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Inspirado em Guardiola e Renato Gaúcho, Thiago Neves inicia carreira de treinador: "Gosto de time agressivo"

Thiago Neves cita inspirações no início da carreira de treinador

ge — Futebol · 2026-08-25T15:00:16.000Z

Thiago Neves cita inspirações no início da carreira de treinador

Thiago Neves foi um dos meias que marcaram o futebol brasileiro nas últimas décadas. Provocador, não tinha medo de falar o que pensava ou de dançar na frente da torcida adversária. Quem viu esse Thiago Neves hoje se impressiona com o treinador do sub-20 do Bangu nos primeiros passos da carreira. Disciplina em campo, mas sem transformar o jogador "em um robô". É um Thiago que, em entrevista ao ge, se diz parte de uma nova geração de técnicos e um apaixonado pela profissão.

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Thiago Neves usa mesa tática e apresenta ideias como treinador ao ge

O novo treinador comanda o sub-20 do Bangu. O trabalho ganhou elogios pelo desempenho em torneios estaduais. No OPG, eliminou o Fluminense e disputou a final contra o Botafogo. O time alvinegro marcou no último minuto da decisão e ficou com a taça. Inspirado em Guardiola, Klopp e Renato Gaúcho, Thiago apresentou suas ideias de futebol.

— Eu gosto de muita disciplina tática. Tenho jogadores que entendem bem o que eu quero. Eu estou tirando o máximo possível deles. Gosto de um time bem disciplinado taticamente, com velocidade e agressivo. Não posso deixar de ser agressivo. Independentemente do seu adversário, você tem que mostrar o porquê você está fazendo esse trabalho de semifinal de OPG. Eu gosto de ser agressivo até nos treinos. A disciplina tática eu não abro mão, mas não deixo o meu jogador robô. Do meio para frente é criatividade deles. Tenho jogadores bem criativos, com técnica boa e sabem jogar. Em um setor do campo deixo livre para criar, para jogar da forma que ele gosta de jogar.

Thiago Neves usa mesa tática e apresenta ideias como treinador

— Eu gosto muito do estilo do Renato (Gaúcho), muito mesmo. Além de ele ser um cara que tem uma baita visão de jogo na mesma linha dos jogadores, é a liberdade que ele dá para todo mundo jogar livre, leve e solto, com toque de bola. Eu gosto do estilo do Renato, sempre gostei, e a confiança que ele dá para os jogadores dele.

Parte da nova geração

Com poucos meses de profissão, Thiago Neves diz ser parte de "uma nova geração de treinadores". Quem deu o pontapé inicial, de acordo com ele, foi Filipe Luís, hoje no Mônaco. Em uma palestra na CBF, o ex-treinador do Flamengo chegou a aconselhar Thiago sobre encaixes táticos no sub-20 do Bangu.

— Está vindo uma nova geração de treinadores. O Filipe Luís foi o primeiro e tem outros vindo também. Quem sabe o Felipe Melo daqui a pouco está como treinador. A gente começa no sub-20 e daqui a pouco a gente vai estar se enfrentando ou trabalhando juntos em algum clube — disse Thiago Neves ao ge.

Thiago Neves, técnico do Bangu sub-20

Thallys F. Santos / Bangu A.C

Tem sido maravilhoso, melhor do que eu imaginava. Você ter que ensinar a molecada a fazer algumas coisas que são do básico do futebol, isso tem sido o diferente, o prazeroso, de ter que sair de casa de manhã e chegar em Bangu e mostrar para o pessoal os movimentos certos. A gente está tendo resultados bons com isso e a cada dia vou me apaixonando por essa profissão

Outro nome da "nova geração" é Fred, que foi companheiro de Thiago Neves no Fluminense e no Cruzeiro. Os amigos se enfrentam no próximo dia 29, pelo Campeonato Carioca sub-20.

— Vai ser engraçado. Acho tanto da minha parte vai ser engraçado ver o Fred comandando, para ele também. A gente está sempre na resenha, tirando sarro um do outro. Estou curioso para ver como vai ser essa resenha depois do jogo para falar o que eu fiz, o que eu estava vendo, o que eu tentei fazer contra o time dele. Mas vai ser bom.

