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Mini casa na natureza, drones e câmeras: entenda como foi a volta de grupo do maior primata das Américas para a natureza

Grupo do maior primata das Américas volta à natureza em MG

G1 — Brasil · 2026-08-21T09:01:46.000Z

Grupo do maior primata das Américas volta à natureza em MG

Sete muriquis-do-norte, considerados os maiores primatas das Américas e uma das espécies mais ameaçadas do Brasil, voltaram à natureza após sete anos de manejo e pesquisa em Minas Gerais.

Os animais foram soltos no início de agosto, em uma área de Mata Atlântica no entorno do Parque Estadual do Ibitipoca, na Zona da Mata mineira.

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Antes da soltura, os muriquis passaram por um longo período de preparação na Muriqui House, recinto criado especialmente para a reintrodução da espécie e mantido pelo Muriqui Instituto de Biodiversidade (MIB), em Lima Duarte.

'Mini casa' na natureza

A etapa final da preparação ocorreu em um recinto construído próximo à floresta. Uma passarela de madeira ligava a estrutura à mata e serviu como caminho para os muriquis deixarem o espaço.

Os animais não foram retirados à força. Eles puderam escolher o momento de sair e seguiram voluntariamente.

O percurso também foi preparado para registrar cada detalhe da soltura. Câmeras GoPro foram instaladas ao longo da passarela, enquanto drones registraram a movimentação do grupo a partir do alto. Veja no vídeo acima.

As imagens ajudaram os pesquisadores a observar o comportamento dos muriquis nos primeiros momentos de volta à natureza.

Grupo do maior primata das Américas volta à natureza em Minas Gerais

Como foi a soltura

A operação foi realizada pelo Muriqui Instituto de Biodiversidade, em parceria com o Ibiti Projeto, a Universidade Federal de Viçosa (UFV), o Ibama-MG e o Instituto Estadual de Florestas (IEF).

Uma semana antes da soltura dos sete animais, outros três muriquis-do-norte, vindos de Peçanha, no Leste de Minas, também foram reintroduzidos na região.

A expectativa é que os dois grupos se encontrem e, no futuro, formem uma nova população, com maior diversidade genética e capacidade de reprodução.

Segundo os pesquisadores, a reintrodução exige uma estratégia de conservação de alta complexidade.

“É a primeira vez que se ousa formar um grupo de muriquis na mata por meio de um manejo dessa complexidade. Estamos construindo uma história e aprendendo com cada etapa”, afirmou Fabiano Melo, primatólogo, professor da UFV e um dos coordenadores do trabalho.

Muriquis durante período no recinto antes de voltar à natureza em Minas Gerais

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O trabalho continua depois da soltura

A saída dos muriquis do recinto não encerra o projeto. O acompanhamento dos animais deve continuar para avaliar como eles se adaptam à floresta e como os grupos vão interagir.

“Tudo é feito com muito cuidado. Cada decisão é tomada em conjunto, com troca de dados e experiências entre os profissionais. Estamos construindo uma história. Esses passos são também uma oportunidade de aprendizado para futuras iniciativas de conservação”, disse Marcello Nery, presidente do MIB.

A expectativa é que outros animais sejam incorporados ao trabalho futuramente, com o objetivo de ampliar a população que começa a se formar na região.

Histórico da Muriqui House

A história começou em 2017, quando uma fêmea de muriqui, chamada Esmeralda, foi encontrada após sobreviver sozinha durante cinco anos em uma área de mata na região. O resgate marcou o início do trabalho dos pesquisadores do MIB para reunir e proteger os animais.

Em 2018, a Muriqui House foi criada em parceria com a Comuna do Ibitipoca. Atualmente, a área conta com seis hectares de mata preservada, onde vivem outros muriquis e são realizados trabalhos de manejo e conservação da espécie.

Maior primata das Américas

Murqui do projeto Muriqui House em Minas Gerais

O muriqui-do-norte é exclusivo da Mata Atlântica e tem características que chamam a atenção tanto pelo comportamento social quanto pela importância para a conservação da floresta. Atualmente, os animais são encontrados em apenas 12 localidades no Sudeste do Brasil, que, juntas, reúnem cerca de mil indivíduos na natureza.

Veja alguns fatos sobre o maior primata das Américas:

Nome científico: Brachyteles hypoxanthus

Habitat: é endêmico da Mata Atlântica e vive principalmente em áreas de floresta

Comportamento social: os grupos não têm um macho dominante. Os animais mantêm relações sociais frequentes e os conflitos são, muitas vezes, resolvidos por meio de interações entre os indivíduos.

Importância para a floresta: ao se alimentar de frutos e dispersar sementes, o muriqui contribui para a regeneração da Mata Atlântica e para a manutenção de processos ecológicos.

Conservação: a espécie está entre os primatas mais ameaçados do Brasil, o que torna ações de proteção, manejo e reintrodução importantes para a manutenção das populações.

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