Manaus

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