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600 espécies de aves e até onças: conheça área de 11 mil hectares protegida por hotel na Amazônia

Floresta também serve de refúgio para uma ampla diversidade de grandes e médios mamíferos

G1 — Campinas e Região · 2026-08-25T14:12:47.000Z

Floresta também serve de refúgio para uma ampla diversidade de grandes e médios mamíferos

João Paulo Krajewski

A ideia de que a preservação ambiental se opõe ao desenvolvimento econômico cai por terra no sul da Amazônia. Nos municípios de Alta Floresta e Novo Mundo (MT), o Cristalino Lodge tornou-se um dos maiores exemplos práticos de como a atividade comercial, quando planejada com responsabilidade, é a principal financiadora da conservação.

O projeto começou com apenas 700 hectares e hoje protege mais de 11.399 hectares transformados em Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).

“Foi justamente esse modelo de negócio que permitiu a gente ir ampliando as áreas de conservação privada do hotel”, destaca Alexandre Da Riva, CEO do Cristalino Lodge.

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Santuário de biodiversidade no sul da Amazônia

A grandiosidade da área protegida justifica todo o esforço de conservação. Considerada uma das regiões mais biodiversas do mundo, a área do Cristalino abriga cerca de 600 espécies de aves, o que representa aproximadamente um terço de todas as espécies registradas no Brasil, além de 1.010 espécies de borboletas, a maior lista já publicada para uma única localidade brasileira.

A riqueza da fauna local impressiona pela presença de sete espécies de primatas

João Paulo Krajewski

A riqueza da fauna local impressiona pela presença de sete espécies de primatas: o endêmico macaco-aranha-de-cara-branca (Ateles marginatus), o macaco-da-noite (Aotus infulatus), o macaco-prego (Sapajus apella), o bugio-de-mãos-ruivas-de-spix (Alouatta discolor), o cuxiú-de-nariz-branco (Chiropotes albinasus), o raro sagui-de-emília (Mico emiliae) e o zogue-zogue (Plecturocebus moloch). Desses, o macaco-prego, o macaco-aranha-de-cara-branca, o cuxiú-de-nariz-branco e o bugio-de-mãos-ruivas são frequentemente avistados pelos visitantes.

A floresta serve ainda de refúgio para uma ampla diversidade de grandes e médios mamíferos, como antas, ariranhas, lontras, veados, jaguatiricas e onças.

Uma estrutura de mínimo impacto e alto retorno ecossistêmico

Para garantir a proteção de toda essa biodiversidade sem que o turismo degrade o ecossistema, a operação exige um planejamento rigoroso. Dos mais de 11 mil hectares mantidos, apenas dois são ocupados pelas instalações da propriedade. O espaço conta com energia 100% solar, compostagem e passeios conduzidos em grupos reduzidos de até oito pessoas.

Dos mais de 11 mil hectares mantidos, apenas dois são ocupados pelas instalações da propriedade

A própria presença dos visitantes atua como uma barreira de proteção.

“O turismo é feito de forma responsável e contribui diretamente para a conservação. Os guias e a presença humana também inibem a presença de pessoas que podem ir lá para tentar depredar. A simples presença do turismo contribui com o monitoramento”, afirma Da Riva.

Pesquisas científicas de longo prazo comprovaram que essa movimentação não afeta a fauna local: a probabilidade de encontrar espécies em trilhas visitadas por turistas é exatamente a mesma registrada em áreas intocadas.

O projeto começou com apenas 700 hectares e hoje protege mais de 11.399 hectares transformados em Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs)

João Paulo Krajewski

A sinergia entre hotelaria, ciência e comunidade

A gestão do espaço é dividida entre a operação hoteleira e a Fundação Cristalino, responsável pelo manejo, combate a incêndios e pesquisas sobre clima, flora e fauna. Essa relação gera uma troca constante de conhecimento.

“Existe uma simbiose de conhecimento produzido por essa relação. Quanto mais conhecimento você produz sobre a natureza, mais as pessoas valorizam a floresta. A produção de conhecimento alimenta as atividades do lodge, porque quando tem uma espécie nova descoberta, o guia passa esse conhecimento para o turista”, explica o executivo.

Projeto 'Um Dia na Floresta' leva crianças a conhecer Floresta Amazônica

Mequiel Zacarias Ferreira

O impacto econômico e social também se estende para fora das reservas. A fundação atua na educação ambiental de escolas públicas e no fomento de novas cadeias produtivas no entorno, como o cultivo orgânico de cacau, café e açaí.

“Já atuamos com mais de 6.000 crianças nos municípios de Alta Floresta e Novo Mundo. É muito gratificante ver esse impacto qualitativo. Não adianta nada pegar um modelo de fora e querer aplicar, a gente tem que trabalhar com a comunidade, porque são as pessoas que são capazes de fazer as transformações”, conclui Da Riva.

A área do Cristalino abriga cerca de 600 espécies de aves, o que representa aproximadamente um terço de todas as espécies registradas no Brasil

João Paulo Krajewski

A fórmula que une hospitalidade, ciência e desenvolvimento social rendeu ao Cristalino Lodge o reconhecimento internacional, sendo o único brasileiro selecionado entre os 50 Melhores Hotéis de Luxo do Mundo pela prestigiada publicação Robb Report.

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