"Mais um amigo que treinador"

Thiago Neves não tinha o plano de virar treinador. Depois de se aposentar, se preparou para virar diretor de futebol. Na sala de aula, viu que a vida na beira do campo "é totalmente diferente", e "tudo tem um porquê". A prática no Bangu mostra para o ex-meia a realidade de jovens que enfrentam dificuldades para sair de casa em meio à violência no Rio de Janeiro.

Thiago Neves abre sobre início da carreira de treinador no Bangu sub-20

— É uma molecada de uma realidade muito diferente. Todo mundo de comunidade, de família bem simples. Tem jogadores que saem 3, 4 da manhã para estar em Bangu 7h30. Uma coisa que peço é o horário, a disciplina. Eles dão o jeito deles e chegam. Não vou dizer dificuldade, mas está sendo uma experiência muito boa para lidar com esse tipo de jogador. Lidar com profissional ou com jogadores de Fluminense, Flamengo, São Paulo sub-20 vai ser um pouco diferente por ter certa estrutura.

— Esses jogadores que estou lidando você tem que saber falar, tem que saber cobrar e tem que mostrar. Eu mesmo faço os movimentos, mostro como eu quero que seja feito e eles vão pegando. A gente tem sete meses de trabalho. Bastante coisas já pegaram. Vários jogadores já têm contrato profissional. É pouco o salário, mas para eles significa muito. Isso, para mim, é gratificante. Esse é o meu trabalho.

Alguns dos jogadores do Bangu vão para os treinos em Moça Bonita com Thiago Neves, que oferece carona aos atletas. Para ele, o treinador aparece no dia anterior e no dia dos jogos. No dia a dia, é "mais um amigo mais velho, um irmão, do que o próprio treinador".

Thiago Neves aborda campanha vice-campeã do Bangu sub-20

— Vou como amigo, como um parceiro com mais experiências, que viveu coisas boas no futebol. Por isso também que, na hora de fazer o trabalho, eles fazem com dedicação. Às vezes não sai da forma que eu quero, mas vejo que eles tentam.

— Eles, todo dia que passa, têm uma pergunta nova, pergunta do jogo, como foi a preparação. Agora que passou a final do OPG eu fiz questão de falar. Falava pouco, treinava muito porque decidia em detalhes. Fui passando a minha experiência. Para eles é mais difícil. Tem uns que jogam no time da comunidade e ganham um dinheirinho por fora. Treinam arrastando porque tiveram jogo dias antes. Tenho um atleta que não vai poder jogar na estreia do Carioca porque sofreu um acidente no supercilio jogando pelada. Você tem que chamar, conversar, perguntar se é aquilo mesmo que ele quer. Tem que ter o sacrifício. É difícil, se precisa de uma ajuda financeira para ir aos treinos, para ir aos jogos.

"Coragem para jogar"

O grupo do Bangu caminhou até a final do Torneio Otávio Pinto Guimarães (OPG) e chegou a eliminar o Fluminense na semifinal. Na decisão, enfrentou o Botafogo do técnico Rodrigo Bellão, que trabalhou como interino no profissional alvinegro. Em casa, o Bangu segurou o 0 a 0, placar mantido até os acréscimos do jogo de volta, quando o Botafogo marcou e ficou com o título.

— Faz parte. O que eles fizeram, de ter eliminado o Fluminense, de chegar ao segundo jogo da final com possibilidade de ser campeão, isso torna eles vencedores. Meu papel foi passar coragem para eles, de jogar de igual para igual, e eles fizeram isso bem nos dois jogos. Bateram de frente, tiveram coragem para jogar. Coisas que acontecem. Serviu de experiência para eles.

Thiago faz questão de ressaltar a importância de cada membro da equipe técnica: Yuri, preparador de goleiros, Fabrício, chefe de preparação física, e seus auxiliares, Camacho, Rafinha, Gustavo e Denilson. É com eles que o ex-jogador inicia a carreira de treinador.

Thiago Neves no comando do Bangu sub-20

Thallys F. Santos / Bangu A.C

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