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Exército simula guerra na Amazônia em ataque com blindados e sensores inteligentes

Exército simula guerra na Amazônia em ataque com blindados e sensores inteligentes

G1 — Brasil · 2026-08-22T09:00:40.000Z

Exército simula guerra na Amazônia em ataque com blindados e sensores inteligentes

Viaturas blindadas, aeronaves e sensores inteligentes que registram perdas em tempo real. Esses foram os aparatos usados pelo Exército Brasileiro em uma simulação de guerra na Amazônia que durou quatro dias. O treinamento ocorreu na fronteira Norte do país e mobilizou mais de 1,1 mil militares num percurso de 550 km que atravessou a Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

O g1 acompanhou a última etapa do treinamento nesta quinta-feira (20), na sede do município de Normandia, no interior de Roraima. Na ação final, 260 militares travaram um combate de ataque e defesa para "reconquistar" o aeródromo do município.

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A simulação em Normandia ocorreu às margens da rodovia BR-401. A tropa foi dividida em 200 militares de ataque, enquanto 60 atuaram na linha de defesa do local a ser reconquistado. O efetivo incluiu militares de Roraima, Amazonas e Rio de Janeiro.

Treinamento de quatro dias faz parte da Operação Amazônia e simulou ataques no Norte de Roraima.

João Gabriel Leitão/g1 RR

Sensores no colete e capacete

O Exército utilizou 140 equipamentos com sensores nos capacetes e coletes dos militares, fornecidos pelos Centros de Adestramento (CA) da Amazônia e Leste. Quando um militar era "atingido", o equipamento emitia um aviso sonoro que indicava se ele havia sido morto ou ferido.

No caso de ferimento, o soldado ainda poderia ser resgatado pela equipe, mas, caso o equipamento indicasse "morto" por meio do sinal de voz, o militar sentava no chão e retirava o capacete, ficando "fora de combate".

O uso desses equipamentos é usado como forma de incentivar os militares a colocarem os treinamentos e instruções de combate do Exército em prática. Os dados dos coletes são enviados para um computador, que registra baixas e movimentos para elaboração de relatórios de desempenho.

Tiros de festim

Durante o combate, foram utilizados tiros de festim, munição composta apenas por uma cápsula com pólvora, sem o projétil (parte da bala que viaja pelo ar e causa ferimentos reais). Houve troca de tiros em diversos pontos da vila, conforme os militares de ataque avançaram em direção ao aeródromo.

A presença das tropas despertou os moradores de Normandia no início da manhã. Em uma escolinha da cidade, o som dos disparos foi ouvido por alunos e funcionários. A orientadora pedagógica Isadora Constância relatou que o Exército avisou a população com antecedência, mas o efetivo nas ruas surpreendeu.

"Não é todo dia que a gente vê uma presença muito grande de soldados na rua. As crianças escutaram os tiros e a gente ficou curioso", disse. "Saber que o Exército está atuando e ver com os próprios olhos é uma experiência diferente", acrescentou a moradora.

Ataque simulado contou com tiros de festim, que emitem o som do disparo, mas não contém o projétil.

João Gabriel Leitão/g1 RR

Uso de blindados

O exercício empregou 39 viaturas blindadas, incluindo os modelos Guaicurus e Guarani. O Guaicurus é um veículo 4x4 usado para proteção e mapeamento de áreas, operado apenas pela 1ª Brigada de Infantaria de Selva. O Guarani é utilizado para o transporte de tropas.

A marcha de combate começou no entroncamento da BR-174 com a BR-433, em Surumu, cruzou a Terra Indígena Raposa Serra do Sol e seguiu até Normandia. Na simulação de ataque na região do Contão, houve apoio de aeronaves de ataque A-29 Super Tucano.

A manobra testou a capacidade da tropa de reconquistar um território invadido. Segundo o major Pedro Xavier, da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, a unidade é preparada para ser acionada em situações de emergência, com militares prontos para entrar em ação a qualquer momento.

"O Exército sempre busca estar pronto por meio do seu preparo para as diversas operações que podem aparecer para ele", explicou o major. "Esse adestramento materializou nossa vocação principal, que é a defesa externa no extremo norte do país", concluiu.

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Comboio da 1ª Brigada de Infantaria de Selva entra em Normandia para ataque simulado.

João Gabriel Leitão/g1 RR

Na defesa do aeródromo estava o soldado Lucas Peixoto. "Sabemos que o calor de Roraima não é fácil, mas mantivemos a tropa em posição, sempre bem abrigados. Acredito que teve muito desafio, mas batemos esse objetivo, que foi manter uma visibilidade grande do terreno", destacou o recruta.

Durante a ação, militares à paisana interpretaram civis que pediam ajuda em meio ao combate. Eles foram socorridos pelas tropas e encaminhados a um posto de triagem fictício.

Normandia já recebeu outras ações

A região de Normandia e municípios vizinhos também foram cenário de atividades militares em 2025, durante a Operação Atlas. A ação faz parte do treinamento conjunto das Forças Armadas no país e reuniu 6 mil militares no estado.

O treinamento simulou um cenário real de confronto armado, com apoio de aeronaves de combate da Força Aérea Brasileira (FAB), tanques, blindados e artilharia terrestre. Na época, a operação teve o objetivo de avaliar a capacidade de atuação conjunta do Exército, Marinha e Aeronáutica e aprimorar estratégias de defesa na Amazônia.

Na ocasião, o maior míssil de longo alcance desenvolvido no Brasil, do sistema Astros, foi disparado pela primeira vez na região amazônica, em Bonfim. O sistema é capaz de lançar foguetes e mísseis que alcançam até 300 quilômetros de distância, com alto grau de precisão.

Veja mais fotos do ataque simulado em Normandia:

Normandia já recebeu outras operações da 1ª Brigada de Infantaria de Selva.

João Gabriel Leitão/g1 RR

Ataque simulado do Exército em Normandia ocorreu nas primeiras horas da manhã, no Norte de Roraima.

João Gabriel Leitão/g1 RR

Militares da 1ª Brigada de Infantaria de Selva participam de simulação de guerra em Roraima.

João Gabriel Leitão/g1 RR

Aeródromo de Normandia foi a localidade a ser 'reconquistada' pelas tropas de ataque.

João Gabriel Leitão/g1 RR

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