ITATIBA1

Quase metade da população do Alto Tietê está inadimplente, aponta Serasa

Quase metade dos moradores do Alto Tietê está inadimplente, aponta Serasa

G1 — Brasil · 2026-07-23T10:08:38.000Z

Quase metade dos moradores do Alto Tietê está inadimplente, aponta Serasa

Quase metade da população do Alto Tietê está inadimplente. De acordo com o Mapa de Inadimplência da Serasa, referente ao mês de junho deste ano, 46,39% dos moradores da região têm dívidas em atraso.

Esse total representa mais de 754 mil pessoas. Entre todas as dez cidades da região, Poá tem o maior percentual de inadimplentes: mais da metade da população possui dívidas em atraso. Ferraz de Vasconcelos também registra índice superior a 50%, seguida por Itaquaquecetuba e Suzano.

✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp

Na outra ponta do levantamento, Salesópolis e Biritiba-Mirim aparecem com os menores percentuais de inadimplência da região. Confira:

Além do número de pessoas com contas em atraso, o levantamento também mostra o tamanho do endividamento na região. Juntas, as dívidas dos moradores do Alto Tietê somam mais de R$ 5 bilhões.

Veja o ranking dos valores devidos por cidade:

Salesópolis - Dívida: R$ 35.294.197,00

Mogi das Cruzes - Dívida: R$ 1.499.540.644,00

Itaquaquecetuba - Dívida: R$ 1.151.402.990,00

Suzano - Dívida: R$ 1.050.944.541,00

Ferraz de Vasconcelos - Dívida: R$ 589.374.242,00

Poá - Dívida: R$ 415.167.456,00

Arujá - Dívida: R$ 337.416.203,00

Santa Isabel - Dívida: R$ 152.714.235,00

Guararema - Dívida: R$ 104.890.049,00

Biritiba-Mirim - Dívida: R$ 68.851.768,00

Desse total de dívidas, existem pessoas com dívidas altas e mais baixas. De acordo com o levantamento da Serasa:

o valor médio de dívida por pessoa é de R$ 7.160;

o valor médio de cada dívida é de R$ 1.419,29 (há pessoas com mais de uma dívida).

Apesar do cenário, planejamento e organização financeira podem ajudar a sair do vermelho.

Planejamento é necessário para evitar dívidas

A psicóloga Cláudia Freitas conhece de perto os desafios de manter as contas em dia. Além das despesas pessoais, ela também administra as finanças do consultório. No passado, chegou a ficar endividada, mas diz que conseguiu reorganizar a vida financeira com planejamento.

Segundo ela, ter controle sobre o orçamento trouxe mais tranquilidade para o dia a dia.

"A gente evita muita questão da ansiedade, do estresse, porque é como se você andasse no escuro: 'Ah, tá, vou gastar', 'Não, mas acho que dá para pagar'. Então, 'achar', né, não traz segurança para a gente, tem que ter certeza do que tá acontecendo" conta.

Prefeitura de Guararema abre concurso com 10 vagas e salários de até R$ 16,8 mil

Alto Tietê tem mais de 4,3 mil vagas de emprego nesta quarta-feira; veja lista

De acordo com ela, todos os gastos da vida pessoal e do consultório são anotados primeiro no papel e, depois, registrados em uma planilha. Com esse controle, Cláudia consegue acompanhar as despesas, estabelecer metas e definir como o dinheiro será utilizado.

Ela afirma que também buscou ajuda profissional para melhorar a administração das finanças.

"Senti a necessidade de contratar uma contabilidade e um educador financeiro para me dar suporte. Quando nós começamos visualizar, né, o panorama que a gente tá: para onde tá indo seu dinheiro?" explicou.

Claudia Freitas e Rafael Henrique da Silva

O contador Rafael Henrique da Silva explica que quem está endividado deve priorizar o pagamento das dívidas com juros mais altos, já que elas tendem a crescer mais rapidamente.

"Tem que analisar quais contas ela tem ali em atraso, verificar qual tem mais juros e priorizar essa negociação. Por exemplo, o cartão de crédito tem juros rotativos muito altos. O ideal é renegociar com o banco ou com a empresa e entender qual dívida vai gerar menos custo. Nossa Selic está em 14% e isso influencia diretamente no aumento da dívida da pessoa".

Segundo o contador, quem tem empresa também deve separar completamente as finanças pessoais das empresariais para evitar problemas no controle financeiro e na gestão do negócio.

Para quem quer sair do vermelho, Rafael recomenda começar pelo controle das receitas e despesas.

"Pegar a receita dela, o quanto ela recebe naquele mês, e anotar as despesas. Vão ter despesas fixas, como água, luz e internet, e também os gastos extras. É importante registrar tudo para identificar quanto foi gasto no mês. Olhar a fatura do cartão de crédito, as contas que chegam em casa e fazer um relatório."

E não importa como, o importante é se planejar. "Pode ser em um caderno ou no celular. Também vale colocar lembretes para não esquecer as datas de vencimento. Às vezes a pessoa atrasa uma conta simples e acaba pagando juros. Para quem já está endividado, qualquer valor faz diferença."

Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda

O Desenrola 2.0 é voltado para brasileiros endividados com o sistema bancário que têm renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105.

Serão feitos novos empréstimos, pelos bancos, para dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).

A dívida renegociada terá:

Descontos entre 30% e 90%;

Taxa de juros máxima de 1,99% ao mês;

Até 48 meses de prazo;

Prazo de até 35 dias para pagamento da primeira parcela;

Limite da nova dívida (após descontos) até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira;

Também será permitido ao trabalhador usar 20% do saldo da conta do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ou até R$ 1 mil, o que for maior, para pagar parcial ou integralmente dívidas

Leia no Itatiba1 →