ITATIBA1
Mulheres são presas suspeitas de aplicar golpe com falsas vagas de emprego
G1 — Brasil · 2026-08-24T22:09:22.000Z
Mulheres são presas suspeitas de aplicar golpe com falsas vagas de emprego
Duas mulheres são suspeitas de usar falsas vagas de emprego para conseguir dados pessoais de desempregados e fazer financiamentos de veículos em nome das vítimas, em Goiânia. Ângela Vitória da Silva e Allanis Mel dos Santos Schon da Luz foram presas durante a investigação da Polícia Civil.
Segundo a polícia, as vítimas eram atraídas por anúncios de emprego e participavam de supostos processos seletivos. Uma das oportunidades divulgadas era para motorista executivo particular, com salário de R$ 5.025, além de benefícios como plano de saúde, plano odontológico e vale-alimentação.
A defesa de Ângela Vitória e Allanis Mel afirmou que as duas são investigadas e que não há condenação contra elas. Segundo o advogado Diego Raphael Guerreiro, as versões apresentadas pela polícia ainda não foram submetidas ao contraditório judicial e a existência de contato com pessoas, locais ou documentos não comprova, por si só, que as investigadas soubessem ou tivessem participado de eventual fraude. A defesa informou ainda que as duas já prestaram esclarecimentos e permanecem à disposição das autoridades.
Segundo a portaria de instauração do inquérito, a investigação em Goiás começou após informações repassadas por policiais civis do Espírito Santo. A suspeita é de que mulheres divulgavam falsas vagas de emprego e marcavam entrevistas em escritórios que simulavam processos de admissão. Durante os encontros, dados pessoais e o reconhecimento facial dos candidatos eram coletados sob o pretexto de cadastro e, depois, seriam usados para contratar financiamentos bancários em nome das vítimas.
A apuração aponta possíveis ramificações do grupo em diferentes estados. O documento cita uma vítima em Serra, no Espírito Santo, que procurou uma vaga anunciada no Instagram e, após fornecer dados pessoais e fazer o reconhecimento facial durante uma suposta entrevista, recebeu no mesmo dia comunicações bancárias sobre um financiamento de veículo em seu nome. A portaria registra ainda que uma possível integrante do grupo teria sido presa em Minas Gerais e que duas mulheres possivelmente vinculadas à mesma organização estariam em Goiânia.
✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp
Anúncio de vaga de motorista com salário de R$ 5 mil era usado para atrair vítimas, segundo a Polícia Civil
Vítima descobriu financiamento após mensagem do banco
Vítima contou com exclusividade à TV Anhanguera que teve um carro financiado em seu nome após ser atraída por uma falsa vaga de emprego
Uma das vítimas contou que procurava emprego quando foi atraída pela suposta vaga. Após participar do processo seletivo, recebeu uma mensagem do banco informando que um financiamento havia sido concluído em seu nome.
“No celular estava chegando mensagem, aí eu parei a moto pra olhar. Era o banco informando que o meu financiamento tinha sido concretizado com sucesso”, contou.
Segundo a vítima, uma Hilux de R$ 150 mil foi negociada em seu nome. Do valor do veículo, R$ 125 mil foram colocados como entrada e os outros R$ 25 mil foram financiados. Ao receber o aviso do banco, o homem voltou imediatamente ao local onde havia participado da entrevista, mas não encontrou mais as suspeitas.
“Na situação que a gente tá, procurando emprego, que a pessoa já não tá bem financeiramente, ainda levar um golpe desse é triste e complicado”, disse.
Os documentos do processo também citam outra vítima. Ela teria participado de uma entrevista às 11h do dia 21 de agosto e, cerca de 30 minutos depois, recebeu a informação de que havia uma tentativa de financiamento em seu nome. Nesse caso, a operação foi bloqueada pela instituição financeira.
As duas vítimas passaram por procedimentos de reconhecimento e apontaram Ângela e Allanis como as mulheres que participaram dos atendimentos, conforme consta na decisão judicial.
Médico de Anápolis tem prejuízo de cerca de R$ 500 mil após golpe do falso advogado, diz polícia
Advogada é presa em resort suspeita de dar golpes em clientes de Goiás
Fraudes em licitações que causaram prejuízo de mais de R$ 14 milhões são alvo de operação do MP-GO
O que disseram as investigadas
Em depoimento à polícia, Ângela afirmou que foi a Goiânia depois de receber uma oferta de trabalho. Segundo ela, sua função era apresentar as vagas e acompanhar o preenchimento dos questionários dos candidatos. A investigada negou saber que imagens obtidas durante as entrevistas poderiam ser usadas para cometer fraudes.
Allanis, por sua vez, declarou que foi procurada por uma pessoa que se apresentou como Carlos Rafael e que teria oferecido a ela um trabalho para realizar entrevistas. Segundo o depoimento, essa pessoa também teria providenciado um celular para o serviço, hospedagem e passagens para Goiânia.
Allanis afirmou ainda que as fotografias dos rostos dos entrevistados eram encaminhadas a uma terceira pessoa, mas disse desconhecer que as imagens seriam utilizadas para a prática de fraude.
Durante as diligências, celulares, questionários e bolsas mencionados no auto de prisão foram apreendidos pela polícia.
Imagens de câmeras de segurança mostram as investigadas durante a ação, segundo a Polícia Civil
Ângela e Allanis foram presas em flagrante pela suspeita de obtenção de financiamento mediante fraude. Na audiência de custódia, a Justiça concedeu liberdade provisória às investigadas em relação à prisão em flagrante, mas condicionou a liberação à análise de um pedido de prisão temporária que tramitava separadamente.
Posteriormente, a prisão temporária foi decretada por cinco dias. A defesa apresentou habeas corpus e questionou a manutenção das prisões. Nos autos, o advogado sustenta, entre outros pontos, que as investigadas negam conhecimento sobre o suposto uso fraudulento dos dados e das imagens obtidos durante as entrevistas.
VÍDEOS: últimas notícias de Goiás