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Aluna trans de 18 anos é agredida por duas jovens durante intervalo em escola no DF

Aluna trans de 18 anos sofre agressão em escola do DF

G1 — Brasil · 2026-08-20T23:38:10.000Z

Aluna trans de 18 anos sofre agressão em escola do DF

Uma aluna trans de 18 anos foi agredida por duas jovens durante o intervalo das aulas no Centro Educacional 02, conhecido como Centrão, em Taguatinga, no Distrito Federal.

Segundo a vítima, Daiany Louise, além das agressões físicas, ela foi alvo de ofensas transfóbicas. O ataque ocorreu há uma semana.

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Imagens gravadas por celulares mostram duas alunas brigando, quando um policial do Batalhão Escolar tenta separá-las. Até que uma terceira jovem se envolve na confusão e agride a vítima, estudante do sétimo ano (veja o vídeo acima).

"Ela correu atrás de mim e pulou em cima de mim. E aí nisso começou as agressões e aí ela começou a falar, ó, 'traveca' que apanha na cara, né?", disse a estudante à TV Globo.

Confusão ocorreu no Centro Educacional 02, em Taguatinga.

Após a agressão, a Polícia Militar, que estava na escola, levou as envolvidas para a delegacia. Horas depois, o vídeo da agressão se espalhou nas redes sociais acompanhado de frases transfóbicas.

"Pós-delegacia, uma das agressoras postou no mesmo dia o vídeo da agressão de uma forma vexatória e ainda colocou lá que 'traveco' tinha que apanhar sim na cara e que travesti na escola não se criava", contou Nathália Carmo, professora e irmã de Daiany.

A direção do colégio confirmou que uma das agressoras era aluna da unidade no dia da briga, mas já foi transferida.

A outra jovem envolvida já havia estudado no local, mas não estava mais matriculada — segundo a diretora Elisângela Ferreira do Nascimento, ela entrou na escola vestindo o uniforme da própria instituição.

"A estudante menor era evidentemente matriculada na escola. Contudo, ela trouxe uma outra pessoa maior de idade que, vestida com o uniforme e a identificação da escola, estava lá dentro e participou da agressão", explicou a diretora.

O CED 02 atende jovens e adultos nos três turnos e, segundo a direção, cerca de 40 estudantes usam o nome social. A escola afirma manter um trabalho contínuo de acolhimento e respeito à identidade de gênero dos alunos, e diz que esse foi um dos motivos que levaram Daiany a retomar os estudos na unidade.

Os registros de crimes relacionados à homotransfobia cresceram 18% no Distrito Federal em dois anos. Segundo a Polícia Civil, foram 342 casos em 2023, 362 no ano seguinte e um salto para 405 registros no ano passado. As ocorrências mais comuns entre janeiro de 2023 e março de 2026 foram de:

agressão moral (558)

violência física (169)

Para especialistas em gênero e raça, os números reforçam a importância do papel da escola no acolhimento e na prevenção, para identificar e combater o preconceito antes que ele ganhe outras formas de violência.

'Não vou parar de estudar'

Daiany foi agredida por duas jovens durante o intervalo das aulas.

Daiany conta que começou a transição de gênero aos 12 anos e, com medo do preconceito, passou parte da adolescência longe das salas de aula. Aos 17, encontrou na Educação de Jovens e Adultos a chance de voltar a estudar.

Mesmo depois da agressão, ela diz que não pretende abandonar os estudos.

"Eu acho que estudar é importante e as pessoas trans têm o direito de estudar, de adquirir conhecimento, se profissionalizarem, estarem em universidades. A gente não pode deixar o preconceito tirar os nossos direitos", concluiu a jovem.

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