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Arielly Katerine dos Santos, de 31 anos, é investigada por desviar mais de R$ 100 mil e aplicar golpes em pacientes, em Cuiabá
G1 — Brasil · 2026-08-21T18:50:16.000Z
Arielly Katerine dos Santos, de 31 anos, é investigada por desviar mais de R$ 100 mil e aplicar golpes em pacientes, em Cuiabá
Prints de conversas pelo WhatsApp mostram como Arielly Katerine dos Santos, de 31 anos, negociava procedimentos com clientes da clínica odontológica onde trabalhava, em Cuiabá, e insistia para que os pagamentos fossem feitos, segundo a Polícia Civil. A ex-funcionária é investigada por desviar mais de R$ 100 mil do estabelecimento.
Em uma das conversas, uma cliente tenta cancelar um procedimento, mas Arielly oferece uma prótese por R$ 750, divididos em duas parcelas. Quando a cliente demonstra surpresa com o preço, considerado baixo, a ex-funcionária muda o valor para R$ 850 e afirma que havia cometido um erro de digitação.
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Em outro trecho da conversa, a cliente volta a pedir o cancelamento. Arielly insiste novamente na negociação e propõe uma entrada de R$ 300, deixando o restante do pagamento para outro mês.
Prints de conversas pelo WhatsApp mostram como Arielly Katerine dos Santos negociava procedimentos com clientes antes de suposto golpe
Os prints fazem parte da investigação da Operação Falso Sorriso, deflagrada nessa quinta-feira (20). Até o momento, mais de 15 vítimas foram identificadas, segundo a Polícia Civil. Arielly é apontada como responsável por usar o nome da clínica, localizada no bairro Campo Velho, para negociar procedimentos com clientes e receber pagamentos em contas pessoais.
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Segundo o delegado Hugo Abdon Lima, responsável pela investigação, ela se aproveitava da função que exercia na área administrativa e financeira do estabelecimento para ter acesso aos clientes e conduzir as negociações.
"Através do WhatsApp, ela negociava com clientes, oferecia suporte, descontos de procedimentos estéticos e odontológicos e recebia os valores no próprio Pix", afirmou.
Os investigadores apuram as conversas e outros materiais reunidos durante a operação para identificar possíveis novas vítimas e dimensionar o prejuízo causado pelo esquema.
A Polícia Civil também suspeita que parte dos mais de R$ 100 mil desviados tenha sido usada por Arielly em jogos de azar. A hipótese surgiu depois que a ex-funcionária relatou enfrentar dificuldades financeiras, conforme o delegado.
Arielly confessou os crimes durante depoimento, segundo a polícia, mas não afirmou que tenha usado o dinheiro em apostas. Por isso, a possível relação entre os desvios e os jogos de azar ainda é investigada.
Durante a operação, aparelhos eletrônicos foram apreendidos e passarão por análise. O material deve ajudar a polícia a verificar as movimentações e buscar novas provas sobre a destinação dos valores.
Segundo o delegado, Arielly deve ser indiciada pelos crimes de furto qualificado e estelionato. Até a última atualização desta reportagem, ela não havia sido presa e não possuía advogado constituído.
"Nosso objetivo era fazer com que ela parasse de cometer novos crimes e coletar provas. Mas, diante das evidências, iremos indiciá-la por furto qualificado e estelionato", disse.
Como o esquema foi descoberto
A Polícia Civil cumpre três mandados de busca e apreensão para recolher equipamentos e documentos que podem ajudar a identificar novas vítimas e calcular o prejuízo.
O esquema foi descoberto depois que uma paciente procurou os proprietários da clínica e informou que havia feito um Pix diretamente para a conta pessoal da então funcionária. Inicialmente, os contratos envolvidos somavam mais de R$ 50 mil, mas a polícia estima que o prejuízo possa ultrapassar R$ 100 mil.
Segundo a investigação, a mulher oferecia descontos e orientava pacientes a fazer pagamentos por Pix, links, QR Codes ou máquinas de cartão vinculados às contas pessoais dela. Depois de receber os valores, ela teria alterado os registros internos para indicar que os pacientes estavam com as parcelas em dia.
Dessa forma, os tratamentos odontológicos continuavam normalmente, apesar de os valores pagos pelos clientes não terem sido repassados à clínica.
A investigação também encontrou indícios de pagamentos em dinheiro, mudanças nas datas de vencimento e cobranças feitas em nome do estabelecimento. Em alguns casos, pacientes teriam sido ameaçados de negativação caso não realizassem os pagamentos.
Golpes teriam continuado após demissão
Mesmo depois de ser demitida por justa causa, Arielly teria continuado a procurar pacientes e se apresentar como funcionária da clínica para realizar novas cobranças, segundo a polícia.
Durante a operação, foram apreendidos celulares, computadores, máquinas de cartão, documentos e outros materiais. A análise dos equipamentos deve ajudar a polícia a verificar a movimentação dos valores, identificar possíveis novas vítimas e calcular o prejuízo total.
A investigação continua para esclarecer a extensão do esquema e o destino do dinheiro.
Prints de conversas pelo WhatsApp mostram como Arielly Katerine dos Santos negociava procedimentos com clientes antes de suposto golpe