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Desmatamento concentra 71% das investigações de crimes ambientais no Amazonas, aponta estudo

Sobrevoo mostra desmatamento em área da floresta amazônica em Manaus, no Amazonas.

G1 — Brasil · 2026-08-25T12:37:27.000Z

Sobrevoo mostra desmatamento em área da floresta amazônica em Manaus, no Amazonas.

REUTERS/Bruno Kelly/File Photo

O desmatamento e a exploração ilegal de madeira concentram a maior parte das investigações de crimes ambientais no Amazonas. É o que mostra o relatório Esforços estaduais no combate aos crimes ambientais na Amazônia Legal, divulgado pelo Instituto Igarapé em parceria com o Consórcio Interestadual da Amazônia Legal. O levantamento analisou dados das forças de segurança entre 2023 e julho de 2025.

Segundo o estudo, a Polícia Civil do Amazonas instaurou 171 inquéritos policiais ambientais no período. Desse total, cerca de 31% foram classificados como crimes de impacto amplo, categoria que inclui desmatamento, queimadas, garimpo ilegal e outros delitos com maior potencial de dano ambiental.

Entre os inquéritos relacionados a esses crimes mais graves, 71% tratam de exploração ou desmatamento florestal. Os demais envolvem crimes contra a fauna silvestre, incêndios florestais e casos de poluição.

O relatório também chama atenção para o baixo número de investigações registradas no estado. Enquanto o Amazonas contabilizou 171 inquéritos ambientais entre 2023 e julho de 2025, o Pará registrou 7.530 no mesmo período.

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Segundo os pesquisadores, a diferença pode indicar subnotificação, falta de efetivo policial ou limitações operacionais para documentar infrações ambientais.

Queimadas e desmatamento aparecem nos registros da Polícia Civil

Nos boletins de ocorrência registrados pela Polícia Civil, os crimes ambientais de maior impacto se concentram principalmente em incêndios florestais e desmatamento. O estudo aponta que o garimpo ilegal aparece com menor frequência nos registros.

Os pesquisadores também identificaram ocorrências envolvendo motores de garimpo de ouro encontrados submersos e veículos abandonados ligados à atividade mineral ilegal.

Já nas áreas urbanas, predominam registros relacionados ao comércio irregular de animais e maus-tratos. Esse padrão também foi observado em outros estados da Amazônia Legal.

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Operações focam em crimes de grande impacto

O levantamento mostra que todas as operações registradas pela Polícia Militar do Amazonas no período analisado foram voltadas para crimes ambientais de impacto amplo, como desmatamento, queimadas e garimpo ilegal.

O mesmo cenário foi observado nas operações da Polícia Civil. O Amazonas aparece entre os estados onde 100% das ações registradas foram classificadas como estruturais, ou seja, direcionadas aos crimes ambientais mais graves.

Entre as iniciativas citadas pelo relatório estão as operações Hórus e Águas Seguras, realizadas pela Polícia Militar, além da Operação Tamoitatá, considerada uma referência regional no combate ao desmatamento e às queimadas. A ação reúne órgãos como a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), as polícias Militar e Civil, o Corpo de Bombeiros e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

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Amazonas tem uma das maiores proporções de denúncias de crimes ambientais graves

O serviço 190 da Polícia Militar recebeu 180 chamadas relacionadas a crimes ambientais no Amazonas entre 2023 e julho de 2025. Desse total, 52 foram classificadas como ocorrências de impacto amplo e 128 como crimes de menor impacto.

Embora o número absoluto seja menor que o de outros estados da Amazônia Legal, o Amazonas registrou uma das maiores proporções de denúncias relacionadas a crimes ambientais graves: 28,9% das chamadas tratavam de desmatamento, queimadas ou outras infrações de grande impacto ambiental.

Segundo o relatório, esse percentual sugere que a população tem acionado a polícia para denunciar crimes ambientais de maior gravidade, enquanto a maior parte dos chamados restantes está ligada a ocorrências de menor impacto, como situações envolvendo animais e outros problemas ambientais do cotidiano.

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