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Entenda o que é a gastrostomia, procedimento que idosa com câncer fez por engano em hospital de Campinas

Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, estava internada para tratar uma obstrução intestinal causada pela volta de um câncer de cólon quando foi levada ao centro cirúrgico por engano. Ela passou por uma gastrostomia endoscópica —…

G1 — Brasil · 2026-07-23T13:01:14.000Z

Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, estava internada para tratar uma obstrução intestinal causada pela volta de um câncer de cólon quando foi levada ao centro cirúrgico por engano. Ela passou por uma gastrostomia endoscópica — procedimento que não tinha relação com o tratamento do câncer — e morreu três dias depois.

O caso levanta dúvidas sobre o que é essa cirurgia, para que ela serve e como é, de fato, tratado o câncer de intestino. Os oncologistas Stephen Stefani e Fernando Maluf, cofundador do Instituto Vencer o Câncer, explicaram ao g1 os detalhes sobre a doença e o procecimento.

O que é a gastrostomia?

A gastrostomia é a abertura de um orifício na parede do estômago para a colocação de uma sonda. Por ali, é possível alimentar o paciente ou, em outros casos, drenar líquidos e conteúdo acumulado no órgão.

Segundo Maluf, o procedimento costuma ser indicado quando um tumor na região abdominal, mas não necessariamente no intestino. Casos, por exemplo, como câncer de ovário, que provoca uma obstrução que já não pode mais ser resolvida por cirurgia.

Esse tipo de procedimento também é usado em pacientes com câncer de cabeça e pescoço, quando a inflamação causada pela radioterapia ou pela quimioterapia dificulta a deglutição, e em situações paliativas, quando o paciente não consegue mais se alimentar por via oral.

Cirurgia é um procedimento que não faz parte do tratamento

Os médicos explicam que a cirurgia faz parte do atendimento ao paciente, para resolver uma questão posterior ao quadro de saúde do câncer. No entanto, ela não é usada como forma de tratamento para o câncer em si.

"Esse é o que chamamos de um recurso de suporte. Ele é feito para garantir a nutrição e acesso ao estômago do paciente", explica o oncologista Stephan Stefani.

O tratamento do câncer de intestino segue um caminho diferente. De acordo com os especialistas, ele envolve a retirada do tumor e do tecido ao redor da lesão. Depois da cirurgia, é feito o estadiamento, que avalia a extensão da doença.

É esse resultado, somado ao tipo de tumor identificado, que define se o paciente vai precisar de tratamentos complementares, como quimioterapia ou imunoterapia. A decisão varia de acordo com cada caso.

De acordo com a família de Jandira, no caso dela ainda não havia a decisão de uma conduta. Ela estava internada por causa da piora do quadro de saúde, mas não havia a decisão médica sobre como o câncer iria ser tratado.

O que é uma recidiva?

A recidiva é o reaparecimento do câncer depois de um tratamento considerado bem-sucedido. Ela acontece porque pequenos focos da doença — as chamadas micrometástases — podem permanecer no organismo mesmo após a cirurgia, a quimioterapia ou a radioterapia, sem serem detectados nem pelos exames de imagem mais modernos.

Com o tempo, que pode variar de meses a anos, essas células remanescentes se multiplicam e dão origem a um novo tumor. Segundo Maluf, isso costuma acontecer porque "alguma célula maligna não foi adequadamente curada durante o tratamento, principalmente em fases mais avançadas do diagnóstico".

A recidiva pode se manifestar de três formas. Na recidiva local, o câncer volta no mesmo lugar onde surgiu inicialmente. Na recidiva regional, ele reaparece nos linfonodos próximos à região do primeiro tumor. Já na recidiva à distância — também chamada de metástase —, a doença volta em outra parte do corpo, geralmente longe de onde começou, como quando um câncer de mama reaparece nos pulmões, no fígado ou nos ossos.

Foi um quadro de recidiva de câncer de cólon que levou Jandira a ser internada, em junho, para tratar a obstrução intestinal provocada pela volta da doença.

Cirurgias em pacientes com câncer precisam de avaliação de risco

Pacientes idosos em recidiva de câncer chegam a qualquer procedimento cirúrgico em uma condição mais frágil. Segundo Stefani, isso acontece porque a capacidade imunológica já está comprometida e as funções vitais, mais sensíveis a qualquer intercorrência.

Por isso, existem escalas de risco cirúrgico, usadas pelas equipes médicas para dimensionar a chance de complicações antes de qualquer intervenção — de uma pequena cirurgia de pele, com risco mínimo, a procedimentos mais invasivos, em que o risco cresce proporcionalmente à fragilidade do paciente.

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