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Seu filho quer um cachorro? Estudo mostra o que importa nessa relação

Seu filho pede um cachorro, promete passear todos os dias, colocar comida e cuidar do animal.

G1 — Brasil · 2026-08-23T08:00:38.000Z

Seu filho pede um cachorro, promete passear todos os dias, colocar comida e cuidar do animal.

Para muitas famílias, a dúvida é conhecida: ter um cãozinho pode fazer companhia, ensinar responsabilidade e criar um vínculo afetivo — mas isso, por si só, não significa que a experiência será benéfica para toda criança ou adolescente.

Um estudo publicado neste mês no periódico científico "Journal of Adolescence" reforça justamente essa ideia.

A pesquisa, feita nos Estados Unidos com 514 adolescentes de 13 a 17 anos com níveis elevados de ansiedade social, analisou como diferentes tipos de relação com os cães estavam associados à maneira como esses jovens lidavam com situações de estresse entre colegas.

🐶 Os pesquisadores avaliaram, por exemplo, quanto tempo os adolescentes passavam com o cachorro, se participavam dos cuidados, se procuravam o animal quando estavam chateados e se o consideravam mais importante do que os próprios amigos.

Apenas sentir carinho pelo cachorro, por outro lado, não apresentou uma associação significativa com essas estratégias.

“Um dos resultados mais consistentes até agora é que a qualidade da relação parece importar, e não apenas se há ou não um cachorro em casa”, explica ao g1 Megan Mueller, professora da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, e diretora de um laboratório que estuda a relação entre pessoas e animais.

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Segundo Mueller, ações concretas, como participar dos cuidados e passar tempo com o cão, podem ter um papel diferente do simples sentimento de carinho.

A hipótese é que essas experiências ajudem o adolescente a exercitar comportamentos que também podem ser úteis diante de outras situações difíceis.

⚠️ Mas há uma diferença importante entre associação e causa.

O estudo não mostra que ter ou cuidar de um cachorro melhora a saúde emocional de um adolescente. Também pode ser que jovens que já lidam melhor com o estresse construam relações diferentes com seus animais.

📝 O que o estudo sugere — e o que ele não permite concluir:

Ter um cachorro, sozinho, não garante benefício emocional.

Companhia e participação nos cuidados apareceram associadas a formas mais saudáveis de enfrentar o estresse.

O estudo não mostra que adotar um cão reduza ansiedade ou resolva dificuldades de relacionamento.

Todos os participantes já tinham cachorro, portanto a pesquisa não comparou adolescentes com e sem animais.

Os resultados foram obtidos com adolescentes com níveis elevados de ansiedade social, por isso não podem ser automaticamente aplicados a todos os jovens.

Um dos achados mais inesperados apareceu justamente quando os adolescentes buscavam o cachorro como fonte de apoio emocional.

Quanto maior esse comportamento, maior também a associação com ruminação — ficar voltando repetidamente ao mesmo problema — e menor com estratégias como tentar reformular pensamentos negativos.

Isso não significa que procurar conforto no animal faça mal. Uma das possibilidades levantadas pelos pesquisadores é que jovens com menos apoio de amigos ou familiares recorram mais ao cachorro nos momentos difíceis.

“Não sabemos ao certo sem pesquisas adicionais, mas suspeitamos que isso possa estar relacionado à ideia de que um cachorro se tornar a principal fonte de apoio social de um adolescente pode refletir a falta de outras conexões sociais”, afirma Mueller.

Ela ressalta que o estudo não permite concluir que a interação com o cão seja a causa desse resultado.

☝️ A pesquisa encontrou algo semelhante entre adolescentes que viam o cachorro como substituto das relações humanas, por exemplo ao dizer que o animal era mais importante do que qualquer amigo.

Esse comportamento também apareceu ligado a algumas formas menos saudáveis de enfrentar o estresse.

Para os pais, isso não significa que um vínculo muito forte com o animal seja um problema. O ponto de atenção é perceber se o cachorro faz parte da rede de afeto do jovem ou se está ocupando quase sozinho o espaço das relações com outras pessoas.

🐾 E, antes de dizer sim ao pedido por um cachorro, a decisão também passa por questões bem práticas.

Mueller recomenda avaliar se todos na família querem o animal, quanto tempo haverá para cuidar e treiná-lo e se tamanho, nível de atividade e personalidade do cão combinam com a rotina da casa.

“O que nossa pesquisa ajuda a destacar é que a qualidade das relações importa e que a dinâmica da família e a relação individual do jovem com o cachorro são fatores importantes para entender qualquer possível benefício”, destaca.

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