ITATIBA1

Superfície dos oceanos atinge maior temperatura já registrada, aponta observatório europeu

O sol nasce sobre barcos de pesca no Oceano Atlântico, em 8 de setembro de 2022, perto de Kennebunkport, no Maine (EUA).

G1 — Brasil · 2026-08-24T17:36:46.000Z

O sol nasce sobre barcos de pesca no Oceano Atlântico, em 8 de setembro de 2022, perto de Kennebunkport, no Maine (EUA).

AP Photo/Robert F. Bukaty, File

A temperatura média da superfície dos oceanos atingiu 21,1°C no último sábado (22), o maior valor diário já registrado, segundo dados divulgados pelo observatório europeu Copernicus nesta segunda-feira (24).

A nova máxima superou, por uma pequena margem, os 21,09°C registrados em março de 2024, que até então representavam o recorde da série utilizada pelo serviço climático europeu.

O dado considera a temperatura média da superfície dos oceanos fora das regiões polares.

Para acompanhar essas temperaturas, o Copernicus considera dados a partir de 1979, quando as medições por satélite passaram a permitir um acompanhamento mais preciso dos oceanos.

As temperaturas médias globais da superfície do mar costumam atingir seu ponto mais alto entre março e abril, após o verão no Hemisfério Sul, que concentra uma parcela maior da superfície oceânica do planeta.

Gráfico mostra a temperatura média diária da superfície dos oceanos em 2026, que chegou a 21,1°C em 22 de agosto e superou os anos anteriores.

Onda de calor deixa desabrigados na Europa

Desta vez, porém, o recorde foi alcançado neste mês de agosto. A temperatura também ficou acima da maior marca anterior para o mês, de 20,98°C, registrada em 2023.

Segundo o Copernicus, o novo pico ocorre após uma sequência de meses com temperaturas recordes ou muito próximas dos maiores valores já observados nos oceanos ao longo de 2026.

“Este recorde é mais um sinal claro de um oceano sob pressão crescente”, afirmou Samantha Burgess, líder de Estratégia Climática do ECMWF, centro que coordena os dados do Copernicus.

O recorde também acontece em meio ao desenvolvimento de um El Niño forte no Pacífico tropical.

🌊 ENTENDA: O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas do Pacífico Equatorial. Ele altera os padrões de chuva e temperatura em várias partes do planeta e costuma contribuir para a elevação da temperatura média global.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o fenômeno deve continuar ganhando força nos próximos meses. As previsões sazonais do Copernicus indicam que o episódio pode alcançar níveis pouco vistos nas últimas décadas.

O El Niño, no entanto, não explica sozinho o calor observado agora.

O próprio Copernicus ressalta que o fenômeno está acrescentando calor a oceanos que já vêm aquecendo há décadas por causa das mudanças climáticas provocadas pelas atividades humanas.

“O El Niño está adicionando calor ao sistema, mas faz isso sobre décadas de aquecimento causado pelo homem”, disse Burgess.

A diferença é que o El Niño é um fenômeno natural e temporário. Já a tendência de aquecimento dos oceanos ocorre no longo prazo e está relacionada principalmente ao aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.

Mapa mostra áreas dos oceanos com temperaturas acima e abaixo da média em 22 de agosto de 2026. Tons de vermelho indicam águas mais quentes que o normal.

Quem decide o que entra (e o que sai) do texto final da COP?

Cientistas usam esperma fluorescente e revelam que as fêmeas controlam o ato sexual entre os mosquitos

O mistério dos cães azuis de Chernobyl

O que muda com um oceano mais quente?

O aquecimento dos oceanos tem efeitos que vão além da temperatura da água.

Um dos principais é o aumento das ondas de calor marinhas, períodos de calor persistente que podem afetar recifes de corais, vegetação submarina e outras espécies.

Esse impacto também pode chegar à economia. Mudanças prolongadas na temperatura alteram cadeias alimentares e podem prejudicar atividades como pesca e aquicultura, especialmente em regiões que dependem desses recursos.

Outro efeito é a elevação do nível do mar. À medida que aquece, a água se expande, o que contribui para aumentar o nível dos oceanos e amplia os riscos para cidades costeiras e ilhas de baixa altitude.

Fora isso, o calor acumulado no mar também interfere na atmosfera. Águas mais quentes liberam mais calor e umidade, criando condições que podem favorecer chuvas mais intensas e alguns sistemas de tempestade.

Por que cada grau importa?

Gui Sousa/Arte g1

Isso não significa, porém, que todo evento extremo seja provocado diretamente pelo aquecimento dos oceanos.

Há ainda um efeito sobre o próprio aquecimento global. Oceanos mais quentes tendem a absorver menos dióxido de carbono da atmosfera, reduzindo parte da capacidade natural de retirar esse gás do ar.

Segundo o Copernicus, o número de dias com ondas de calor marinhas mais do que triplicou desde o início dos anos 1990.

Os cientistas agora acompanham se o recorde de 21,1°C será pontual ou se as temperaturas vão permanecer nesse nível.

O fortalecimento do El Niño pode empurrar os termômetros ainda mais para cima nos próximos meses, sobre um oceano que já vem aquecendo há décadas.

O aquecimento global está levando a Terra a um ponto crítico, principalmente no Ártico, onde os impactos das mudanças climáticas são ainda mais intensos.

Qual é o papel da China na crise climática?

Leia no Itatiba1 →