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O que se sabe sobre o caso do adolescente esfaqueado pelo colega em escola particular de Ribeirão Preto, SP

Aluno diz à polícia que sofreu bullying antes de dar facada no colega em escola particular

G1 — Brasil · 2026-08-23T16:31:57.000Z

Aluno diz à polícia que sofreu bullying antes de dar facada no colega em escola particular

A Polícia Civil investiga as circunstâncias do caso que levou um adolescente de 14 anos esfaquear o colega, de 13, dentro de um colégio particular em Ribeirão Preto (SP).

O ataque aconteceu na manhã de sexta-feira (21), no Colégio Itamarati, na Zona Sul da cidade. A faca utilizada tinha 11 centímetros e ficou alojada nas costas da vítima, que precisou passar por cirurgia. O estado de saúde é estável.

O responsável pela facada chegou a ser encaminhado para a Fundação Casa, mas o Juizado da Infância e Juventude decidiu que ele responderá em liberdade.

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O caso foi registrado pela Polícia Civil como ato infracional análogo a tentativa de homicídio, uma vez que o agressor é menor de idade.

Aluno é esfaqueado por colega dentro de colégio na Zona Sul de Ribeirão Preto

Aluno diz à polícia que sofreu bullying antes de dar facada no colega em escola particular da

Adolescente esfaqueado por colega passou por cirurgia e quadro é estável

Em depoimento, ele disse que agiu porque vinha sofrendo bullying de colegas. A seguir, veja o que se sabe sobre o caso:

Quem são os envolvidos?

Como aconteceu a agressão?

Qual foi a motivação?

O que diz a escola?

O que diz a defesa do adolescente?

O que diz a família do adolescente ferido?

Como o caso é investigado?

Aluno é esfaqueado por colega durante intervalo em escola particular de Ribeirão Preto, SP

Eudis Filho/ CBN Ribeirão

1. Quem são os envolvidos?

Os envolvidos são dois adolescentes que estudam na 8ª série do Colégio Itamarati, na Zona Sul de Ribeirão Preto.

O adolescente responsável pela facada tem 14 anos e o adolescente ferido tem 13. Os dois se conheciam e estudavam na mesma sala.

Por serem menores de idade, as identidades deles não serão reveladas.

2. Como aconteceu a agressão?

A agressão aconteceu dentro do colégio particular, que fica no Jardim Irajá, na manhã de sexta-feira. Segundo a Polícia Militar, a vítima foi atacada no pátio da escola, durante o intervalo das aulas.

Ainda segundo a PM, o adolescente que esfaqueou o colega entrou em uma área da cozinha à qual os alunos não têm acesso, pegou uma faca e atingiu as costas da vítima. A faca, de aproximadamente 11 centímetros, ficou alojada no corpo do jovem e perfurou o pulmão.

Em nota divulgada no sábado (22), o Colégio Itamarati disse que a faca não possui compatibilidade com o acervo de materiais da escola.

O adolescente ferido foi socorrido e encaminhado para um hospital particular, onde passou por cirurgia e está estável. O adolescente que atacou o colega foi encaminhado para a Fundação Casa, mas vai responder pelo ato infracional em liberdade.

As aulas foram suspensas no período da tarde da sexta-feira, quando o caso aconteceu.

3. Qual foi a motivação?

Em depoimento à Polícia Civil, o adolescente disse que agiu porque vinha sendo alvo de bullying por parte de colegas.

Segundo o delegado Haroldo Chaud, as humilhações aconteciam por meio de mensagens em um grupo de WhatsApp formado por estudantes da escola e teriam começado após o adolescente pedir ajuda para um trabalho.

"Ele falou que tudo começou com uma provocação via internet, via rede social entre os próprios alunos, com ofensas, humilhações ou bullying. E ele, de forma inopinada, reagiu com essa agressão, que poderia até ter provocado a morte da vítima".

O g1 teve acesso a prints que mostram ofensas direcionadas ao adolescente. Em algumas mensagens, ele é chamado de "resto de aborto" e ainda perguntam se ele quer morrer, ao que ele responder que não.

Prints de conversas do celular do adolescente que esfaqueou o colega

4. O que diz a escola?

Na nota divulgada no sábado, o Colégio Itamarati informou que desenvolve ações de prevenção e conscientização sobre bullying e cyberbullying e afirmou que as conversas trocadas entre os alunos não configuram a prática de bullying dentro da unidade.

"O Colégio Itamarati desenvolve continuamente ações de prevenção e conscientização sobre bullying e cyberbullying, promovendo entre nossos alunos relações pautadas pelo respeito, pelo diálogo e pela convivência saudável. Entretanto, no caso, foi identificada uma conversa pontual entre alunos em ambiente virtual, fora do horário e ambiente escolar, o que não configura a prática sistemática e reiterada de bullying".

O colégio também informou que desligou o aluno suspeito de agredir o colega e que as aulas serão retomadas normalmente nesta segunda-feira (24).

5. O que diz a defesa do adolescente que agrediu o colega?

Segundo o advogado Daniel Rondi, que defende o adolescente, ele tem transtorno do espectro autista e afirmou que utilizou uma faca encontrada dentro da escola para se defender de agressões dos mesmos colegas que, segundo ele, o humilhavam no pátio.

“Adolescente não comete crime, é um ato infracional, mas é um ato infracional de ocasião. Esse menino vinha sofrendo várias agressões psicológicas, verbais”.

6. O que diz a família do adolescente ferido?

A família do adolescente ferido se pronunciou, também no sábado, por meio de nota, e informou que ele permanece hospitalizado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e apresenta boa recuperação.

Segundo a nota, toda a atenção está voltada à recuperação do jovem neste momento e a família está profundamente abalada. Eles também negaram qualquer briga anterior que justificasse o ataque.

"As circunstâncias do episódio serão oportunamente esclarecidas às autoridades competentes. Não houve qualquer enfrentamento ou briga entre os adolescentes antes da agressão. A vítima estuda na instituição há mais de dez anos. Sempre foi um menino amoroso, educado e respeitoso com todos e nunca se envolveu em brigas ou ocorrências disciplinares, o que pode ser atestado pela própria escola".

7. Como o caso é investigado?

O caso foi registrado como ato infracional análogo a tentativa de homicídio pela Polícia Civil, que pediu o recolhimento do adolescente na Fundação Casa. Apesar disso, o Juizado da Infância e Juventude decidiu que o jovem vai responder em liberdade.

Segundo o delegado Haroldo Chaud, as investigações seguem em andamento e a polícia quer descobrir as circunstâncias da agressão, a origem da faca e as motivações do adolescente.

"Ninguém esperava um fato desse acontecer, mas vai ser objeto de uma operação mais detalhada".

Fachada do Colégio Itamarati em Ribeirão Preto (SP)

*Sob a supervisão de Flávia Santucci

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