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Corinthians conquistou uma vitória profundamente corinthiana

Corinthians 1 x 0 Rosario Central | Melhores Momentos | 8ª de final | Libertadores 2026

ge — Futebol · 2026-08-21T12:37:58.000Z

Corinthians 1 x 0 Rosario Central | Melhores Momentos | 8ª de final | Libertadores 2026

Em um futebol tão globalizado, muitas coisas se transformaram, ou simplesmente se perderam. As tradicionais escolas de jogo hoje estão diluídas, por exemplo. Mas alguns aspectos de identidade permanecem. No caso do Corinthians, poucas coisas causam tanta satisfação em sua torcida quanto uma vitória espremida, com mais coração latejando do que bola rolando. Exatamente como aconteceu contra o Rosario Central, ontem, pelas oitavas da Libertadores.

Os confrontos entregaram o que prometiam. Ambientes condizentes com a atmosfera da Libertadores, tanto em Rosario quanto em São Paulo, e duas partidas mais brigadas do que jogadas -- jogos não para serem desfrutados, mas para serem vividos à flor da pele. Praticamente o habitat natural do corinthiano.

O Rosario Central era um dos mais qualificados e perigosos adversários para os brasileiros nesta Libertadores. É verdade que a equipe mostrava desempenho melhor sob o comando de Ariel Holan, mas mesmo com Jorge Almirón continua sendo um adversário pesado. Conta com vários bons jogadores que muitas vezes têm seu talento potencializado pela cátedra de Di María.

Breno Bidon comemora gol do Corinthians contra o Rosario Central

Some-se a isso o fato de que o Corinthians chegava para o confronto decisivo com múltiplos desfalques (como Allan, Yuri Alberto e Labyad) e estava montado o cenário perfeito para um drama de fazer inveja às mais caricatas tramas novelescas. Nem o bom empate obtido em Rosario parecia suficiente para amenizar os problemas.

E como houve problemas. Além da recorrente dificuldade na construção ofensiva, o Corinthians novamente ficou com um jogador a menos quando o ponteiro ainda tinha muito para correr. Desta vez, Ranielle recebeu cartão vermelho por entrada violenta. A exemplo da partida de ida, o time de Fernando Diniz defendia-se com eficiência e empenho -- um enorme cadeado diante da área para proteger Hugo Souza. Nesse momento, o concreto de Itaquera transformou-se em um imenso moedor de almas, habitado por zagueiros de todas as idades.

Gabriel Paulista comemora com torcedores do Corinthians após classificação na Libertadores

Ou seja, era o momento ideal para recorrer ao imponderável. Portanto, emergiu do banco de reservas o ressurgido Memphis Depay, o homem que protagonizou uma reviravolta anímica na noite paulistana. Como se aderindo ao chamado da insensatez, o próprio estádio resolveu erguer a voz naquele exato momento. A cobrança do holandês foi perfeita para a ocasião, maliciosamente rasante para encontrar a ponta do pé de Breno Bidon.

Mais do que comemorar o gol, as cenas e os sons que brotaram na arquibancada de Itaquera celebravam o próprio espírito corinthiano. Uma espécie de corinthianidade personificada, ao fim do jogo, no zagueiro Gabriel Paulista, que fez questão de inverter os papéis -- subiu a arquibancada para ser um torcedor a mais. É tudo que o corinthiano pede, no fim das contas: que o muro entre campo e arquibancada seja apenas simbólico. Que aqueles que estão dentro sejam reflexo daqueles que estão fora.

Breno Bidon: "O Corinthians é sempre desacreditado, a gente tem que se blindar."

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