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Marluci Cabrera Bellini Henares e Djalma Antônio Henares Júnior, condenados por tortura em clínica de reabilitação de Ribeirão Preto (SP).
G1 — Brasil · 2026-08-24T07:01:17.000Z
Marluci Cabrera Bellini Henares e Djalma Antônio Henares Júnior, condenados por tortura em clínica de reabilitação de Ribeirão Preto (SP).
Os episódios de tortura a dependentes químicos em uma clínica de reabilitação de Ribeirão Preto (SP) ocorridos há mais de 12 anos recentemente voltaram a ganhar repercussão com as condenações dos responsáveis.
Depois que todos os recursos se esgotaram, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou em junho a pena de 17 anos e seis meses de prisão para quatro pessoas, que passaram a ser consideradas foragidas pelas autoridades brasileiras.
Três delas acabaram presas, entre elas o psicólogo Djalma Henares e a ex-mulher e advogada Marluci Bellini, presos enquanto viviam em Portugal depois de serem listados entre os procurados na Polícia Internacional (Interpol).
Enquanto tenta encontrar uma quarta pessoa, a médica Maria Tereza Bellini, irmã de Marluci, a justiça brasileira aguarda a avaliação de um pedido de extradição do casal preso em solo europeu.
A seguir, veja o que se sabe sobre o caso de tortura no interior de São Paulo e os desdobramentos 12 anos depois:
Onde fica a clínica e o que as investigações apontaram?
O Centro de Tratamento e Recuperação de Álcool e Drogas funcionava em Ribeirão Preto, no Recreio das Acácias.
A investigação teve início em 2014, motivada por relatos de ex-internos e mães que procuraram a Promotoria de Justiça. No dia 5 de agosto daquele ano, agentes da Polícia Civil e do Ministério Público cumpriram mandados de busca e apreensão no estabelecimento.
Dez pacientes foram retirados da clínica pelas autoridades, que também apreenderam pedaços de madeira, cordas e faixas hospitalares utilizados para conter os internos.
Os trabalhos apontaram que a clínica funcionava como um ambiente de violência sistemática e maus-tratos.
Clínica de reabilitação de Ribeirão Preto denunciada em 2014 por tortura contra pacientes.
Segundo depoimentos de ex-internos, as vítimas eram submetidas a agressões com pedaços de madeira e tacos de bilhar, eram amarradas por períodos prolongados e expostas a castigos e humilhações públicas, incluindo a obrigação de caminhar sem roupas pelo local.
Também foi constatado o uso forçado e sem receita médica de uma mistura de sedativos controlados apelidada de "danoninho", administrada para anular qualquer resistência dos pacientes.
Quem são os réus e onde eles estão?
Os réus denunciados e condenados são os sócios-proprietários Djalma Antonio Henares Junior, a ex-esposa Marluci Cabrera Bellini Henares e a cunhada dele, Maria Tereza Cabrera Bellini, que atuava como médica psiquiatra e responsável técnica da clínica.
O quarto réu é o monitor de segurança Angelo Bellini Neto, sobrinho de Djalma e de Maria Tereza.
Justiça inicia processo de extradição de casal ligado a clínica de Ribeirão Preto
Djalma, de 56 anos, e Marluci, de 49, estão presos em Portugal. Djalma foi detido no dia 9 de julho, na cidade de Amadora, região metropolitana de Lisboa, enquanto Marluci foi capturada em 17 de julho, na ilha de São Miguel, no arquipélago autônomo dos Açores.
Os dois permanecem sob custódia preventiva das autoridades portuguesas aguardando o julgamento do processo de extradição para o Brasil.
Pedaços de madeira apreendidos em clínica de reabilitação denunciada por tortura em Ribeirão Preto em 2014.
O monitor de segurança Angelo Bellini Neto foi detido em Cravinhos (SP), na região de Ribeirão Preto. Já a médica psiquiatra Maria Tereza Cabrera Bellini está foragida.
Mandados de busca foram expedidos em endereços profissionais e residenciais em Ribeirão Preto e Cravinhos, mas ela não havia sido localizada pelas autoridades policiais.
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Por que o processo se estendeu por 12 anos?
