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Homem é denunciado por chefiar garimpo ilegal de diamante dentro de terras indígenas de Rondônia

Homem é denunciado por chefiar garimpo ilegal de diamante dentro de terras indígenas de Ro

G1 — Brasil · 2026-08-21T08:03:48.000Z

Homem é denunciado por chefiar garimpo ilegal de diamante dentro de terras indígenas de Ro

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou Valmir Goes de Jesus, conhecido como "Maquita", por coordenar um garimpo ilegal de diamantes com 15 homens e uma super estrutura dentro da Terra Indígena Roosevelt e do Parque Aripuanã, territórios de restrição federal localizados em Rondônia. A denúncia foi aceita pela Justiça Federal e corre na Vara Federal Cível e Criminal de Vilhena (RO).

📍A TI Roosevelt possui mais de 230 hectares de expansão e se espalha entre Rondônia e Mato Grosso. Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), mais de 1,8 mil indígenas vivem na área, entre eles as etnias Apurinã e Cinta larga.

📍O Parque Indígena Aripuanã fica no município de Vilhena (RO) e possui mais de 1,6 mil hectares. Na região também vivem indígenas Cinta Larga, além de povos isolados.

O g1 teve acesso à denúncia feita pelo MPF e o documento mostra que Valmir não agia sozinho, mas era uma peça fundamental na organização do garimpo. Ele chefiava a logística e usava táticas para despistar a polícia dentro da floresta.

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Segundo a MPF, a base chefiada por Maquita era bem estruturada. O objetivo era manter a extração de diamantes e evitar prisões.

Para monitorar o trabalho e avisar sobre a chegada da polícia, eles usavam um rádio sem registro na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O aparelho tinha uma antena adaptada, chamada de "chuveirinho", para aumentar o sinal.

O grupo usava motobombas para extrair os diamantes, o que causou desmatamento e destruição do solo. A denúncia diz que Valmir conhecia toda a estrutura do garimpo, que incluía dezenas de máquinas pesadas, como escavadeiras.

O garimpeiro usava uma moto para circular rápido por estradas ilegais na reserva. Ele foi preso pela PF enquanto pilotava, com o rádio ligado.

Ao ser abordado pela polícia, Valmir confessou o crime. Ele disse aos agentes que já estava naquele acampamento há 15 dias. Porém, admitiu que já trabalhava no garimpo ilegal daquela área de proteção federal há pelo menos cinco anos.

Sem acordo com a Justiça

O MPF argumenta que, devido à gravidade, ao tempo de atuação e ao nível de organização do acusado no crime ambiental, ele deve enfrentar o processo criminal comum e ir a julgamento, sem direito a atalhos ou acordos judiciais.

Valmir foi denunciado por quatro crimes:

Roubo de diamantes (usurpação de bens da União);

Extração ilegal de minérios (crime ambiental agravado por ocorrer em terra indígena);

Invasão de terras públicas;

Uso de rádio pirata (desenvolvimento clandestino de telecomunicação).

Além de pedir a prisão do garimpeiro, o MPF quer que a Justiça Federal o condene a pagar uma indenização de, no mínimo, R$ 200 mil. O valor serve para reparar os danos ambientais e morais causados à natureza e aos indígenas da região.

No processo existem dois números de telefone ligados ao denunciado. O g1 tentou contato em ambos, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

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