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Padre exorcista do RS diz que trabalho 'não é como o dos filmes' e que maioria dos casos não é sobrenatural: 'Ouvem barulhos em casa e já acreditam'

Primeiro padre exorcista da Serra do RS assume função com fila de espera para atendimento

G1 — Brasil · 2026-08-24T11:58:08.000Z

Primeiro padre exorcista da Serra do RS assume função com fila de espera para atendimento

O primeiro padre nomeado exorcista na Serra Gaúcha explica que gritos, objetos que voam e forças sobrenaturais não fazem parte da sua atuação no cargo — pelo menos, não são a rotina. Daniel D'Agnoluzzo Zatti foi nomeado em julho para atuar no Ministério do Exorcismo da Diocese de Caxias do Sul. Ele é o primeiro padre da Serra Gaúcha nomeado para a função e já recebe procura por atendimentos.

Daniel afirma que os casos recebidos na maioria das vezes estão relacionados a questões emocionais e de saúde mental, e não a razões sobrenaturais.

"São muitas situações. Quadros psíquicos distintos, quadros de depressão profunda. Às vezes, ouvem barulhos dentro de casa e já acreditam que a explicação é o sobrenatural", diz.

Antes de qualquer ritual, o Ministério do Exorcismo faz uma investigação. Daniel montou uma equipe com profissionais da saúde, entre psicólogos e psiquiatras, para acompanhar os casos. O padre explica que o ritual de exorcismo só é considerado depois desse processo.

"Não é como o dos filmes. O ritual só acontece depois de um processo minucioso de discernimento que envolve profissionais da saúde mental, da área médica. Temos uma equipe que avalia em cada caso, acompanha desde o início", afirma.

A maior parte dos casos é encerrada nessa etapa de investigação. Segundo o padre, apenas entre 5% e 10% das pessoas que procuram o ministério chegam à etapa que envolve o exorcismo.

Diocese de Caxias do Sul nomeou o padre Daniel D'Agnoluzzo Zatti para atuar no Ministério do Exorcismo

Quais são os critérios para um exorcismo?

O padre segue o rito oficial de exorcismo publicado pelo Vaticano em 1998, que atualizou um protocolo de 1614. O documento estabelece critérios que podem indicar, segundo a Igreja Católica, uma possível ação de espírito maligno. Entre eles estão:

falar idiomas que a pessoa não conhece;

fornecer informações que, em princípio, não teria como saber;

demonstrar força física incompatível com as condições da pessoa;

apresentar aversão a símbolos sagrados.

Daniel ressalta que não existe uma fórmula para determinar se um caso é ou não sobrenatural.

"O discernimento não é simples, não há uma fórmula matemática que nos dá uma resposta objetiva. Ele também parte de uma leitura global da vida da pessoa", afirma.

"Ministério de caridade e misericórdia"

Mesmo convivendo com relatos de casos anteriores, o padre Daniel não sente medo do trabalho e define o exorcismo como uma prática voltada ao bem.

"É um meio extraordinário misteriosamente permitido por Deus. Não é derrota de Deus, mas é permissão de Deus para daí extrair um bem maior e também esse bem misterioso, embora em muitos momentos evidente", afirma.

Para o padre, é acima de tudo, uma forma de ajudar quem precisa.

"O Ministério do Exorcismo sobretudo se caracteriza como o ministério de caridade e de misericórdia. A pessoa nunca sai pior, ela sempre sai melhor do exorcismo", diz.

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