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O filme "Nosso Segredo", primeiro longa-metragem dirigido por Grace Passô, foi o grande vencedor da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Filmada em Belo Horizonte, a produção tem como principal cenário a casa onde a diretora passou…
G1 — Brasil · 2026-08-24T08:03:44.000Z
O filme "Nosso Segredo", primeiro longa-metragem dirigido por Grace Passô, foi o grande vencedor da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Filmada em Belo Horizonte, a produção tem como principal cenário a casa onde a diretora passou a infância, no bairro Jardim Inconfidência, na Região Noroeste da capital.
Além de conquistar o prêmio de Melhor Longa-Metragem Brasileiro, o longa, que acompanha uma família negra tentando reconstruir a rotina após a morte do pai, também levou os Kikitos de Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte. Antes de chegar a Gramado, a produção já havia passado por festivais internacionais, entre eles a Berlinale, na Alemanha, e estreia nos cinemas brasileiros em 27 de agosto.
A escolha da locação tem relação direta com a história contada na tela. Cerca de 90% da narrativa se passa dentro da casa da família retratada no filme. Para Grace, gravar no imóvel onde cresceu trouxe uma dimensão pessoal à obra, mas também permitiu abordar experiências compartilhadas por muitas famílias brasileiras.
"É a minha casa de infância, é a casa da minha família. Era uma casa daquelas que sempre estavam em construção. Isso que é tão comum no Brasil, na América Latina... Sempre tem a promessa de um cômodo a ser construído ou a ser reformado. A casa sempre foi um sonho. O lugar da minha infância, a casa que minha família passou a vida inteira para conseguir fazer. Está agora eternizada no no filme", disse em entrevista à TV Globo.
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Filmado em Belo Horizonte, "Nosso Segredo" acompanha uma família negra que enfrenta os primeiros dias de luto após a perda do pai. Enquanto tentam manter a rotina, os personagens lidam de formas diferentes com a ausência dele. A trama gira em torno do filho caçula, interpretado por Efraim Santos, que guarda um segredo capaz de mudar a forma como a família atravessa esse processo.
"Uma das dificuldades dessa família em relação a sentir essa dor e expressar essa dor tem a ver com o fato de que eles têm que trabalhar. É uma coisa muito comum nas nossas vidas. Morreu alguém muito querido, mas no outro dia tem que trabalhar."
A diretora também destacou que a produção buscou caminhos diferentes dos normalmente vistos no cinema brasileiro.
"Eu diria que uma das coisas mais legais e que eu mais me orgulho em 'Nosso Segredo' é a coragem da linguagem dele", disse.
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Cinema mineiro negro
Grace Passô também destacou a força da produção audiovisual feita em Minas Gerais, especialmente por realizadores negros e periféricos.
Para ela, Belo Horizonte já se consolidou como uma referência nacional nesse movimento e tem contribuído para aproximar o público das histórias e dos cenários retratados na tela.
A diretora afirmou também que a presença da cidade nas produções ajuda a criar identificação com o público e fortalece o sentimento de pertencimento.
"Sempre quando alguém vê uma rua por onde passa todos os dias em um filme, isso dá uma sensação de pertencimento muito grande. A arte vai ficando menos distante e se tornando uma expressão nossa mesmo, com os nossos quintais, as nossas cores e o nosso sotaque", concluiu.