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Haddad promete câmeras corporais funcionando 'ininterruptamente' e critica modelo de Tarcísio

Fernando Haddad participa de sabatina no UOL.

G1 — Brasil · 2026-08-24T17:43:11.000Z

Fernando Haddad participa de sabatina no UOL.

O candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, prometeu a volta do funcionamento ininterrupto das câmeras corporais usadas pela Polícia Militar. O ex-ministro da Fazenda participou da sabatina promovida pelo UOL e pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (24).

🔎 Após acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em maio do ano passado, o modelo de operação dos equipamentos mudou. O sistema usado atualmente não prevê gravação contínua. As câmeras podem ser acionadas de forma manual pelo policial durante uma ocorrência ou remotamente pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom).

O modelo é alvo de críticas de organizações sociais e entidades de direitos humanos. Segundo as críticas, a ausência da gravação contínua pode fazer com que uma ocorrência que deveria ser registrada não seja filmada, caso o acionamento não ocorra.

“Eu vou colocar as câmeras corporais para funcionar ininterruptamente. Eu acho que ele comprou as câmeras, que foi uma boa coisa, mas essa coisa do cara desligar quando quer, não dá”, afirmou Haddad, em referência à gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Durante a sabatina, o petista também criticou a política de segurança pública da gestão do adversário na corrida eleitoral. Haddad afirmou que a letalidade policial aumentou durante o governo Tarcísio e criticou a falta de investimentos em inteligência, tecnologia e análise de dados.

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“Dobrou a letalidade da polícia. Ele [Tarcísio] acha que matando vai resolver o problema do crime sem inteligência, sem investimento em tecnologia, sem inteligência artificial. Isso não vai acontecer com os BOs sendo feitos da maneira que são, burocratizados, sem que você trabalhe os dados dos BOs para orientar o patrulhamento nas ruas”, afirmou.

Haddad também afirmou que menos de 5% dos crimes cometidos em São Paulo chegam à identificação dos autores e à condenação.

“A investigação [chega a] menos de 5% dos crimes cometidos, investigados, chegando à autoria e à punição. 95% dos crimes em São Paulo não dão em nada do ponto de vista da condenação, da impunidade que reina no estado de São Paulo”, disse.

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Questionado sobre a possibilidade de retomar o programa De Braços Abertos, política pública de redução de danos criada em 2014, durante sua gestão na Prefeitura de São Paulo, Haddad afirmou que o consumo de crack não acabou na cidade, mas se espalhou por diferentes regiões.

“Eu convido as pessoas a dar uma caminhada no Brás, depois das 8, 9 horas da noite, para ver se a Cracolândia acabou. O fato de as pessoas mudarem de lugar para consumir crack não significa que não há consumo de crack na cidade de São Paulo. É um absurdo”, afirmou.

Haddad citou reportagens que, segundo ele, mostram o consumo de crack “fragmentado” em diferentes regiões da cidade.

“Isso já tem reportagem de portais sérios, mostrando com imagens o consumo de crack fragmentado na cidade inteira. Vai lá em Itaquera. Eu fui, nós passamos, mandamos uma equipe para Itaquera, mandamos uma equipe para o Brás, mandamos uma equipe para a Marginal Tietê, mandamos uma equipe para a Marginal Pinheiros”, disse.

O candidato defendeu uma abordagem voltada à saúde para as pessoas que fazem uso da droga e afirmou que é preciso oferecer tratamento, abrigo e caminhos para a reinserção no mercado de trabalho.

“Eu quero dizer que a abordagem sanitária é importante. Você precisa abordar essas pessoas para tratá-las. Você não vai conseguir tapar o sol com a peneira e dizer que não tem gente na rua consumindo crack, aos milhares, na cidade de São Paulo. Mas, para isso, você precisa ter ação.”

Segundo Haddad, a proposta seria dividir as responsabilidades entre estado e municípios. “O governo do estado combate o tráfico e as prefeituras, e não é só na capital, no interior, você também tem mini Cracolândias. Você trata as pessoas.”

Ele também defendeu que usuários tenham acesso a serviços de saúde, moradia e trabalho.

“Se você não der o tratamento para as pessoas, essas pessoas não vão deixar de consumir. Elas precisam de uma saída para o consumo, para a dependência. Elas precisam estar referenciadas a um CAPS. Elas precisam ter um abrigo, um teto, elas precisam ter uma porta para o mundo do trabalho para voltar a se reinserir pelo trabalho.”

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