ITATIBA1
Microplástico é encontrado em praias dos Lençóis Maranhenses em estudo sobre poluição
G1 — Brasil · 2026-08-24T20:44:51.000Z
Microplástico é encontrado em praias dos Lençóis Maranhenses em estudo sobre poluição
Uma pesquisa realizada pelo projeto Micromar identificou a presença de partículas poluentes em praias dos Lençóis Maranhenses, uma das áreas naturais mais conhecidas do país.
O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e analisou cerca de 4 mil amostras coletadas em mais de mil praias de 17 estados brasileiros. Esse é considerado o maior levantamento padronizado já realizado sobre microplásticos no litoral do Brasil.
Mesmo em regiões protegidas e de difícil acesso, como as praias do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, os pesquisadores encontraram fragmentos de plástico que não deveriam fazer parte daquele ambiente.
Pesquisa identificou diferentes tipos de plásticos
Durante o levantamento, além de medir a quantidade de microplásticos encontrados na areia e na água, os cientistas analisaram a composição química dos resíduos.
Segundo os pesquisadores, alguns materiais identificados apresentam maior potencial de impacto ambiental. Um dos exemplos é o PVC, considerado um polímero com características poluentes.
A pesquisadora do projeto Micromar, Dra. Élida Bogea, explica que a presença de determinados materiais nas praias dos Lençóis chamou atenção da equipe.
“Quando a gente encontra polímeros altamente peculiares, de raro uso na sociedade, e identifica esse material na Praia dos Lençóis, isso chama muita atenção. A análise mostrou um índice elevado de periculosidade ambiental para aquela região”, afirma.
Resíduos podem ter vindo de outras regiões
Os pesquisadores avaliam que os microplásticos podem ter chegado aos Lençóis Maranhenses por diferentes caminhos. Uma das hipóteses é que as partículas tenham sido transportadas pelo Rio Preguiças, que atravessa áreas próximas a cidades onde há descarte de materiais plásticos.
Outra possibilidade é que os fragmentos tenham viajado longas distâncias pelo oceano, já que o tamanho reduzido permite maior mobilidade desses resíduos.
Para o biólogo Jorge Nunes, integrante do estudo, a presença de microplásticos em áreas de conservação mostra que a poluição já alcançou ambientes considerados protegidos.
“Existe um comprometimento daquilo que pensamos para ambientes de conservação. Os organismos como um todo também estão suscetíveis aos efeitos desses materiais”, destaca.
Pesquisadores alertam para mudanças no descarte
Microplástico é encontrado em praias dos Lençóis Maranhenses em estudo sobre poluição no litoral brasileiro
Os especialistas reforçam que o problema não está apenas nas áreas onde os resíduos são encontrados, mas também na forma como o plástico é descartado nas cidades.
“Estamos considerando os ambientes marinhos e as regiões costeiras, mas muitos resíduos não são produzidos nesses locais. Eles vêm das cidades, chegam aos rios e acabam desembocando no mar”, explica o biólogo.
O estudo agora busca ampliar o entendimento sobre a origem dos resíduos, como eles se espalham pelo ambiente e quais medidas podem ser adotadas para reduzir os impactos.
“Agora que temos parte dessa história contada, precisamos partir para resolver. O poder público, a sociedade e as empresas precisam atuar juntos para reverter esse cenário. É um estudo de grande importância, e é o maior estudo do hemisfério sul”, explica a pesquisadora.
Lençóis Maranhenses: entenda por que o parque parece um deserto, mas não é
Brasileiros 'invadem' perfil da Nasa após publicação sobre os Lençóis Maranhenses visto do espaço
Patrimônio Natural da Humanidade: entenda como se formam as dunas e as lagoas nos Lençóis Maranhenses
Lençóis Maranhenses: conheça cinco curiosidades do agora Patrimônio Natural da Humanidade
Lençóis Maranhenses chamam a atenção do mundo
Lençóis Maranhenses visto do espaço
Os Lençóis Maranhenses, no litoral do Maranhão, voltaram a ganhar projeção internacional nesta sexta-feira (21) após uma imagem do parque vista do espaço ser publicada pela Nasa, a Agência Espacial dos Estados Unidos, e repercutir nas redes sociais.
A imagem foi feita pelo satélite Landsat 9, que orbita a Terra, e mostra o contraste entre as dunas de quartzo branco e as lagoas de água doce que se formam entre elas, segundo a agência. Em publicação nas redes sociais, a Nasa chamou a paisagem de "deserto feito de água".
Apesar da aparência, os Lençóis não são um deserto. Segundo a Nasa, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses recebe cerca de 125 centímetros de chuva por ano, volume ligeiramente superior ao registrado em Seattle, nos Estados Unidos, e aproximadamente o dobro do observado em Londres, na Inglaterra.
Reconhecida como patrimônio natural
Momento em que os Lençóis Maranhenses são declarados Patrimônio Natural da Humanidade
O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses recebeu oficialmente o título de Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco em julho de 2024, durante uma reunião do Comitê do Patrimônio Mundial realizada em Nova Déli, na Índia.
O reconhecimento destacou a importância da paisagem formada por grandes campos de dunas, lagoas de águas cristalinas e uma área de transição entre os biomas Cerrado, Caatinga e Amazônia.
Com a inclusão na lista da Unesco, os Lençóis Maranhenses passaram a integrar um grupo de locais considerados de valor universal excepcional, levando em conta características naturais, geológicas, paisagísticas e a importância para a conservação da biodiversidade.
O parque, localizado no litoral do Maranhão, possui cerca de 156 mil hectares e abriga um dos maiores campos de dunas costeiras do mundo, onde lagoas temporárias se formam entre a areia durante o período chuvoso.
Lagoa no Circuito Betânia, nos Lençóis Maranhenses
O título também reforça a necessidade de preservação da área e aumenta a visibilidade internacional do destino, que já vinha ganhando destaque em listas de turismo e atraindo visitantes interessados em ecoturismo.
Satélite captura imagem dos Lençóis Maranhenses