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Estações de Leitura levam livros e formação para escolas públicas de SP e aproximam crianças das famílias

Momentos de leitura estimulam a autonomia das crianças na escolha das histórias.

G1 — Brasil · 2026-08-23T09:00:47.000Z

Momentos de leitura estimulam a autonomia das crianças na escolha das histórias.

Nas salas de aula da EMEI Afonso Sardinha, em Pirituba, na Zona Norte de São Paulo, os livros ganharam novos caminhos para chegar às crianças. Desde o segundo semestre de 2024, a escola participa das Estações de Leitura, programa do Pró-Saber SP, organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua em Paraisópolis, na Zona Sul da capital, desde 2003 e trabalha com educação, leitura e brincadeira.

O programa leva acervo literário, mobiliário e formação continuada para escolas públicas de Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental, além de organizações sociais que atendem crianças. A proposta é ampliar o acesso à literatura e contribuir para a formação de leitores, com circulação dos livros pelas escolas, empréstimos para casa e formação de educadores.

O projeto também atua em um cenário em que apenas 13% das escolas públicas do estado de São Paulo possuem biblioteca, segundo levantamento da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), com base em dados do Censo Escolar de 2022. No Brasil, o percentual é de 31%.

Questionada sobre ações para ampliar o acesso a bibliotecas e espaços de leitura na rede estadual, a Secretaria da Educação de São Paulo afirmou que incentiva práticas de leitura, escrita e pesquisa e que as Salas de Leitura integram o trabalho pedagógico das escolas. A pasta também destacou as plataformas Elefante Letrado e Leia SP, que ampliam o acesso dos estudantes a obras literárias.

Professora da rede municipal de São Paulo há 25 anos, Simone Dantas Lopes Bertaggia, de 58 anos, foi escolhida pela gestão da escola para ser a "guardiã" das Estações de Leitura. Segundo ela, a iniciativa ampliou as possibilidades de contato das crianças com a literatura.

"Para nós foi um grande privilégio poder participar de um programa de acesso à leitura que percorre todos os cantos do país levando, sem barreiras, uma literatura infantil diversa, acessível e representativa para todas as crianças", afirma Simone.

As Estações passaram a circular pelas 14 salas da escola. A cada semana, uma turma recebe o espaço e, na sexta-feira, as crianças podem escolher um livro para levar para casa e compartilhar a leitura com a família.

"A chegada das Estações de Leitura do Instituto Pró-Saber SP enriqueceu o acervo da nossa escola, com títulos diferenciados e ampliando as possibilidades de acesso das crianças e famílias à literatura, promovendo experiências diversificadas, significativas e inclusivas", diz a professora.

16 instituições em cinco municípios de SP

Em 2026, as Estações de Leitura estão presentes em 16 instituições de cinco municípios paulistas: São Paulo, Cajamar, Taboão da Serra, Indaiatuba e Guarulhos. São seis instituições na capital, seis em Cajamar, duas em Taboão da Serra, uma em Indaiatuba e uma em Guarulhos.

Escolas e organizações onde as Estações de Leitura está presente

O relatório do programa aponta que a rede ativa tem, ao todo, 47 instituições, 86 Guardiãs da Leitura e 22.086 alunos, distribuídos por 23 cidades de 12 estados. Entre fevereiro e junho deste ano, foram registrados 12.505 empréstimos de livros.

A EMEI Afonso Sardinha, em Pirituba, é uma das escolas que aparece entre as instituições de destaque do primeiro semestre, com participação superior a 89% nas ações avaliadas pelo programa.

Mais do que entregar livros

Para Maria Cecília Lins, diretora-presidente do Pró-Saber SP, o objetivo do projeto não é apenas colocar livros dentro das escolas. A proposta combina a criação ou a renovação dos espaços de leitura com formação dos educadores e uma rede de troca de experiências.

"Mais do que instalar uma estante e entregar livros, o programa busca fazer com que cada Estação se torne um espaço vivo: com leitura frequente em voz alta, empréstimo de livros para casa, participação das famílias, atividades literárias e circulação de experiências entre as instituições", afirma Maria.

A iniciativa começou a ser desenhada em dezembro de 2023 e teve um projeto-piloto em 2024. A experiência acumulada pelo Pró-Saber SP em mais de duas décadas de trabalho com formação de leitores em Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo, serviu de base para a criação da rede nacional de Guardiões da Leitura.