O intervalo de 12 anos entre as primeiras diligências em 2014 e as prisões deste ano está associado à complexidade das provas e aos recursos que foram apresentados no processo. A denúncia contra os quatro réus foi apresentada pelo Ministério Público em junho de 2017.
Na fase de instrução, a Justiça obteve o depoimento de dezenas de pessoas, entre elas 24 ex-internos, testemunhas de acusação e de defesa, além do depoimento de investigadores de polícia e do delegado responsável pelo inquérito inicial.
Em janeiro de 2020, o processo ainda se encontrava na fase de oitiva de testemunhas e produção de provas na 2ª Vara Criminal de Ribeirão Preto.
Diligências em clínica de reabilitação em 2014 denunciada por tortura em Ribeirão Preto (SP).
Após a sentença de primeiro grau no final de 2020, a defesa dos réus entrou com recursos em instâncias superiores.
Com isso, o processo chegou ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e, posteriormente, ao Superior Tribunal de Justiça, em Brasília.
A condenação definitiva, com o trânsito em julgado, só ocorreu em junho de 2026, o que permitiu que a juíza Carolina Moreira Gama, da 2ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, expedisse as ordens de prisão contra os réus.
Por que parte dos réus entrou na lista da Interpol?
A inclusão dos nomes de Djalma Henares e Marluci Bellini na lista de procurados da Interpol se deu se em razão da mudança do casal para o exterior no início das investigações criminais.
Após o fechamento da clínica em 2014, o Ministério Público requereu a decretação da prisão preventiva dos investigados, mas a medida inicialmente foi negada, o que permitiu que os dois respondessem ao inquérito e às fases preliminares do processo em liberdade.
Sem restrições, Marluci e Djalma deixaram o Brasil legalmente em fevereiro de 2017 e fixaram residência em território português.
Durante os anos em que viveram em Portugal, a advogada Marluci Henares chegou a atuar como instrutora de zumba na região autônoma dos Açores, e Djalma atuou como psicólogo e instrutor de jiu-jitsu.
Com o trânsito em julgado da condenação em junho de 2026, a Justiça de Ribeirão Preto expediu os mandados de prisão definitiva contra os réus.
Como Marluci e Djalma não se apresentaram espontaneamente, o promotor de Justiça Augusto Soares de Arruda Neto solicitou a inclusão de ambos na Difusão Vermelha da Interpol. A partir desse registro, a polícia portuguesa executou a prisão de ambos em julho de 2026.
Marluci Cabrera Bellini Henares atuou como professora de zumba em Portugal antes de ser condenada e presa por tortura em clínica de reabilitação no Brasil.
O que vai acontecer com os réus presos em Portugal?
Os cidadãos brasileiros Djalma Antonio Henares Junior e Marluci Cabrera Bellini Henares estão submetidos a processos de extradição judicial ativa em andamento perante a jurisdição portuguesa.
O Ministério Público formalizou pedidos de extradição por meio de canal diplomático que envolve o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
O objetivo é que os presos sejam transferidos ao Brasil para iniciar o cumprimento das penas em regime fechado.
O Ministério Público do Brasil rejeitou a petição apresentada pela defesa dos réus perante a corte portuguesa, em que manifestavam desejo de cumprir a pena de prisão em Portugal. O argumento foi de que a competência penal e a soberania do julgamento pertencem ao Brasil.
O que dizem os réus?
Ao longo das investigações, Djalma, Marluci e Maria Tereza negaram a autoria dos abusos.
Djalma Antonio Henares Junior declarou que a clínica seguia padrões terapêuticos aceitáveis e protocolos médicos vigentes à época.
A médica psiquiatra Maria Tereza Bellini afirmou que a conduta dela se restringia à avaliação e prescrição de medicamentos, alegando desconhecer ocorrências de violência física ou psicológica contra os internos.
Procurados pela EPTV, afiliada da TV Globo, após as prisões, os advogados de Djalma, Marluci e Maria Tereza declararam que não iriam se manifestar sobre os mandados de prisão e sobre as condenações.
Condenado por tortura em clínica de reabilitação no Brasil, Djalma Henares atuou como psicólogo, escritor e instrutor de jiu-jitsu em Portugal.
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