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Vigilância Sanitária interdita casa de repouso em São Bernardo do Campo após encontrar remédios vencidos e problemas na estrutura

Vigilância Sanitária interdita parcialmente casa de repouso em São Bernardo do Campo após encontrar remédios vencidos

G1 — Brasil · 2026-08-24T23:01:51.000Z

Vigilância Sanitária interdita parcialmente casa de repouso em São Bernardo do Campo após encontrar remédios vencidos

A Vigilância Sanitária de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, interditou parcialmente uma casa de repouso em São Bernardo do Campo, no ABC, nesta segunda-feira (24). A falta de estrutura é apontada como um dos motivos para a medida. A instituição não pode receber novos pacientes a partir de agora.

Na tarde desta segunda, a Polícia Militar também esteve no local.

Parentes afirmam que foram avisados pelos próprios proprietários de que precisariam retirar os idosos do local em até dez dias.

Depois de dois anos morando na casa de repouso, Dona Luiza, de 77 anos, deixou a clínica na tarde desta segunda-feira (24). A família, que não quis gravar entrevista, foi buscá-la às pressas depois de receber relatos sobre as condições do local.

Funcionários contam que os donos e responsáveis pela casa, que são marido e mulher, se desentenderam e abandonaram o local. Quem ficou na linha de frente, como o técnico em enfermagem João Paulo Leite Pereira, passou a lidar com diferentes problemas.

“Hoje, gerenciando mesmo, não tem ninguém. Ambos estão na Justiça tentando ver quem vai assumir a responsabilidade.”

Depois de uma denúncia, o que já era relatado por funcionários e familiares apareceu no laudo de uma vistoria da Vigilância Sanitária.

Os fiscais encontraram remédios vencidos, falhas no registro da medicação e problemas no controle de remédios de uso restrito. Também foram identificados problemas na estrutura física, que, segundo a Vigilância, não estava adequada para esse serviço.

Por causa das irregularidades, a Vigilância Sanitária determinou a interdição parcial da instituição. A partir de agora, novos idosos não podem ser acolhidos, mesmo que algum dos atuais moradores deixem o local.

Atualmente, 11 idosos ainda vivem na casa de repouso. As famílias enfrentam a necessidade de buscar alternativas para os moradores.

É o caso de Israel Barbosa, que soube por mensagem sobre a situação da instituição. O pai dele tem demência e mora no local há três anos.

“E aí a gente começou a perceber que tinha uma série de irregularidades, medicamentos vencidos, questão de iluminação, suporte para mobilidade dos idosos, e a gente não tinha conhecimento dessas irregularidades.”

Enquanto ninguém é responsabilizado pela situação, funcionários e familiares tentam manter os cuidados com os idosos.

“A gente trabalha com o que a gente tem, só que hoje a gente tem. O trabalho está sendo mantido corretamente. Banho, comida, alimentação deles e medicamento que eles tomam”, afirmou João Paulo.

Para Israel, o problema vai além das condições de trabalho ou da questão financeira.

“Nesse momento a gente fica desolado, sem acreditar que pessoas podem gerir dessa forma vidas. Porque o que está em jogo são vidas, não é questão de dinheiro, questão de trabalho, não é questão material, é a vida desses idosos, que têm um significado na nossa história, na nossa família, as pessoas têm identidade e merecem respeito.”

Os proprietários da casa de repouso disseram que sabem que a instituição não pode receber novos pacientes, mas não falaram nada sobre o que será feito no local.

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