O programa foi criado para enfrentar três desafios identificados na rotina educacional: garantir a leitura literária em voz alta diariamente, ampliar o acesso das crianças aos livros em casa e reconhecer e fortalecer os educadores que promovem a leitura nas escolas e organizações.

"A proposta parte do entendimento de que formar leitores não depende somente da presença dos livros. É necessário que os livros circulem, sejam lidos, provoquem conversas e façam parte da vida das crianças dentro e fora da escola", diz Maria.

Festa dos 100 livros do Pró-Saber SP

Uma das estratégias é o Ler em Casa, que estimula os empréstimos frequentes de livros para que as crianças possam continuar a experiência de leitura com familiares. Outra é a Festa dos 100 Livros, que celebra quando uma turma alcança a marca de 100 histórias lidas em voz alta pelo educador.

"Eu costumo fazer uma comparação: se comemoramos o centésimo gol de um jogador de futebol, por que não celebrar com a mesma importância o marco de 100 livros na vida de uma criança?", afirma Maria. "Formar-se como leitor também é uma grande conquista e merece ser reconhecida publicamente."

Crianças também levam a leitura para casa

A circulação dos livros para além dos muros da escola é uma das principais apostas do programa. Entre fevereiro e junho, foram 12.505 empréstimos.

Na EMEI Afonso Sardinha, Simone conta que o momento de escolher o livro é pensado para que as crianças tenham autonomia.

"A Estação de Leitura do projeto percorre por todas as quatorze salas, levando histórias, experiências, sonhos e descobertas, fazendo da leitura uma experiência viva, acessível e cheia de encantamento para cada criança", afirma.

A escola também participa das formações oferecidas pelo Pró-Saber SP. Entre fevereiro e junho, foram realizados cinco encontros formativos, com temas como livros de imagem, contação de histórias, compartilhamento de práticas e leitura em família.

"O encontro dos guardiões fortalece a troca de experiências, amplia os olhares sobre a literatura infantil e reafirma a importância de criar, no cotidiano escolar, espaços que aproximem as crianças dos livros e da leitura", afirma Simone.

Curadoria parte de biblioteca em Paraisópolis

A seleção dos livros que chegam às Estações de Leitura é feita pela equipe do Pró-Saber SP a partir da experiência da Biblioteca Mais Linda do Mundo, em Paraisópolis. O espaço funciona como polo cultural aberto à comunidade e mantém livros disponíveis para empréstimo aos moradores.

A curadoria considera a qualidade literária e estética das obras e busca reunir diferentes gêneros, formatos, autores, ilustradores e representações da infância, incluindo produções de autores indígenas e afro-brasileiros.

Contação de História na Biblioteca do Pró-Saber SP, em Paraisópolis, Zona Sul de SP

QR Code registra experiências de leitura

Os livros também podem ser acompanhados por QR Codes que permitem que crianças e familiares gravem relatos em áudio sobre as histórias lidas. Eles podem contar o que entenderam, sentiram ou pensaram a partir da leitura.

Os registros ajudam o programa a acompanhar a circulação dos livros e as experiências de leitura em diferentes territórios.

Mais de 12,5 mil empréstimos de livros foram registrados pela rede entre fevereiro e junho de 2026.

Escolas públicas de Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental, além de organizações sociais que atendem crianças, podem se inscrever para receber uma Estação de Leitura. O período de inscrições pode variar e é divulgado pelo Pró-Saber SP em seu site e nas redes sociais da instituição. As escolas e organizações interessadas devem acompanhar os canais oficiais para saber quando o processo estiver aberto.

As instituições selecionadas recebem o acervo literário e o mobiliário e passam a integrar a rede de formação e troca de experiências do programa.

Desde a criação do programa, 57 escolas e organizações já receberam Estações de Leitura, alcançando mais de 26,8 mil crianças. Ao longo desse período, cerca de 12 mil livros foram enviados às instituições.

Na avaliação de Simone, o resultado aparece justamente na possibilidade de transformar o contato com os livros em uma experiência cotidiana.

"E assim, entre histórias, encontros e formações seguimos construindo uma escola onde todos têm voz e cada experiência de leitura contribui para o fortalecimento dos vínculos, desenvolvimento e aprendizagens das crianças", finaliza.

Leitura em voz alta aproxima as crianças das histórias e transforma o contato com os livros em uma experiência compartilhada.

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