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Avó mostra quarto preparado para receber o neto em Sena Madureira
G1 — Brasil · 2026-08-21T16:53:49.000Z
Avó mostra quarto preparado para receber o neto em Sena Madureira
O pequeno Bernardo, filho da jovem Maria Raissa, de 18 anos, que morreu após complicações no parto na última terça-feira (18) recebeu alta na quarta (19) e está com a avó materna, Kelle da Silva. Ela e o namorado de Raissa, pai do menino, vão cuidar do recém-nascido.
A criança passa bem, segundo a família. Raissa deu entrada no Hospital João Câncio Fernandes na madrugada de terça após a bolsa estourar e foi submetida a uma cesariana por conta da pressão alta. Após o parto, ela teve eclâmpsia, convulsões e morreu.
Para a família, houve negligência médica no atendimento prestado à jovem. A Polícia Civil instaurou um inquérito e investiga o caso. Em nota, a Secretaria de Saúde do Estado informou que, após o parto, a paciente apresentou uma convulsão, sendo diagnosticada com eclâmpsia. Com o agravamento do quadro, ela foi entubada.
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"Estava tudo preparado para a chegada do meu neto. Desfiz a bolsa dela ontem [quarta-feira,19], tirei a maquiagem que ela disse que iria se maquiar quando recebesse alta. O quarto estava todo preparado esperando, reformei a casa para esperar meu neto", lamentou Kelle.
Um vídeo gravado no quarto de Raissa mostra o enxoval do menino preparado para recebê-lo. Ela destaca que a filha estava feliz com a gravidez e ansiosa pela chegada do filho. "Quando for crescendo, vou falar todos os dias sobre ela para ele. Talvez me chame de mãe, mas vou falar que a mãe dele era a Raissa. Ela amava muito ele", disse emocionada.
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Mãe acusa médico de negligência
Kelle contou que a filha fez todo o pré-natal particular com o médico José Hassem. Já na reta final da gravidez, o profissional marcou a internação de Raissa para dia 12 e o parto para o dia seguinte em uma clínica particular, conforme a mãe.
O g1 tentou contato com o médico por meio do número da clínica particular onde ele atende, contudo, até a última atualização desta reportagem, não obteve retorno.
"Levamos a documentação, a carteirinha, tudo. Quando chegamos lá ele perguntou o que ela estava fazendo lá e falamos sobre o agendamento do parto. Ele falou que não, que ia deixar para semana que vem. Raissa falou que estava com medo, mas ele falava que estava tudo bem", relembrou.
Com a liberação, Kelle recorda que a filha ficou preocupada e com medo do adiamento do parto. A mãe da jovem confirmou que a pressão da filha se manteve alta praticamente durante toda a gravidez.
"Mas, o médico falava que era normal. Depois que saímos da clínica, fui com ela almoçar na casa da minha mãe, e ela estava muito chateada. Acho que isso mexeu ainda mais com a pressão alta. Minha mãe tentou acalmar ela, mas ficou com muita raiva", disse.
Maria Raissa tinha 18 anos e morreu após ter eclâmpsia
Na última sexta (14), Raissa passou mal e foi para a clínica médica. Novamente, o profissional a mandou para casa e afirmou que estava tudo bem com ela e a criança.
"Ele falou que iria tirar a criança na próxima quinta [20] e pediu para ela ir no hospital na terça [18] à noite. Na segunda [17] ela me ligou falando que o Bernardo não estava mexendo e fomos ao posto de saúde. A pressão dela estava 14 por 8 e fomos para a clínica de novo", complementou.
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Pela terceira vez, Raissa voltou para a casa com a mãe sem o filho nos braços. Kelle relembra que não conseguiu dormir e pela madrugada Raissa começou a sangrar e foi para o hospital.
"Perdi o sono, como se fosse acontecer algo. Ela se levantou para fazer xixi e falou que estava sangrando. Fomos para o hospital e a pressão dela estava 16 por 10. Começaram a dar remédio para baixar", destacou.
Raissa tirou foto ao lado da mãe antes de entrar na sala de cirurgia
Segundo Kelle, o médico que fez o pré-natal da filha estava no plantão e, juntamente com outro médico, decidiram tirar a criança por conta da pressão alta. Antes de entrar na sala de cirurgia, Raissa tirou uma foto com a mãe.
"Ela estava tranquila de que ia dar tudo certo. Entraram com ela e, passou um tempo, trouxeram o Bernardo pra mim. Chorei de emoção ao ver meu neto, perguntei pela minha filha e a enfermeira falou que ela estava bem. Passou um tempo, a enfermeira falou que ela convulsionou. Não me deixaram entrar e fiquei desesperada", contou a mãe.
A mãe de Raissa foi informada pelos médicos que a pressão dela tinha subido, iriam entubá-la e transferir para Rio Branco. Foi solicitado apoio aéreo para a transferência, contudo, a jovem morreu antes do helicóptero chegar.
"Falavam que ela estava bem, mas eu sabia que não. A levaram para a sala vermelha, fui lá e perguntei se ela me reconhecia e balançou a cabeça que sim. Era para ter levado minha filha para Rio Branco, alugado um carro e ela ter feito o parto lá. Dava para ter feito isso", finalizou.
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