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População em situação de rua cresce em BH
G1 — Brasil · 2026-08-24T17:50:15.000Z
População em situação de rua cresce em BH
Mais de 16 mil pessoas informaram não ter moradia em Belo Horizonte, segundo dados cadastrados no CadÚnico de 2026. O número de pessoas em situação de rua na capital chegou a 16.115 e é 36% maior do que o registrado há cinco anos, quando eram 11.858.
Apesar do aumento, a rede de acolhimento temporário da cidade conta com 1,2 mil vagas. Isso representa menos de 8% da demanda informada no levantamento.
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A Prefeitura de Belo Horizonte informou que reconhece que houve aumento na procura pelos serviços voltados à população em situação de rua. Segundo a administração municipal, por causa disso, novas estruturas e projetos foram criados neste ano.
Segundo Alice Brandão, diretora de Políticas para a População em Situação de Rua de Belo Horizonte, a prefeitura inaugurou duas novas unidades de acolhimento. Uma delas é voltada para migrantes e a outra atende famílias.
"A gente também inaugurou recentemente uma unidade para famílias, porque percebemos um aumento de casais, de famílias, às vezes inteiras, que perdem renda, perdem a possibilidade de arcar com aluguel e acabam indo para a rua", completou a diretora.
Para passar a noite, essas pessoas contam com um albergue no bairro Floresta e um abrigo no bairro Primeiro de Maio. Durante o dia, podem procurar os Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua (Centro Pop), onde há refeições, lavanderia, banho e apoio para emissão de documentos. Ao todo, são cinco unidades espalhadas pela cidade, nos bairros Barro Preto, Lagoinha e Floresta.
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Entidades avaliam que serviço é insuficiente
Mesmo com essa estrutura, entidades que atuam com essa população avaliam que os serviços ainda são insuficientes e pouco articulados.
De acordo com Claudenice Rodrigues Lopes, coordenadora da Pastoral de Rua da Arquidiocese de Belo Horizonte, faltam políticas que garantam uma saída efetiva das ruas, com acesso à moradia e ao trabalho.
"As pessoas tem o lugar de dormir, às vezes, garantido, o lugar do banho, da alimentação. Mas e a condição de superar, de fato? É importante esse trabalho básico, mas ele só, sem uma porta de saída que a gente fala, não dá conta de responder e atender esse fenômeno", completou a a coordenadora.
Para o professor da UFMG André Luiz Freitas Dias, coordenador do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, o crescimento está ligado a problemas estruturais, como falta de moradia, trabalho e educação. Segundo ele, países que conseguiram reduzir esse tipo de vulnerabilidade investiram de forma articulada em políticas habitacionais.
Pessoas relatam insegurança de viver nas ruas
Gilmar Rodrigues Salomão, de 46 anos, disse que começou a beber depois da morte dos pais e acabou perdendo o controle da própria vida. Hoje, trabalha e conseguiu recentemente uma vaga em um albergue.
“Dormir em cima de um papelão é muito complicado. Isso não é desejo para ninguém. Nunca imaginava que eu ia chegar em uma situação dessa”, afirmou.
Ele também disse que muitas pessoas querem sair das ruas, mas não encontram vagas suficientes nos abrigos.
Já Rosângela Gomes Nascimento vive nas ruas e teme pelo futuro do filho, que está internado. Ela contou que sofre ameaças e já foi agredida.
“Uns tratam bem, uns tratam ruim, uns ameaçam de morte. Roubam o que é da gente, a gente não tem paz para dormir de noite”, disse.
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