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Presidente de rede de hospitais de SP é afastado após acusações de assédio sexual e racismo contra funcionárias

Fachada do Igesp, em SP

G1 — Brasil · 2026-08-22T09:00:20.000Z

Fachada do Igesp, em SP

O presidente-executivo do grupo Trasmontano Saúde, Fernando José Moredo, de 85 anos, foi afastado do cargo após acusações de assédio sexual, importunação sexual e racismo feitas por diversas funcionárias da rede de hospitais e plano de saúde. Segundo apurado pelo g1, ele é alvo de uma notícia-crime apresentada ao Ministério Público de São Paulo em que as denunciantes relatam um suposto padrão de abuso de poder que teria se repetido durante anos.

Após as denúncias, Moredo foi afastado do cargo em um processo administrativo, mas retornou por decisão liminar da Justiça de São Paulo. Dias depois, voltou a ser afastado, após uma nova interpretação do juiz.

🔎 O grupo Transmontano foi fundado em 1932 e tem cerca de dez unidades hospitalares espalhadas pelo estado de São Paulo, como o Hospital Igesp, na região da Avenida Paulista.

A notícia-crime foi protocolada no início de agosto e pede a instauração de investigação criminal pelos supostos crimes. Nos documentos, as mulheres que trabalharam com Moredo descrevem abordagens que incluem comentários de teor sexual e racial, perguntas sobre vida íntima, ofertas de dinheiro e contatos físicos sem consentimento (leia mais abaixo).

Uma das mulheres afirmou que os assédios acontecem há cerca de 25 anos, desde o início de sua trajetória na empresa.

Em nota enviada ao g1, a defesa de Moredo afirmou que o cliente é absolutamente inocente. "Até o momento, não foi apresentada prova idônea capaz de sustentar as acusações feitas contra ele. Ao contrário, a defesa vem demonstrando graves irregularidades no procedimento adotado e um contexto de disputa interna e articulação para tomada de poder já retratado pela IstoÉ. Como advogado, minha atuação tem sido técnica, firme e transparente: queremos uma apuração séria, com contraditório, ampla defesa e respeito às regras institucionais".

"Acusação não é prova", concluiu o advogado Miguel Dante Machado.

Como começaram as denúncias

As denúncias foram formalizadas em maio deste ano, quando funcionárias de diferentes áreas decidiram relatar os episódios. A instituição, então, instaurou um comitê administrativo para ouvir as colaboradoras.

A denúncia aponta que Moredo se aproveitava da posição de presidente do grupo para se aproximar das funcionárias com abordagens que começavam com elogios profissionais e passavam para comentários sobre aparência física e vida sexual.

Uma das denunciantes afirmou que o presidente do grupo pedia que ela mostrasse os seios e teria forçado beijos. Ela também relatou que, após a morte do companheiro, Moredo questionou como ela faria sexo.

Outra mulher diz que o assédio aconteceu ao longo de 25 anos e que as investidas se intensificaram durante sua gravidez, quando o acusado teria manifestado desejo sexual relacionado à gestação e tocado em seus seios.

Uma das denunciantes disse que o homem ofereceu dinheiro e bens materiais para que ela terminasse seu relacionamento.

Uma funcionária também denunciou ter sofrido ataques racistas. Segundo ela, Moredo teria dito que preferia fazer sexo com mulheres brancas e afirmado que negras da idade dela eram "ressecadas" e "sem lubrificação".

Fernando José Moredo negou todas as acusações durante o procedimento administrativo interno. O documento obtido pelo g1 afirma que o presidente concentrou as críticas em apenas uma denunciante, disse que ela era mentirosa e que queria prejudicar o Trasmontano.

Afastamento do cargo

A discussão sobre o afastamento de Moredo da presidência da empresa ocorreu na Justiça Cível. Em 18 de agosto, uma decisão da 40ª Vara Cível determinou seu retorno à presidência do grupo por entender que havia irregularidades formais no procedimento disciplinar interno.

Na mesma data, os advogados da empresa protocolaram nova petição afirmando que a decisão cível analisou apenas aspectos processuais e não fez nenhum juízo sobre as acusações criminais. Segundo a petição, diversas denunciantes continuavam trabalhando diretamente no local, e o retorno do executivo representaria risco de intimidação a elas.

O documento solicita a adoção de medidas cautelares como proibição de acesso aos locais de trabalho das denunciantes, proibição de contato com elas e monitoramento eletrônico.

Posteriormente, em despacho assinado na quinta-feira (20), Moredo voltou a ser afastado do cargo.

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