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Por que perícia afastou hipótese de curto-circuito ao apontar falha elétrica como possível causa de incêndio que destruiu escola em SP

Incêndio na Escola Prada: diferentes gerações de alunos lamentam destruição de prédio

G1 — Brasil · 2026-08-22T21:02:35.000Z

Incêndio na Escola Prada: diferentes gerações de alunos lamentam destruição de prédio

Apesar de apontar falha elétrica como possível causa do incêndio de grandes proporções que destruiu a Escola Municipal Prada, em Limeira (SP), em maio deste ano, o laudo do Instituto de Criminalística (IC) minimizou a hipótese de curto-circuito ou sobrecarga na rede de energia.

Por outro lado, o documento cita fenômenos associados a mau contato, conexões deficientes, emendas deterioradas, afrouxamento de terminais e falhas de isolamento como razões mais prováveis.

O laudo foi anexado ao inquérito aberto pela Polícia Civil que apura eventuais omissões que possam ter colaborado para o fogo.

Ao levantar as hipóteses mais e menos prováveis, a perícia considerou que a unidade não estava em atividade regular no momento do incêndio. Por conta disso, com poucos equipamentos em funcionamento, a probabilidade de uma sobrecarga dos circuitos é menor.

Segundo o laudo, a hipótese de curto-circuito também deve ser analisada com cautela, já que em instalações com dispositivos de proteção, esse tipo de incidente tende a provocar a interrupção automática do circuito.

"Para que um curto-circuito isolado atuasse como elemento deflagrador do incêndio, seria necessária a transferência de energia suficiente para promover a ignição de materiais combustíveis presentes nas proximidades, antes da atuação dos sistemas de proteção ou da extinção do arco elétrico", cita.

Incêndio atinge Escola Prada, em Limeira (SP)

Hipóteses mais prováveis

Já ao abordar as hipóteses de mau contato, conexões deficientes, emendas deterioradas, afrouxamento de terminais e falhas de isolamento, o documento afirma que essas condições podem produzir aquecimento localizado por períodos prolongados, sem necessariamente ocasionar o imediato desligamento dos dispositivos de proteção.

"Tais mecanismos podem estar associados ao envelhecimento natural da instalação elétrica, incluindo o ressecamento e a deterioração de capas isolantes de condutores e demais materiais empregados no isolamento elétrico, à ausência ou insuficiência de manutenção, a intervenções realizadas ao longo do tempo ou à execução inadequada de determinados trechos da rede."

Apesar das suspeitas, o órgão ressaltou que, devido à destruição do local, não foi possível determinar de forma conclusiva o que deu início ao fogo.

No documento, o IC cita que o incêndio possivelmente começou na região do entreforro do prédio histórico, espaço onde havia componentes da instalação elétrica e elementos estruturais de madeira, o que favoreceu a propagação do fogo.

A perícia, porém, não identificou vestígios que indicassem que o incêndio tivesse sido causado de propósito nem evidências de que as chamas começaram fora da edificação.

À EPTV, afiliada da TV Globo, o delegado Luiz Guilherme Barbosa afirmou que aguarda documentações para concluir se os órgão municipais podiam ter adotado medidas para evitar o risco do incêndio.

"Precisamos analisar as medidas adotadas pelos órgãos municipais e pela administração da escola para saber se já havia conhecimento do risco. Até o momento não identificamos registros de falhas anteriores ou outros eventos que indicassem a probabilidade da falha elétrica, mas não recebemos ainda todos os documentos requisitados", destacou.

O g1 pediu um posicionamento à Prefeitura de Limeira, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Imagem aérea da Escola Prada em chamas na última sexta-feira (1º)

Espaço sem AVCB

A possibilidade de o incêndio ter começado na fiação elétrica já havia sido levantada à época pelos bombeiros. O edifício não tinha o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).

🔎O AVCB é emitido pelo Corpo de Bombeiros e certifica que o imóvel possui condições adequadas de segurança. Isso inclui itens como extintores, sinalização de emergência, equipamentos de combate a incêndio, portas corta-fogo e outros itens.

Segundo a administração municipal, ao assumir a gestão em janeiro de 2025, foram identificadas "muitas escolas da rede municipal sem o AVCB e com problemas estruturais graves". Naquele momento, 56 escolas estavam irregulares.

A escola completa 80 anos em junho de 2027. O prédio, tombado como patrimônio histórico do município, já fez parte do conjunto Prada, onde funcionava uma das maiores fábrica de chapéus da América Latina.

A estimativa é que cerca de 30 mil alunos já passaram pela unidade desde o início das atividades.

"A gente começou a conversar com arquitetos, engenheiros, e vários deles dizem que é possível recuperar essas paredes e que é possível restaurar. Mas a gente só vai poder definir isso depois que a gente tiver um parecer da polícia científica e também nós vamos contratar um pessoal especializado para poder definir o que é possível reaproveitar ou não", contou o secretário de Educação, Antônio Montesano Neto, à época.

Bombeiro apagando as chamas durante incêndio na escola Prada na última sexta-feira (1º)

Wagner Morente/GCM de Limeira

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