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Investigados por ataque a vereador de Assis apagaram registros de câmeras para encobrir provas, diz polícia

Polícia detalha em coletiva conclusão da operação sobre roubo a vereador em Assis

G1 — Brasil · 2026-08-24T20:00:47.000Z

Polícia detalha em coletiva conclusão da operação sobre roubo a vereador em Assis

Investigados pela Polícia Civil por participação no roubo do celular e em ameaças ao vereador Fernando Sirchia (PDT), em março deste ano, apagaram registros do circuito de monitoramento de segurança pública de Assis (SP) para tentar encobrir as provas.

O crime ocorreu em 23 de março. Na ocasião, um homem se passou por pesquisador universitário para entrar na casa do parlamentar. Em seguida, sacou um revólver, fez ameaças de morte contra ele e sua esposa e roubou seu celular ao perceber que estava sendo gravado.

Polícia Civil concluiu as investigações de roubo do celular e uma possível ameaça ao vereador de Assis (SP), Fernando Sirchia (PDT)

O parlamentar presidia a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Combustíveis, que investigava possíveis fraudes em cartões de abastecimento da Prefeitura de Assis.

Para ocultar os rastros da ação, membros do grupo apelaram para uma manobra no Centro de Comando Operacional (CCO) da prefeitura. A manipulação do sistema foi confirmada por perícia técnica.

Em entrevista à TV TEM, o delegado responsável pelas investigações, Marcelo Armstrong, explicou que um software de controle de acessos foi deletado e reinstalado logo após o avanço das apurações.

"Houve a exclusão de um software que armazenava todos os logs de acesso. Isso ocorreu logo depois do crime. Em abril, quando as investigações começaram a avançar, houve a exclusão desse software e uma nova reinstalação. O apagamento do software apaga todos os rastros deixados ali no período em que ocorreu o crime", explica o delegado.

Conclusão do inquérito

Com a conclusão do inquérito em agosto de 2026, a Polícia Civil finalizou o relatório da Operação “Veritas Vincit”.

De acordo com a polícia, oito pessoas foram identificadas como suspeitas de envolvimento nos crimes, em diferentes níveis de participação.

A investigação aponta que o roubo pode estar relacionado a atuação do vereador que na época presidia uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigava possíveis fraudes em cartões de abastecimento da Prefeitura de Assis.

Entre os oito investigados, seis têm vínculo direto com a administração municipal. Matheus Henrique da Cunha Felício e Wagner Fernando Eugênio Binati eram chefes de departamento e foram presos.

Delegacia de Polícia Civil de Assis (SP)

Além deles, o secretário municipal de Planejamento, Obras e Serviços, Leandro Gabrigna, também foi preso pela polícia no dia 13 de julho, suspeito de articular o crime do roubo do celular e de ameaçar de morte o vereador Fernando Sirchia. Eles haviam sido exonerados e presos preventivamente em 14 de julho.

No total, seis investigados tiveram a prisão temporária decretada durante a operação. Com a conclusão das investigações, a Polícia Civil pediu a conversão dessas prisões em preventivas à Justiça.

Eles ainda pediram a prisão preventiva de um sétimo investigado, que ocupava o cargo de Secretário Municipal de Governo e Administração.

Leandro foi exonerado do cargo de secretário de Planejamento de Assis (SP), após prisão em operação da Polícia Civil

Prefeitura de Assis/Divulgação

Ele teria possível ligação com o núcleo de articulação do crime e com o comprometimento de registros do sistema municipal de videomonitoramento. Para um oitavo investigado, que também é servidor público municipal, foram solicitadas medidas cautelares.

Até a ultima atualização desta reportagem, a Justiça ainda não havia se manifestado sobre os pedidos feitos pela polícia. O Ministério Público também ofereceu denúncia contra os investigados. O g1 tenta contato com a defesa dos envolvidos.

A prefeitura de Assis informou, em nota, que "não tinha conhecimento prévio de qualquer eventual participação de servidores ou ex-secretários municipais nos fatos investigados". Disse ainda que "eventuais condutas criminosas são de responsabilidade individual de seus autores e, se comprovadas, não representam a posição ou a responsabilidade institucional da Prefeitura".

Informou ainda que "a administração municipal adota as providências administrativas cabíveis diante de fatos concretos que possam configurar infração funcional, sempre respeitando o contraditório e a ampla defesa".

E, por fim, destacou que "não compactua com qualquer forma de violência, ameaça, intimidação ou utilização da estrutura pública para interesses particulares ou políticos e permanece à disposição das autoridades para colaborar ainda mais com as investigações."

Relembre o caso

Vereador de Assis (SP), Fernando Sirchia (PDT), foi assaltado em casa

Câmara de Assis/Reprodução

Fernando Sirchia foi rendido por um homem armado dentro da própria casa na tarde de 23 de março. Ele registrou boletim de ocorrência, relatando que o suspeito se apresentou como pesquisador de uma faculdade para conseguir entrar em contato com o vereador.

Desconfiado da abordagem, Sirchia começou a filmar o homem com o celular. Nesse momento, o suspeito sacou um revólver, anunciou o assalto, engatilhou a arma e afirmou que havia recebido ordem para matar o vereador e a esposa dele.

Ao perceber que estava sendo gravado, o criminoso tomou o celular da vítima e fugiu. O vereador não ficou ferido, registrou boletim de ocorrência e permaneceu afastado da Câmara Municipal por cerca de 30 dias, alegando preocupação com a segurança da família.

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