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Reino Unido vai compartilhar arma secreta com a Ucrânia; saiba o que é o 'Storm Shadow'

O Reino Unido deve dar acesso à Ucrânia ao sistema de mísseis Storm Shadow, desenvolvidos em parceria com a França. A medida, anunciada nesta segunda-feira (24) pelo primeiro-ministro Andy Burnham, permitirá que os ucranianos produzam as armas no próprio país.

G1 — Mundo · 2026-08-24T14:43:16.000Z

O Reino Unido deve dar acesso à Ucrânia ao sistema de mísseis Storm Shadow, desenvolvidos em parceria com a França. A medida, anunciada nesta segunda-feira (24) pelo primeiro-ministro Andy Burnham, permitirá que os ucranianos produzam as armas no próprio país.

🔎O Storm Shadow, como o míssil é chamado no Reino Unido, e o SCALP, nome usado pela França, são versões da mesma arma, desenvolvida pela fabricante europeia MBDA.

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A Ucrânia já utiliza os dois mísseis contra alvos militares russos. Eles são lançados por aviões de combate e usados principalmente contra instalações protegidas, como bunkers e centros de comando.

A transferência de tecnologia, porém, não deve mudar o rumo da guerra de imediato. A produção de um míssil desse é cara - cerca de 1 milhão de libras (R$ 7,02 milhões) -, e exige uma cadeia de fornecedores que ainda precisará ser estruturada em território ucraniano.

Especialistas avaliam que pode levar anos até que a produção local alcance uma escala relevante. A familiaridade da Ucrânia com o Storm Shadow e o SCALP pode acelerar o processo, mas não elimina os desafios industriais.

A dificuldade expõe um problema mais amplo enfrentado pelos países ocidentais. Reino Unido e outros integrantes da Otan passaram décadas investindo em armas de alta tecnologia, mas produzidas em quantidades relativamente pequenas. Em uma guerra longa, os estoques podem acabar rapidamente.

O próprio Reino Unido mudou sua estratégia. O país deixou de comprar novos Storm Shadow e passou a desenvolver um novo míssil de longo alcance, o Brakestop, com menos dependência de componentes estrangeiros e custo inferior ao da arma franco-britânica.

A Ucrânia, por outro lado, ampliou rapidamente sua indústria militar durante a guerra. O país passou a produzir drones e outros armamentos em grande escala, usando em alguns casos componentes comerciais de baixo custo. Os drones de longo alcance se tornaram uma das principais formas de Kiev atacar instalações russas a centenas de quilômetros da fronteira.

Esse avanço, porém, não resolve todos os problemas. A Ucrânia ainda depende de países aliados para armas mais complexas, principalmente sistemas capazes de interceptar mísseis balísticos russos.

O exemplo mais urgente é o Patriot, fabricado nos Estados Unidos. A escassez de interceptadores tem deixado parte da defesa aérea ucraniana vulnerável às ondas de ataques russos. Em agosto, o presidente Volodymyr Zelensky disse que as entregas de interceptadores em 2026 haviam caído para cerca de um terço do volume recebido no ano anterior.

A falta de Patriots também se agravou por causa da demanda gerada por outros conflitos. A Ucrânia pediu autorização para fabricar os interceptadores em seu território, mas o governo de Donald Trump recuou de um apoio inicial à ideia.

Enquanto isso, empresas ucranianas tentam desenvolver alternativas próprias. A Fire Point, por exemplo, produz mísseis de cruzeiro e drones capazes de atingir alvos a longa distância dentro da Rússia.

A Ucrânia também trabalha no desenvolvimento de interceptadores próprios, com apoio europeu. O desafio é maior: destruir um míssil em alta velocidade exige tecnologia muito mais complexa do que a empregada em drones de ataque.

Por isso, a liberação da tecnologia britânica é considerada um passo importante para a autonomia militar da Ucrânia, mas não uma solução imediata. A construção de uma indústria capaz de produzir mísseis sofisticados em grande escala ainda depende de tempo, dinheiro e acesso a componentes difíceis de obter.

A iniciativa também provocou reação da Rússia. O Kremlin acusou o Reino Unido de aumentar seu envolvimento no conflito e afirmou que o compartilhamento de tecnologia representa uma escalada da participação britânica na guerra.

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